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sexta-feira, junho 11, 2021

Alberto Laplaine Guimarães

O lamentável episódio que fez com que à embaixada russa em Lisboa - o que poderá ter acontecido também com outras missões diplomáticas estrangeiras, em idênticas circunstâncias - tivesse sido dado conhecimento oficial dos dados pessoais dos promotores de manifestações contra o regime de Moscovo, está a ser objeto de forte debate. É natural que isso aconteça, mas nem por isso, na polémica, vale tudo! 

O caso ocorrido é muito grave, a prática burocrática instituída e que vinha a ser acriticamente seguida, é de uma insensatez sem limites, tendo em atenção os sérios riscos pessoais a que essas pessoas ficaram expostas, embora haja quase certeza de que dificilmente as embaixadas não conheceriam já bem os seus opositores que vivem em Portugal. Mas este último facto é, em absoluto, irrelevante: em nenhuma circunstância seria admissível que serviços públicos portugueses pudessem sequer estar a confirmar nomes de opositores, tanto mais que se sabe que, em regra, esse tipo de manifestações se processam contra regimes que não têm em grande conta os direitos humanos - e isto é apenas um eufemismo para designar vulgares ditaduras ou coisas que lhe estão mais ou menos próximas.

A que propósito vem o nome da pessoa que coloquei como título, estará a perguntar-se o leitor? Porque, nas últimas horas, o nome de Alberto Laplaine Guimarães, secretário-geral da Câmara Municipal de Lisboa, tem vindo à baila como aparente ”bode expiatório”, escolhido por alguns, nas redes sociais, em todo este imbróglio. 

Não conheço minimamente os factos, não me quero antecipar às conclusões das averiguações urgentes que, seguramente, vão ser feitas e divulgadas, ao pormenor, a bem da transparência. 

Mas conheço bastante bem Alberto Laplaine Guimarães. Navegamos, como é óbvio para toda a gente, em áreas políticas e ideológicas muito diferentes, às vezes fortemente contrastantes - como, ainda há escassas horas, o espaço do Facebook tinha testemunhado, a propósito de temas religiosos.

Há muitos anos que aprecio e admiro a devoção de Alberto Laplaine Guimarães ao serviço público, o seu empenhamento profissional escrupuloso, em todos os setores onde o tenho visto atuar - desde a Casa Civil do presidente Jorge Sampaio à Câmara de Lisboa, passando por um conjunto de outras atividades, na esmagadora maioria dos casos ”pro bono”, a que empresta o seu eterno entusiasmo e insuperável dedicação. 

E - o que é mais importante - conheço os seus princípios e valores, em tudo contrários a poder, ainda que remotamente, ser cúmplice consciente de qualquer risco colocado à liberdade de manifestantes em favor da democracia. Isso basta-me.

Por isso, Alberto, aqui lhe deixo o meu abraço de sempre.

"Olhe que não, olhe que não"

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