sexta-feira, 29 de junho de 2018

Pobre Humberto Delgado!


Terça-feira passada. Atraso no voo TAP para Madrid: cinco minutos! Quase a perfeição! No aeroporto, percebi que as coisas não iam ser bem assim. A porta foi anunciada e já havia mais 25 minutos. Era a porta 16. Tomei assento por lá. Minutos depois, vi no quadro: o embarque tinha passado para a porta 26, bastante mais longe. E lá fui eu. Encontrei um amigo de jornada e começámos a conversar. A certa altura, um de nós olhou o quadro e reparou: o embarque tinha mudado para a porta 13. Precisamente no outro extremo do aeroporto. Lá teria que ser! E fomos. Chegados, sentámo-nos. Anunciado entretanto um novo atraso. Afinal, já ia numa hora e dez. Retomada a conversa. Aviso: o embarque voltava, de novo, para a porta 26, repito, no outro extremo do longo corredor. Bem mandados, lá fomos. Embarcámos. Tinha saído de casa às 11.30, chegado ao aeroporto às 12.00, partido às 15.00. Cheguei ao hotel em Madrid às 18.30 locais. De porta a porta, seis horas, contando com a diferença horária! O voo Lisboa-Madrid demora 50 minutos! (No regresso, no dia seguinte, tudo “melhorou”: mais de duas horas de atraso!)

Todos os dias há notícias de frequentes atrasos da TAP, que cancelou, nos primeiros dias desta semana, meia centena de voos. A “nova” TAP pode já dar lucros aos donos, mas só dá dores de cabeça aos utentes.

O aeroporto de Lisboa está hoje transformado num verdadeiro caos, vivido como se tal fosse a coisa mais natural do mundo. A começar pelo desfuncional sistema de chegada dos automóveis nas partidas, a acabar no mundo quase mafioso do transporte público nas chegadas, converteu-se num monstro à beira da iminente rotura. A certas horas, as filas para os controlos de segurança e para o “check-in” têm uma dimensão que obriga a um gasto de tempo perfeitamente irracional, que dilui as vantagens do transporte aéreo. Estes atrasos só são batidos pela tragédia em que se transformaram as chegadas de países fora da zona Schengen, numa mostra de desprezo objetivo por quem nos visita. Por insuficiência de instalações, a densidade dos passageiros tornou-se abafante, com falta de lugares sentados, sem o cuidado de haver suficientes passadeiras rolantes, evitando que as pessoas sejam obrigadas a calcorrear centenas de metros por corredores, nos quais beber uma água ou comer alguma coisa as sujeita a um assalto à mão armada em matéria de preços.

Salazar rir-se-ia se soubesse o vexame que Humberto Delgado está a passar por ter o seu nome nesta espécie de aeroporto, tendo sido ele o criador da TAP.

8 comentários:

Luís Lavoura disse...

Este post confunde a TAP com o aeroporto de Lisboa. Trata-se de duas empresas diferentes, com problemas diferentes.
Se o sistema de receção de automóveis nas partidas é disfuncional, porque não usa o transporte público? Chega-se ao aeroporto muito facilmente de metropolitano ou autocarro.
O mesmo se diga nas chegadas. Se não gosta dos táxis, use o metropolitano.
A file para o check-in será grande, mas provavelmente não tão grande como a que tive que gramar no aeroporto de Genebra há um ano. Estive lá 45 minutos e só não perdi o avião porque este também saiu atrasado. Não pense o Francisco que o aeroporto de Lisboa é um caso especial.
De resto, na sua longuíssima viagem nota-se que gastou em Madrid 100 minutos desde que o avião aterrou até chegar ao hotel, enquanto que em Lisboa só gastou 30 minutos de sua casa até ao aeroporto. Atrasos no avião à parte, o aeroporto de Lisboa parece ter uma grande vantagem no tempo de chegada à cidade.

Luís Lavoura disse...

numa mostra de desprezo objetivo por quem nos visita

À medida que a população diminui, envelhece, e se torna cada vez mais gorda, torna-se cada vez mais difícil preencher certos empregos que são necessários ao funcionamento da sociedade moderna e extremamente complexa, por exemplo o emprego de polícia de fronteiras. Não é um problema exclusivo de Portugal, regista-se igualmente (e de forma até muito pior) noutros países europeus, especialmente os países de Leste (os quais têm o problema acrescido da emigração para a Europa Ocidental, a qual faz diminuir drasticamente a sua população útil). Um polícia de fronteiras tem que ser um homem não muito idoso e com um mínimo de forma física (e boa saúde mental), o que nos tempos que correm é cada vez mais difícil de encontrar. O decréscimo e envelhecimento da população já é um problema grave em muitos setores!

alvaro disse...

E Os enxames de polícias, assessores, sinaleiros, controladores, etc, tantos e tantos quase sempre a estorvar-se entre eles e, quando se lhes pergunta algo de nada sabem nem conseguem indicar quem saiba. Só gostava de saber por que carga de água lá foram parar, quem lhes paga e que formação lhes deram e no fim quem é o responsável da desbunda.

Reaça disse...

Bem que a OTA era o sonho de Sócrates e Mário Lino...mas os do sul do tejo são invejosos, agora esperemos com paciência.

João Cabral disse...

O mundo mafioso dos transportes públicos nas chegadas, ou seja, os táxis. Numa publicação anterior, confessou usar a Uber, essa sim uma organização mafiosa, a nível global. Haja decoro, senhor embaixador.

Anónimo disse...

Concordo plenamente com as suas críticas. O aeroporto de Lisboa está completamente ultrapassado e desorganizado. Alguém do departamento de trânsito da Câmara de Lisboa já devia ter obrigado à correção daquela nefasta rotunda nas partidas.

O caos para o check-in é lamentável e cria-se um pseudo sistema de fast-track que no terminal dois não funciona.

Quanto aos táxis nas chegadas é triste o que por lá se passa, basta ver a proliferação de carros que, supostamente, levam até sete pessoas e que custam mais caro que os táxis normais. É só para tirar mais aos incautos que caem nas mãos daquela gente.

Ou mudamos ou mudam-se os turistas.

Francisco de Sousa Rodrigues disse...

O Aeroporto de Lisboa há uns bons anos que deveria ter passado à história, mas em Portugal reflete-se muito e flete-se pouco, por isso quando aquilo rebentar pelas costuras é que vão ver o valor da fatura que tanto debateram.

Anónimo disse...

É extraordinário como se chegou a este ponto com o consenso imbecil de que o novo aeroporto não era necessário. Num país para o qual o turismo é apontado há décadas como uma actividade crucial
Fernando Neves