quarta-feira, 27 de junho de 2018

Madrid e a vida


“Madrid me mata” era o nome de uma revista que me lembro de ter comprado nos anos 80, uma idade em que aquilo que nela era anunciado como vida noturna já começava a descolar da “pedalada” minha geração. 

Hoje e ontem, Madrid “matou-me” de calor, mas isso não me impediu, com a ajuda da Uber, de, após o trabalho, conhecer uma excelente livraria, a “Marcial Pons”, dedicado ao direito, economia e não só. E de passar duas boas horas no “Reina Sofia”, um museu onde os “seniores” entram sem pagar (o desconto não deu para os gastos em livros).

A associação - um pouco funesta, reconheço - da palavra morte a Madrid trouxe-me à memória o filme “Mourir à Madrid”, do início dos anos 60. O governo franquista, com rara ingenuidade, havia dado autorização e imensas facilidades a um cineasta francês para fazer um documentário, que achava ia redundar numa operação de propaganda do regime. Enganou-se redondamente: o filme acabou por resultar num forte libelo acusatório contra Franco e o comportamento das suas tropas durante a Guerra Civil, bem como revelador da pobreza de muitos setores da Espanha dos tempos mais recentes, funcionando mesmo como uma magnífica ajuda às forças oposicionistas. Furibundo, o governo de Madrid chegou a ameaçar De Gaulle de congelar as relações económicas, se o filme viesse a ser exibido. Claro que acabou por não ter o menor sucesso.

Tudo isso já passou à história. Hoje, Madrid é apenas vida. E que vida!

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