Recordo-me de um cromo, do mundo do futebol, que um dia disse que “o que hoje é verdade pode ser mentira amanhã”, ou o seu contrário. Na política, habituei-me a passar a olhar de soslaio, oferecendo-lhes o sorriso irónico da eterna dúvida, os que um dia disseram “nunca mais” e, tempos depois, com ou sem “vaga de fundo” inventada como alibi, regressam pela irresistível porta da ambição.
Tenho orgulho de fazer parte do grupo de pessoas - que, felizmente, não são tão poucas quanto isso - que, quando comprometem a sua palavra, não voltam atrás com ela. É que vida, para quem quer ser respeitado, só tem uma cara.
Por essa razão, ao assistir, nas últimas horas, ao espetáculo de indignidade perante a palavra dada, revelado por um patusco ex-dirigente desportivo, não me apetece apenas rir. É que, mais do que o riso, este tipo de “flick-flack” convoca um inevitável juízo de piedade, em face de uma evidente indigência moral. A qual, aliás, nada surpreende, diga-se.