sexta-feira, 11 de junho de 2010

Amália

Neste que terá sido o primeiro dia de verdadeira primavera em Paris,  com um sol que quase rivaliza com a imbatível luz de Lisboa, acredito que Amália teria ficado contente com a homenagem que lhe foi prestada na capital francesa.

Os líderes municipais das duas cidades, António Costa e Bertrand Delanoe, inauguraram a promenade Amália Rodrigues, um espaço de memória a alguém que, desde há muito, marca o imaginário português em França. O meu antecessor, embaixador António Monteiro, teve muito a ver com a ideia desta homenagem e, porque aparentemente  ninguém o fez, lembro-o eu, aqui e agora.

Como há pouco notou Rui Vieira Nery, numa magnífica palestra sobre a história do fado na "Mairie" de Paris, Amália veio aqui cantar, pela primeira vez, em 1956, num espetáculo em que era uma figura secundária, já no Olimpya, de Bruno Coquatrix. Desde então, Paris rendeu-se-lhe e a cantora passou a ser, em França, um sinónimo de Portugal. Com a vaga migratória iniciada nos anos 60, Amália Rodrigues transformou-se, simultaneamente, no símbolo afetivo da nostalgia de quem por aqui construía, no sofrimento e na audácia, as bases de um seu futuro melhor.

Desde então, o fado anda imenso por França, agora também com outras vozes, como as de Camané ou de Mísia, que hoje acompanharam António Costa a esta que foi a primeira jornada para o futuro lançamento da canção nacional à categoria de "património imaterial da humanidade", no âmbito da UNESCO.

Achei que este post não poderia terminar sem música. Quem quiser, ouça Amália aqui.

5 comentários:

margarida disse...

Esta é uma justíssima homenagem.
Apesar da vaga migratória se estender por variados países em diversos continentes, creio que em nenhum o fado 'casa' melhor do que em França.
Será pelo ambiente, pela nostálgica chanson française, tão similar no sentir aos nossos acordes identitários, pela História, pela língua ou pelo sentir de ambos os povos, não sei.
Acredito que lhe aprazaria encantar-nos ao som do acordeão, como Piaf não desdenharia acompanhar-se de uma guitarra portuguesa.
E, na nossa imaginação, ambas fariam um dueto harmónico e feliz.
Que lindo seria...

Anónimo disse...

Estava a pensar se a Amália conseguirá atravessar séculos como Camões...
Isabel Seixas

Carta a Garcia disse...

Meu Caro Embaixador,
Vou surripiar o teu post(diz tudo), fazendo link para "A Carta a Garcia".
Obrigado.Abraço,
Osvaldo Castro

Anónimo disse...

Sr Embaixador

Muito obrigada por esta perola, sou Afacinha de Gema nascida num Bairro Tipico de Lisboa . O Fado faz parte do meu imaginario .

Os meus cumprimentos

Carlota Joaquina

Helena Sacadura Cabral disse...

Tive a sorte de conhecer Amália. E de a ter podido entrevistar numa época em que o país a maltratou.
Felizmente para ela - que bem sofreu com isso - e para aqueles que a admiram essa época foi ultrapassada.E Amália voltou a ser um dos grandes simbolos de Portugal.
Outros demoraram, infelizmente, mais, como o meu querido Jorge de Sena!