terça-feira, 19 de junho de 2018

Sem palavras


... exceto as dos trumpistas anónimos que por aqui sempre aparecem.

18 comentários:

Joaquim de Freitas disse...

Os trumpistas, que me insultavam por vezes neste blogue, porque denunciava a política dos dirigentes do país que pretende ser o farol da democracia, e dos seus valores, que ontem se retirou do Conselho dos Direitos do Homem da ONU … Depois de ter metido as crianças nas gaiolas da democracia, separadas dos pais, como em Auschwitz…A máscara caiu…

Os Direitos do Homem, dos quais há muito, se estavam marimbando, desde Hiroshima e Nagasaki, do caos do Vietname ao do Afeganistão, ao do Iraque, ao da Síria e da Líbia, onde se trafica de novo na venda de seres humanos…

E quando apoiam os ”snipers” israelitas que assassinam mulheres e crianças em Gaza!

E quando detêm vários recordes, tais como:

1. Maior população prisional do mundo.
2. 22% das crianças americanas vive abaixo do limiar da pobreza.
3. Entre 1890 e 2012, os EUA invadiram ou bombardearam 149 países.
4. Os EUA são o único país da OCDE que não oferece qualquer tipo de subsídio de maternidade.
5. 125 Norte-americanos morrem todos os dias por não poderem pagar qualquer tipo de plano de saúde.
6. Os EUA foram fundados sobre o genocídio de 10 milhões de nativos. Só entre 1940 e 1980, 40% de todas as mulheres em reservas índias foram esterilizadas contra a sua vontade
7. Todos os imigrantes são obrigados a jurarem não ser comunistas para poder viver nos EUA.
8. O preço médio de uma licenciatura numa universidade pública é 80 mil dólares.
9. Os EUA são o país do mundo com mais armas: para cada dez norte-americanos, há nove armas de fogo.
10. Há mais norte-americanos que acreditam no Diabo do que os que acreditam em Darwin.

Obscurantismo e miséria.

Trump quer expulsar os “ilegais”, sem os quais a economia californiana colapsa… Obama tinha legalizado alguns milhões!

Recordo os anos 2000, na planície central da Califórnia, de um lado o deserto, no outro culturas ininterruptas, imensa extensão de alfaces, tomates e pomares. Nesses tempos, muitas frutas apodreciam por falta de trabalhadores. Porque o controlo nas fronteiras era mais estrito…

Os republicanos duros criticavam os democratas, “os alfaces liberais”, os “alfaces progressistas” como lhe chamavam, porque estes receavam que o aumento dos salários dos trabalhadores americanos de origem, para os atrair aos trabalhos da agricultura, iriam aumentar o preço da salada! Na realidade, pagar 0,50 $ à hora aos latinos era muito mis “interessante”..E enriqueceu muita gente, que diabo !

O deputado republicano JD Hayworth já propunha então medidas drásticas: - a língua inglesa obrigatória para os latinos, 8 mil milhões de $ para construir um muro, do Pacifico à Costa do Golfo, mais centros de detenção, retirada da nacionalidade americana aos jovens nascidos nos EUA (onde o direito do solo predomina), expulsão dos diplomatas mexicanos que criticavam a politica americana, mais 10 000 guardas fronteiras, etc., etc.

Joaquim de Freitas disse...

(SUITE)


No entanto, a demagogia política começa como uma forma de pura retórica, mas depois acaba por se tornar factual, como qualquer previsão que é auto-realização. Por exemplo, se um distrito de uma cidade dos EUA começa a ser considerado "inseguro", pouco a pouco ele realmente torna-se assim porque as ruas esvaziam-se e tornam-se realmente perigoso ai passar.

Claro que esta retórica já torna a entrada nos Estados Unidos muito mais dispendiosa. Os obstáculos, as muralhas, os detectores, as rondas, a vigilância aérea aumentam o preço da travessia da fronteira de forma excessiva, o que se torna uma actividade económica tentadora, mesmo para os grandes operadores, e já não só para os artesãos do contrabando humano. Como o caos da Líbia e da Síria criou a nova profissão dos “passadores”. Como a miséria de Portugal, os criou nos anos 50 e 60…

Quando o ser humano se torna rentável tanto quanto vender cocaína, os cartéis de grandes traficantes começam a entrar na área. Assim como a "guerra contra as drogas" criou as predisposições de uma extraordinária acumulação de capital na Colômbia, no triângulo dourado e em outras áreas de exportação, então a "guerra contra os ilegais" está transformando o tráfico de seres humanos num dos sectores que transportam a economia global como estava acontecendo há alguns séculos atrás.


A foto do Senhor Embaixador é a imagem dum dirigente, Trump, que disse que a EMPATIA era uma fraqueza, e que é preciso saber ODIAR para governar… E odiar, ele sabe! Por exemplo a EU …

Anónimo disse...

Caro Embaixador,

Não me revejo na classificação de trumpista anónimo, mas a fotografia já tem 4 anos.

https://www.theguardian.com/world/2014/jun/20/us-immigration-central-america-texas-detention

Anónimo disse...

Entretanto, ainda que mal pergunte, o que é feito do Eng. Guterres, que aqui há tempos provocou um sobressalto patriótico, nesta questão e em qualquer outro assunto?

Anónimo disse...

Numa versão falsamente whataboutista, porque nao estou de acordo com o trump em quase nada e seguramente nao estou nesta decisao desprovida de amor ( é todo o contrario de um acto de amor) de separar crinaças dos pais...
Nao deixa de haver na europa um problema de integracao grave com uma parte da comunidade de origem muçulmana.
A noticia que esta em baixo é extremamente grave.
https://www.dn.pt/mundo/interior/policia-alema-diz-ter-impedido-um-atentado-com-uma-bomba-biologica-9488026.html
mas bom...
bora bombardar a libia e o yemen?

Anónimo disse...

É uma prisão. Como tantas. Como são as do México?

Anónimo disse...

Ao anónimo de 20 de Junho de 2018 10:56.
O que foi publicado por este anónimo foi confirmado. Porque se foi.... eu nem quiz ir confirmar para não me arreliar.

Anónimo disse...

Olhe as fake news senhor embaixador. Já há muitas por aí não precisamos de mais vindas deste blogue

Joaquim de Freitas disse...

Anónimo de 20 de Junho de 2018 às 17:47

Na Califórnia, não se trata de muçulmanos mas de Latino Americanos, cristãos, que uma Nação que tem na sua Constituição preceitos religiosos e apregoa altos valores morais ao Mundo, pelos quais faz guerras desde há dezenas de anos por toda a parte, pretende tratar como outrora, noutros lugares, uma ideologia xenófoba e racista tratou milhões de seres humanos.
Ao impor ao Mundo o espectáculo degradante da separação dos filhos dos seus Pais, em nome da lei, traz-nos de volta a esse mundo negro, no combate contra o qual morreram tantos milhões de homens.
Estou convencido, que perante a reacção do mundo civilizado, Trump recuará, pelo menos neste ponto.
Quanto ao problema da integração dos povos muçulmanos na Europa, estamos a pagar a política secular dos Impérios europeus, particularmente as guerras que levamos a tantos povos, dos quais cobiçamos desde sempre as riquezas estratégicas.

Anónimo disse...

Aplicar na Europa as leis da Arábia Saudita.

Anónimo disse...

Percebemos o que percebemos (à nossa maneira).
O que não percebemos não percebemos que não percebemos.JS

Como dizia o outro:
"Reports that say that something hasn't happened are always interesting to me, because as we know, there are known knowns; there are things we know we know. We also know there are known unknowns; that is to say we know there are some things we do not know. But there are also unknown unknowns – the ones we don't know we don't know. And if one looks throughout the history of our country and other free countries, it is the latter category that tend to be the difficult ones."

Anónimo disse...

caro de Freitas

(bem sei isso da américa, nem a pretendo defender)
mas o seu argumento europeu é falso senão a alemanha não teria sido atacada. o radicalismo muçulmano é produto da exportação de tradições salafistas, wahabitas e outras da arabia saudita a partir dos anos 80. Nada tem que ver com a guerra da argélia ou afins. Claro que ha uns "jeitinhos francês e inglês" muito colonialistas ainda em algumas maneiras de ver o mundo. Mas é por isso que ha problemas com os muçulmanos? e o ingleses trataram melhor os hindus para não haver atentados hindus? Não se deixe enganar caro de freitas, ha os problemas gerais de integração, e ha o radicalismo exportado que é um perigo muito grande, também pela inabilidade que têm tido muitos europeus em saber gerir a integração dessas comunidades, mas não so por isso.
Um tunisino foi preso ha dias em Hamburgo por preparar um ataque quimico. Tem ideia do grave que isto é?

http://www.opex360.com/2018/06/14/ressortissant-tunisien-accuse-davoir-voulu-fabriquer-arme-biologique-allemagne/

Nao se combate o racismo com armas quimicas. Nem me parecem as analogias revanchistas, pois os magrebinos assolavam as costas portuguesas, espanholas, francesas e italianas até boa metade do séc XVIII, e sempre se poderia julgar a invasão francesa da argélia como uma espécie de revanchismo ( seguramente muito discutivel..). Simplesmente não me parece bom o argumento. E quem me garante que se os poderosos fossem os outros e não os europeus que não eram eles a invadir a europa na época devida? Os arabes tentaram conquistar algumas ilhas dos Açores ja estas eram portuguesas. Claro o colonialismo foi mau, a escravatura em zanzibar e no magrebe também era ma. Não me falem dos males do séc XVII para discutir os males de hoje. Se o de Freitas tiver noção das tragédias que se passaram com a sua familia anteriores a 1880 dou-lhe os meus parabéns e aconselho-o a escrever um livro. Fiquemo-nos pelos problemas recentes e compreendamos que não é so destes que vemm o mal presente.

quanto aos americanos, o trump é mau... o bush é que era bom... pois...

cumprimentos

Joaquim de Freitas disse...

O problema é muito mais complexo que o que o seu comentário pretende explicar, Caro anónimo.
Mas uma coisa é certa - até às invasões americanas do Afeganistão, Iraque, Somália, Síria e Líbia, entre outros, não houve terrorismo na Europa. Excepto o da OAS em França, nos anos 50 e 60 ligados à guerra da Argélia.
Houve, sim, atentados da extrema-direita na Alemanha (o bando de Bader), na Itália, e na França. Mas nada a ver com o Islão.

Devido aos problemas do Médio Oriente, e após o atentado do WTC, o terrorismo islamista apareceu. Na Rússia igualmente, provocado pela situação na Chechénia.

Hoje o panorama é terrível, e a Europa aparece assentada sobre uma bomba relógio.

De um lado, fanáticos que reivindicam uma versão do islamismo incompatível com o próprio Islão e o Corão, mas que agem em nome de ambos. O que é ainda mais terrível é que cada vez mais aparecem “iniciativas individuais” nas acções perpetradas, como em Boston e em Ottawa.

Do outro, neofascistas intolerantes. Duas forças antagónicas, com práticas diferentes, porém com um traço em comum: a intolerância herdeira dos métodos fascistas de antigamente – e de sempre.
E que lhe agrade ou não, obedecem a princípios e uma lógica cuja versão mais elaborada, para além da “franquia” em que a Al-Qaïda se transformou, é o Estado Islâmico, que se estruturou graças à desestruturação do Iraque e da Síria. Merci os EUA…

Apanhando a “boleia” do anti islamismo, estão os neofascistas. Agem de acordo com as características próprias dos países em que actuam, mobilizando, de acordo com as circunstâncias, as palavras adequadas.
O Front National, da família Le Pen, que acaba de mudar de nome! Mas não engana ninguém sobre a sua estratégia.

Na Alemanha, um movimento – Pegida – que se declara de "Patriotas Europeus contra a Islamização do Ocidente", procurando uma fachada para esconder os seus preconceitos anti-imigrantes.

Fazer do imigrante ou do refugiado político ou económico o bode expiatório da situação de crise que o continente vive, assim como no passado se fez com o judeu e ainda hoje se faz com os roma e sinti (ditos ciganos).

Estes “ roma e sinti que Salvini acordou na Itália, esse fascismo latente com o nome de "Liga Norte", mobilizando o preconceito social contra o sul italiano, tradicionalmente mais pobre.

O que é grave, é que O caldo de cultura em que vicejam tais movimentos contrários aos princípios democráticos é o de uma crise económico-financeira que se institucionalizou como paisagem social.

Na Europa, a tradição é a de que crises desse tipo levam a saídas pela direita. O crescimento do voto à direita, em vários países, nestes últimos tempos, é eloquente nesse sentido.


E quando vemos os governos ocidentais, brincar com o fogo, quando não aceitam o reconhecimento, por exemplo, que grupos por eles apoiados na Ucrânia são declaradamente fascistas, homofóbicos e até anti semitas, que pensar? Preferem exacerbar o sentimento anti russo e anti-Putin.

Se as coisas continuarem como estão, poderemos estar assistindo ao suicídio da Europa que conhecemos. O que nascerá desses escombros ainda não se sabe, mas boa coisa não será, nem para a Europa, nem para o mundo.

Sobretudo com o louco da Casa Branca e a sua guerra comercial.

Carlos Diniz disse...

Afirmar que o grupo Baader-Meinhof era de extrema-direita diz tudo da honestidade política do comentador.

Joaquim de Freitas disse...

Carlos Diniz disse…

"Afirmar que o grupo Baader-Meinhof era de extrema-direita diz tudo da honestidade política do comentador.
23 de junho de 2018 às 12:07"


Um pouco mais de honestidade do Senhor Carlos Diniz, devia permitir-lhe de constatar que foi um lapso da minha parte, porque tendo escrito sobre o terrorismo da OAS, em França, que vivi, que era bem da “extrema-direita”, não ignorava o terrorismo da “extrema esquerda”, nos três países que citei: A Alemanha, com o Bando à Bader, a Itália com as “Brigadas Vermelhas e a França com a “Acção Directa”.

Tanto mais que por um acaso da vida profissional, conheci uma das vítimas da “Action Directe”, o PDG de Renault, Georges Besse.

E que tinha visto o filme sobre o Bando à Bader.

O Senhor Carlos Diniz preferiu o insulto, retirando-me o dever de lhe apresentar as minhas desculpas, que apresento entretanto aos outros leitores. Espero que o meu lapso não o foi ferir na sua sensibilidade politica.

Anónimo disse...

bastante de acordo consigo caro freitas

o problema esta de acordo, então, é mais recente. Os problemas de integração e racismo na sociedade francesa ja têm barbas e rebarbas, como sabera. Independentemente de terrorismos islamicos ou nao, ainda ha muita gente que ainda nao engoliu a perda da argélia (independencia branca, tipo rodésia, alguns até a queriam..). O terrorismo e o fanatismo (criado muitas vezes poelos eua por israel) contra os mauzoes comunistas estao ai em versao boomerang...

cumprimentos ao manu, que andou a mostrar que é um menino da mãmã... estava à espera de melhor.
continuo convencido que um francês que nao tenho posto os pés numa cité, nao conhece o pais que tem, nem pode alterar o seu "avenir"

Joaquim de Freitas disse...

Caro anónimo : Tenho um amigo « pied noir » , antigo professor do Liceu de Argel e a Esposa, médica do Hospital da mesma cidade, que acaba de escrever um livro de “Memorias da Argélia” dos tempos felizes, como ele diz, antes de ter sido obrigado a escolher entre “ le cercueil et la valise”…

Como muitos outros, julgou severamente De Gaulle, pela decisão que tomou para acabar com o problema argelino.

Conheço-o há uns anos e sei que não militamos na mesma corrente partidária. Ele lê, “ La Croix”, diz a missa todas as semanas, é crente, portanto, mas é uma pessoa agradável para conversar porque tem uma grande cultura. E admiro-o porque com 92 anos ainda joga ao ténis com outra “ruína” de 9o anos, no nosso ténis municipal. Eu ando a pé uma hora por dia, mas não mais…

A Esposa, viu chegar um dia, ao Hospital de Argel, um jovem médico angolano e português, mestiço, que militava no MPLA ,do Agostinho Neto. Era um amigo e companheiro de luta do Neto e do Eduardo dos Santos, com quem conviveu em Leopoldville, (Kinshasa), que lhe prefaciou recentemente um livro, que escreveu com o título “O meu Combate por uma Angola Livre”. Que me ofereceu, porque o conheço pessoalmente, tendo-o encontrado em Grenoble onde veio fazer um estágio no Centro Hospitalar Universitário, isto nos anos 60 ou 70.

O meu amigo “pied-noir” escreveu uma frase no seu livro de Memórias que me impressionou: “ Constatei que a minha Mãe , uma Santa Mulher, era racista, no dia em que ao dizer-me Adeus à janela, e, vendo-me partir para a escola com o meu amigo Mohamed, me gritou: “ Paul, vai sozinho” …deixa-o.” Esta imagem nunca mais o largou…

Precisamos de ler Camus, para compreender o drama dos “brancos” em país conquistado…quando o mundo dá voltas.

Apesar disso, quando vai visitar as campas dos Pais no cemitério de Argel, vai visitar alguns antigos alunos ainda vivos, que o recebem , o antigo professor, com Amor, como ele diz.

Nunca haverá integração perfeita em França, dos antigos colonizados, porque o racismo tem raízes profundas. Na História e no sangue.

Não sei se conheceu Aymé Césaire, o grande poeta da Martinica, que escolheu de ser sepultado na sua ilha, nessa” ferida que nunca sarou”, e que escreveu: "Pour nous, le choix est fait. Nous sommes de ceux qui refusent d'oublier. Nous sommes de ceux qui refusent l'amnésie même comme méthode. Il ne s'agit ni d'intégrisme, ni de fondamentalisme, encore moins de puéril nombrilisme".

Os Argelinos em França e os Franceses de nascença, continuarão de recusar a amnésia.

Anónimo disse...

Caro de Freitas

um pequena preciosidade
https://www.youtube.com/watch?v=KOj-IhCenmU
Raymond, judeu, mestre do malouf, sogro de Gaston Ghrenassia, mas ao contrario deste ultimo, bem amado pelos argelinos em geral. (é sempre um gozo ouvir as respostas dos argelinos à pergunta provocadora se Enrico Macias canta bem, não é impossivel que quase se esventrem... :) . Enrico é Gaston)
como podia ser outro, o mundo...
e o malouf.. que ja vem da espanha arabe
Olhe, ja que estamos nisso, fica este também, mais facil de entender, que parece os nossos romances ainda ha não muito cantados pelas aldeias do nosso pais.
https://www.youtube.com/watch?v=Q7Pc99mh4kg
gravado em Marrocos (quando nao na Turquia ou em Israel)

cumprimentos