terça-feira, 8 de junho de 2021

“Ajuda, precisa-se”


Há quase oito anos, escrevi no meu blogue o seguinte texto:

”Passei, há minutos, ao lado do Palácio da Ajuda. Por lá trabalhei, nos meus tempos militares, tendo-me interrogado, na altura, sobre qual a misteriosa razão que levava a que, desde há séculos, a sua fachada oeste se mantivesse com aquele ar de ruína inacabada. Um dia, nos anos 90, tive o ensejo de assistir a uma reunião política em que o assunto foi discutido e uma solução possível foi abordada. Desconheço a sua sequência, que presumo que terá sido nenhuma.

A "malapata" de Santa Engrácia acabou nos anos 70. Fizeram-se o CCB e imensos quilómetros de autoestradas, pavilhões gimno-desportivos, rotundas, milhares de obras, muitas delas inúteis, para encher o olho e o bolso patobravista autárquico. Terá também havido dinheiro para construir, de raíz, um novo e muito discutível Museu dos Coches. Neste mar de fundos, por que será que o Palácio da Ajuda permanece como o parente pobre do nosso mais valioso património histórico-arquitetónico?

Já se percebeu que não há a menor hipótese de vir a construir-se o resto do palácio, sob o desenho conhecido. Mas então por que razão não se opta por uma solução arquitetónica inteligente e criativa (mesmo "modernaça"), não excessivamente dispendiosa, que dê um "fecho" decente ao que já está construído e acabe, de uma vez por todas, com aquele triste mono que se vê do lado da calçada da Ajuda e que, do interior, apresenta o que a fotografia mostra?

Há um amigo meu que tem uma teoria: dado que é precisamente nesse palácio que funciona o IGESPAR (Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico), ninguém "olha" para o Palácio da Ajuda do lado de fora.

Mais a sério: eu sei que os tempos não são os melhores para a realização de "obra pública", mas alguém me saberá explicar a razão pela qual o Palácio da Ajuda não encontrou nunca uma solução arquitetónica final?”

Foram bem mais de 200 anos em que o país passou, indiferente, em frente àquela vergonha, encolhendo os ombros. Estiveram calados que nem ratos todo esse tempo, nunca se lhes ouviu uma palavra de lamento sobre aquela chaga urbanística. Porém, agora, quando alguém teve a coragem de rematar a obra, lá surgiu o coro dos críticos, os mal-dizentes do costume, os do “afinal, devia ter sido feito assim ou assado”. 

Apetece-me repetir uma frase que se usa na minha terra para esse tipo de gente: “Quem lhes atasse um arado!”



3 comentários:

Tony disse...

As má línguas do costume, por que sim. É só para atingir, quem ousou fazer o útil e indispensável trabalho. Pois aguentem. Foi no tempo do Costa e com a financeira ajuda do Medina, com as tais, muito criticadas, taxas e taxinhas.

Flor disse...

Até que enfim!!!!!

Portugalredecouvertes disse...

Temos de visitar!