domingo, 13 de junho de 2010

Vieira da Silva e Paula Rego

Hoje, Maria Helena Vieira da Silva, a pintora portuguesa que a ditadura portuguesa conduziu a tornar-se francesa, faria 102 anos. A França esquece-a como portuguesa e dá-lhe naturais honras de cidadania artística.

Ontem, Paula Rego recebeu da rainha Isabel II uma importante condecoração do país que a adotou - "Portuguese born british painter", era assim que me recordo de a ver irritantemente sintetizada numa biografia britânica.

Não deixa de ser irónico, mas também significativo, que as duas mais famosas pintoras portuguesas se tenham acolhido a países estrangeiros. Mas também não deixa de ser reconfortante que seja em Portugal que, nos dias de hoje, existam os únicos museus dedicados à sua obra.

3 comentários:

Anónimo disse...

Respeito ambas, muitíssimo, mas tenho uma clara preferência pela obra deixada por Vieira da Silva. Sobre Paula Rego, se passarem por Cascais, sugiro uma visita ao museu Paula Rego naquela Vila piscatória (“casas das histórias”). Que até tem uma agradabilíssima esplanada onde se pode estar sossegado a desfrutar um bom momento. Por ocasião da inauguração daquele espaço cultural (que teve a presença do PR), recordo-me de ouvir aquela nossa excelente artista a falar aos microfones de um qualquer canal de TV e achei imansa graça ao tom que imprimiu à “entrevista”. Paula Rego é uma personalidade interessantíssima.
P.Rufino

Helena Sacadura Cabral disse...

Senhor Embaixador
Permita que hoje esta sua modesta seguidora faça um auto elogio.
Se Maria Helena Vieira da Silva tem na actualidade um belíssimo Catalogue Raisonnéé, foi porque três instituições se ligaram para o fazer: Banco de Portugal(Helena Sacadura Cabral), Fundação Luso Americana(Luís Santos Ferro) e Fundação Gulbenkian (Sommer Ribeiro).
Enquanto representante do Banco de Portugal fui a coordenadora financeira da obra, que levou perto de cinco anos a ser executada.
E, ao contrário de muitos, que saídos do Banco para lá continuaram a trabalhar, mas pagos, eu saí quando a obra ia meio e trabalhei nela gratuitamente durante três anos, para que a mesma pudesse ser terminada. Foi, aliás, o primeiro patrocínio do Banco de Portugal e julgo que único.
O Catalogue é uma obra preciosa para quem queira conhecer a pintora, a sua vida e a sua obra. E eu orgulho-me muito de ter sido um grão da areia a contribuir para a sua elaboração.

Anónimo disse...

«Le Désastre ou la Guerre» de Vieira Da Silva de 1942
É...Sublime

Avestruzes Bailarinas - Paula Rego


Perderam no ovo
a memória do voar.

As avestruzes.

Têm desejos aerodinâmicos.

Dormem numa febre de sentir
encostando ao peito
o mecânico ruído de turbinas
hélices
motores.

Têm sonhos que nunca confessarão
nem sequer à própria sombra.

Aspiram soluçando à forma das fuselagens.

Perderam no ovo a inclinação
à travessia das nuvens.

Vão dançar a noite inteira
procurando tristemente a memória
de uma estrela de um cometa
ou de uma asa.

José Fanha

Gosto mesmo também dos três pintores poetas e poetas pintores
Isabel Seixas