domingo, 17 de junho de 2018

“Diplomacia económica”

A chamada “diplomacia económica” praticada por Portugal costumava assentar em três objetivos essenciais: captar investimento estrangeiro, captar turistas e promover exportações. Com maior ou menor empenhamento, o país fez isso pelo mundo durante décadas.

Fica agora a ideia que que essa vertente da nossa diplomacia acabou por ser ”demasiado” bem sucedida.

É que passamos os dias a assistir a queixas pelo facto dos estrangeiros comprarem empresas nacionais, importantes setores do parque imobiliário lisboeta ou terrenos junto ao Alqueva. Ora as regras na base das quais esses investimentos são feitos são essencialmente europeias e, tal como as nacionais, foram aprovadas por sucessivos e diferentes governos portugueses, que recordo terem sido eleitos pelas mesmas pessoas que agora protestam (não vejo os mais jovens muito queixosos).

Do mesmo modo, e a toda a hora, ouvimos lamentos pelo excesso de presença de turistas, como se pudesse haver limites à circulação de pessoas nas sociedades livre contemporâneas. Os protestos iludem o impulso dado pelo turismo às indústrias da hotelaria e da restauração, com significativa quebra das taxas de desemprego. Há impactos no sossego de alguns? É verdade, como acontece em Paris, em Roma ou em Atenas. Mas então andámos a ”vender” o nosso sol e praia, as pousadas e o turismo de habitação, o Douro e a beleza dos Açores para quê? Queremos sol na eira e chuva no nabal?

Parece que já só falta ver gente a protestar pela delapidação do património gastro-cultural que pode representar a venda ao exterior do nosso queijo da serra ou dos nossos salpicões.

10 comentários:

Anónimo disse...

Daqui a pouco vamos ser convidados a promover outros destinos, pois,para alguns, Portugal tem turistas a mais e o dinheiro que gastam não faz falta. O mesmo para a captação de investimento.

Carlos de Jesus disse...

Os que reclamam, se não me engano, são os mesmos saudosistas (diretos ou por procuração) do tempo da outra senhora.

Luís Lavoura disse...

a toda a hora, ouvimos lamentos pelo excesso de presença de turistas

Eu não ouço tais lamentos, mas admito que talvez tenha maus ouvidos.

Agora o que me lembro é de ler aqui lamentos, que considerei (e considero) ridículos, do Francisco pelo facto de empregados de alguns restaurantes da Baixa lisboeta não saberem falar português. E eu questiono, se o Francisco não se queixa de excesso de turistas, porque é que se há de queixar do excesso de negócios orientados para servir os turistas - e não os portugueses?

Luís Lavoura disse...

como se pudesse haver limites à circulação de pessoas nas sociedades livre contemporâneas

Claro que pode haver limites. A exigência de vistos de entrada (e a dificuldade e morosidade e custo da sua obtenção) constitui um efetivo limite à circulação. Quantos portugueses não deixaram (por exemplo) de visitar os EUA devido à exigência de visto, ou devido à atitude pouco amigável dos funcionários alfandegários nos aeroportos?

Manuel Teixera disse...

Peut -on parler de « diplomatie économique «  quand un état souverain encourage la dilapidation d’une partie de son patrimoine immobilier dont l’achat est ouvert à des acheteurs étrangers sans penser au conséquences..
L’Espagne a connu ce phénomène en bradant ses plus belles résidences aux anglais, aux belges aux allemands et français.lL’economie du pays certes s’est bien portée et se porte bien grâce à cet apport hélas au détriment de la souveraineté de ses citoyens qui ne se sentent pas chez eux tant Ils sentent un rejet hostile,humiliant de la part de ces nouveaux résidents regroupés entre eux(pour leurs activités récréatives, pour leurs achats ...)
Il est bon de réfléchir à deux fois......face à cette autre forme de colonisation..
A l’heure actuelle l’Espagne a suspendu toute vente d’immobiliers aux étrangers sur son littoral.
Les portugais à consulter le nombre d’annonces privees Faites pour attirer vers le Portugal des acheteurs suisses en retraite font aussi de la diplomatie parallèle
Investir dans les infrastructures pour le tourisme est le seul créneau fiable pour l’économie à long terme sans surprise!
Le Portugais a sa fierté il aime son pays.rappelons que lorsque celui ci a été au mieux de son aisance financière il s’en est retourné chez lui ou il a investi...dès la crise il a ré émigré de nouveau.
Je n’imagine pas un Portugal colonisé ..

Anónimo disse...

Deve ser do calor… Hoje não posso concordar com este post

Anónimo disse...

Também tem de se tomar em conta que Portugal está na moda face à tranquilidade em que vivemos sem sobressaltos do terrorismo que se vive ou viveu por outros lados.
Já oivi a estrangeiros dizerem com grande convicção que o país é muito interssante porque há ainda tudo a fazer para se conseeguir viver bem.
A cada um a sua melhor opinião. Há a uns que acham que basta. A outros que ainda falta muito para os prametros europeus.
Depende das referêcias que têm do que é viver com qualidade.

Anónimo disse...


Pois é ! as pessoas que chegam a um país devem integrar ou ser integradas nele, e não o contrario, fazer parte da sua cultura, aproveitar os seus valores, e defender o património do pais que os aceita, e não o contrário ! assim haverá paz e serão bem recebidos…
“Só se ama aquilo que se conhece”, por isso devem aprender a língua do país, entender a sua cultura, fazer parte da sociedade e na medida do possível, das manifestações culturais, porque os guetos, sejam eles de ricos ou de pobres, só acarretam problemas!
Assim também as autoridades do país devem estar atentas de maneira a que as coisas aconteçam com harmonia e com a devida conservação dos valores e património nacional: paisagístico, cultural, histórico, para que haja respeito de ambas as partes

Manuel Teixera disse...

Touché ....irai voir la statue de Manuel Teixera

Anónimo disse...

Eu...que me perdoem, mas já algumas vezes aqui escrevi que vivendo no centro de Lisboa há 18 anos, perto do Marquês de Pombal não tropeço nos turistas porque a Baixa pode estar bonitinha mas já foi. Uma vez revista, chega.
O que eu noto cada vez mais é que pessoas "instruídas" andam cada vez mais insatisfeitas. Querem sempre novidades o que é ilucidante do que a nova burguesia é insaciável.
Se soubessem o que é a "felicidade" e não pensassem sempre nos "prazeres", se calhar veriam as coisas de outras maneiras.
Uma sugestão:
Leiam o número 302 da Revista Sciences Humaines de Abril de 2018 sobre "Quest-ce qu'une Belle Vie". Bem sei que hoje o francês é uma lingua bárbara para muitos mas vale a pena