A chamada “diplomacia económica” praticada por Portugal costumava assentar em três objetivos essenciais: captar investimento estrangeiro, captar turistas e promover exportações. Com maior ou menor empenhamento, o país fez isso pelo mundo durante décadas.
Fica agora a ideia que que essa vertente da nossa diplomacia acabou por ser ”demasiado” bem sucedida.
É que passamos os dias a assistir a queixas pelo facto dos estrangeiros comprarem empresas nacionais, importantes setores do parque imobiliário lisboeta ou terrenos junto ao Alqueva. Ora as regras na base das quais esses investimentos são feitos são essencialmente europeias e, tal como as nacionais, foram aprovadas por sucessivos e diferentes governos portugueses, que recordo terem sido eleitos pelas mesmas pessoas que agora protestam (não vejo os mais jovens muito queixosos).
Do mesmo modo, e a toda a hora, ouvimos lamentos pelo excesso de presença de turistas, como se pudesse haver limites à circulação de pessoas nas sociedades livre contemporâneas. Os protestos iludem o impulso dado pelo turismo às indústrias da hotelaria e da restauração, com significativa quebra das taxas de desemprego. Há impactos no sossego de alguns? É verdade, como acontece em Paris, em Roma ou em Atenas. Mas então andámos a ”vender” o nosso sol e praia, as pousadas e o turismo de habitação, o Douro e a beleza dos Açores para quê? Queremos sol na eira e chuva no nabal?
Parece que já só falta ver gente a protestar pela delapidação do património gastro-cultural que pode representar a venda ao exterior do nosso queijo da serra ou dos nossos salpicões.