quinta-feira, 14 de junho de 2018

O gordo da turma



Hoje em dia, isso tem o nome de “bullying”. Na altura só era “chato”. Olhando para trás, podemos perceber como devia ser penoso ser-se o alvo da chacota coletiva. 

Nesses tempos antigos, o gordo da turma era quase sempre o gozado. E, sem exceção, tinha óculos. Havia quase sempre um mais velho que lhe dava regulares ”cachaços” ou empurrões ou lhe tirava a pasta ou lhe chamava ... gordo! Às vezes, havia quem o protegesse. Outras vezes, se lhe dávamos “uma mão”, com pena pelo seu isolamento, sentíamos que ele nos ficava imensamente grato. E até nos passava o “ponto”. Porque o gordo da turma, como não tinha mais nada para fazer (a não ser comer, claro!), estudava e tirava boas notas.

Sem a menor conotação ou paralelo com os acontecimentos políticos dos últimos dias (juro!), devo dizer que, quando olho para o líder norte-coreano, me vem sempre à memória o gordo da turma. Ele, o gordo de então, fosse ele quem fosse, porque houve vários ao longo dos anos, embora me não esteja a ler, que me desculpe a comparação. É que, como se dizia na minha terra, “não é por mal”...

5 comentários:

Joaquim de Freitas disse...

Os seus dois últimos « posts », Senhor Embaixador, estão cheios de humanidade. O primeiro, sobre o “Gordo” , porque dos dois protagonistas de Singapura, (juro que não quero escrever sobre politica !), ambos gordos, um é inteligente e tirou “boas notas”. Mas é pobre. E não pode desperdiçar os seus “argumentos”, apesar do bullying” do outro, que é mais que “chato”…

No caso do segundo “post”, não desperdiçar o fruto é algo que conheço. Quando era miúdo, na minha velha cidade de Guimarães, durante a guerra, a fruta não era para a gente como a minha família, porque os parcos salários dos operários da época, simplesmente, “não davam”…para esse luxo!

Nos dias de festa, podia haver uma maçã… Como no Natal, podia haver alguns figos à meia-noite, depois do bacalhau com batatas…

A maça era cortadinha da mesma maneira, muito fininho, para não desperdiçar.

Hoje ,que posso comprar uma tonelada, quando como uma maçã, que é o meu fruto preferido (única semelhança com Chirac !), utilizo uma faca chamada “economizadora” que corta fininho a toda a volta…

Para não desperdiçar? Ou atavismo dos tempos da “fartura” salazarista?

Bartolomeu disse...

A grande incógnita é o resultado que ira surtir do encontro entre o gordo que também é tolo e o tolo que também é gordo.

Luis Filipe Gomes disse...

Por bem é que não é!
E tinham também um coxo? Nesse tempo devia haver ainda poliomielite com fartura! E um gago? há sempre um gago com os diabos. E gajas? Gajas não havia; nesse tempo ainda não. E pretos? Pois talvez não, e não seria por uma questão de latitude é certo.
Mas basta um gordo, para se tornar uma fina flor na lapela de um futuro embaixador.

Anónimo disse...

caro deFreitas

isso no fim soa a ode ao santa-combadense... Veja-la homem!, cuidado que isso se pega! abrenuncio!

Joaquim de Freitas disse...

Caro anónimo de 15 de Junho de 2018 às 00:00



O filho do feitor era pobre à nascença e acabou ditador e pobre, numa sociedade que ele modelou à sua imagem. A sua ambição era o Império, ultrapassado pela marcha do Mundo.

O outro, é filho e neto de ditadores, numa sociedade pobre, que o modelaram, que nunca abdicou e quer elevar-se ao nível dos mais poderosos. A sua ambição é a Nação Coreana, que é o futuro do seu Povo.