segunda-feira, 7 de junho de 2010

Mocidade

A notícia de que algumas escolas vão vestir crianças com fardas da Mocidade Portuguesa é , a meu ver, reveladora de duas coisas.

A primeira é que parece haver, em Portugal, quem não tenha aprendido nada com a História. A segunda, bem pior, é que o facto disto se passar sem um sentimento público de forte rejeição revela um preocupante estado de anemia cívica. 

Só falta que ponham as crianças a fazer a saudação romana/nazi...

28 comentários:

Julia Macias-Valet disse...

Senhor embaixador o post de hoje é a sério ou esta a brincar ?

Julia Macias-Valet disse...

Acabo de ler a noticia no "Publico" e confesso-lhe que nao me fez nem cantar nem rir : (

Helena Oneto disse...

Credo!!!
[...]"A docente, que garante que a polémica está completamente ultrapassada, assegurou que “nada neste projecto leva para ideias de fascismo”, adiantando que “as coisas são trabalhadas nas escolas com dignidade e muito sentido de responsabilidade”
Joaquina Moura lamenta ainda que, até hoje, o deputado em causa não tenha falado com os responsáveis pelo projecto e considera que “a escola foi ofendida e até os pais dos outros alunos que colaboraram nesta iniciativa”[...]!!!???.

e chama-se a uma criatura destas "docente" ? Está tudo louco?
Que "Dignidade e responsabilidade"?
Aflitivo!

C.M. disse...

Bem sei que o Snr. Embaixador não concorda mas, como tudo o que é feito pelo Homem não está isento de imperfeições, sempre diria, contudo, que uma virtude houve naquele tempo, que o vivi mais intensamente entre os anos 60-70: nós, alunos, tivemos à época professores maravilhosos, que nos levavam a ficar apaixonados por tantas matérias, aprendíamos com gosto e nunca nos passaria pela cabeça cometer desacatos dentro de uma sala de aula, como hoje infelizmente acontece. Aliás, a "escola" transformou-se num mero depósito de crinças cujos pais não podem ou não querem aturar durante o dia. Quanto às fardas... pois elas eram bem bonitas... os acampamentos levavam os miúdos a conviver com a natureza, longe dos malefícios da droga que hoje nos assola.

Quanto à saudação nazi, pois isso não!!

José Martins disse...

Senhor Embaixador,
Para mim tanto se me dá como se me deu que façam reviver a história dos lusitos, das fardas e da fivela do cinto com a letra S.
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Eu sou desse tempo e claro o Senhor Embaixador (mais novo que eu) igualmente.
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Os lusitos e outras graduações acima era privilégio dos filhos das classes ricas (ajustadas ao regime)e da hierarquia superior de funcionários do Estado.
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Os filhos dos remediados e pobres a farda deles era uma bata, mal amanhada, de cotim quando entravam na escola primária.
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E se queriam uma fardita de pano de caqui, recenciavam-se nos escuteiros que era a agremiação dos pobres e poucos miúdos dos ricos (ajustados ao regime) ou filhos de funcionários (incluo os dos oficiais do exército)não se alistavam nos escuteiros.
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A Mocidade Portuguesa (eu não tive o privilégio de pertencer) já não apoquenta ninguém e uma parte da história de Portugal.
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Serve agora, apenas, uma peça pedagógica para as novas gerações ficarem a saber o que era a Mocidade Portuguesa e os bons rapazinhos, da época, que por lá passaram. Respeitoso cumprimentos do River Kwai, José Martins
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P.S. Faço votos que o Senhor Embaixador não tenha sido decorado com o calção de caqui e a camisa da cor do feijão verde.

Helena Sacadura Cabral disse...

Senhor Embaixador
Só nos faltava mesmo isto...
A seguir vem a mãezinha a passar a ferro e a filha a aprender.
De quem será culpa?!
:((

CSS disse...

Parece que copiei o seu blog, mas na verdade apenas reflecti os mesmos sentimentos.

Uma vergonha.

Helena Oneto disse...

A noticia a que este post faz referência deixou-me mal disposta. E como não chegasse, o saudosismo expresso no comentário do Senhor José Martins (quiça partilhado por muitos outros) parou-me definitivamente a digestão!
Já aqui se falou, e com muito humor, dos desfiles da MP. Se fomos ou não obrigados a desfilar fardados (cheios de frio, em “terras do fim do mundo” ou em Lisboa) e a fazer o “salut” fascista é uma triste realidade do passado. Reviver esse patriotismo como, “...uma peça pedagógica para as novas gerações ficarem a saber o que era a Mocidade Portuguesa e os bons rapazinhos, da época, que por lá passaram”, para ilustrar as comemorações do centenário da República, é, não só absurdo, como desnecessário!

CSS disse...

Queria dizer validado pelo Ministério da Educação e Assembleia da República.

T D disse...

QUE VERGONHA!

Anónimo disse...

A Mocidade Portuguesa? E porque não refundar também a Legião Portuguesa? E a Milícia, instrução pré-militar que se seguia à MP, a partir dos 18 anos, para quem não entrasse na universidade? Há muito aí a descobrir... Força, Aveiro!

a) Historiador Revisionista Desconhecido

José Barros disse...

Também penso que sim. Milhares de crianças vestidas com as cores da mocidade portuguesa, a desfilarem bem alinhadas e de braço levantado seguidas de outros tantos milhares de legionários com cara esfíngica voltada para o publico e ainda milhares de pides no interior de gabardinas oleosas (não confundir com paletó) a encerrar o cortejo pode ser uma das formas de resumir os nossos cem anos da República portuguesa... Eu prefiro dizer que aquele período foi um interregno da Republica! Mas não tenho responsabilidades no ministério da educação nem filhos em Aveiro...

José Martins disse...

Respondo à Senhora Dona Helena Oneto,

Vamos ser razoáveis de gostar ou não gostar da Mocidade Portuguesa. Água benta e extrema-unção cada um toma a que melhor lhe prover. Continuo na minha a Mocidade Portuguesa, as fardas, o bivaque, os cintos com a fivela S, são uma parte da história deste país e teremos que respeitar o facto.
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Porém eu não pertenci à Mocidade Portuguesa porque dentro desta havia a segregação e eu como filho de lavradores da média classe vesti uma bata de cotim às riscas e marchei com ela, a toque de caixa pela ruas da minha aldeia.
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Claro que como miúdo tinha pena de não poder usar uma daquelas fardas da mocidade que os filhos dos ricos e da alta hierarquia vestia.
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Mas e creio que muitos políticos da nossa praça, antes do 25 de Abril de 1974, vestiram a farda da MP.
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Mas aquela farda e as batas de cotim dos alunos das escolas primárias dava-lhes o sentido patriótico de Portugal.
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Sentido esse que nos dias que correm perdeu-se.
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Teria aqui muita matéria a discutir, mas fico por aqui.
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Não deixo de dar um conselho à Senhora Dona Helena Oneto quando por casos semelhantes a este lhe pare a digestão tome uma colherinha de sais de fruto que lhe fará muito bem.
Do River Kwai - Tailândia
José Martins

Anónimo disse...

Um tipo lê e não acredita! Isto depois de mais de 36 sobre a queda da Ditadura! Lamentável! Convém reter, todavia, o que aqui diz este oportuníssimo Post (e sempre atento Blogue): “…parece haver em Portugal, quem não tenha aprendido nada com a História…bem pior, é o facto (caro Embaixador, escreveu “facto” em vez de “fato”, o que registei divertido, assim “fintando” o Acordo Ortográfico) disto se passar sem um sentimento público de forte rejeição revela um preocupante estado de anemia cívica”. Começando por esta última observação, na verdade não ouvi, ou li, até ao momento, protestos, ou críticas sobre a questão, nem mesmo referência nos telejornais, ou estive distraído? E isso, essa “anemia cívica”, é, como diz e muito bem, preocupante. Quanto a haver gente que nada tenha aprendido com a História…basta ver o número de Blogues reaccionários que por aí existem, sempre prontos a não só desculpabilizarem o velho manholas de Santa Comba, como a idolatrar e promover o seu patético e criminoso regime. Agora que sejam entidades, ou instituições oficiais a serem agentes dessa promoção, pelo que se lê, é, isso sim, mais grave. Não houve reacções “de cima”? Espanta-me também. A Mocidade Portuguesa foi, é bom que se recorde, um veículo de propaganda do regime fascista de Salazar, nas escolas públicas, mas também privadas, pelo menos naquelas que assim o aceitaram (o Brotero no Porto, onde ainda estive, foi um mau exemplo disso, entre muitos outros, até alguns dos chamados “colégios de padres”). No Liceu “D.Manuel II”, que também frequentei (que felizmente após o 25 de Abril, recuperou o seu antigo nome, Rodrigo de Freitas, deixando cair a lembrança dessa insignificante figura da Monarquia decadente). Independentemente das eventuais actividades desportivas que promoviam (o que também convém desmistificar, pois, genericamente, o desporto que se praticava era tão só…futebol), aquilo era uma forma de o regime inculcar, ou instilar nos jovens, os seus “valores” e propagandear as “virtudes” da Ditadura e do seu medíocre e deplorável líder. Se a isto tudo acrescentarmos o “pormenor” do S no cinto, ou na barriga, como outra forma de valorar ainda mais o títere e a sua autocracia e, pior, de ensinar e obrigar à saudação fascista (a exemplo do que faziam Hitler e Mussolini, esses dois genocidas), a tal Mocidade Portuguesa deveria ser uma daquelas memórias da nossa negra História que, em circunstância alguma, deveriam ser recuperadas. Por conseguinte, choca o seu revivalismo grotesco e imbecil. Pelo menos para quem prefere a Democracia à Ditadura. Que, não tenho a menor das dúvidas, é o sentimento da larga maioria da população portuguesa.
Cara Helena Oneto, gostei bastante do seu comentário (s).
Uma pequena nota de rodapé a um outro comentário: alguns desses “professores maravilhosos” apoiavam, muitos deles, esse veículo de propaganda do regime e por vezes acompanhavam esses jovens “nos tais acampamentos de convívio com a natureza”, convém não esquecer. Quanto ás fardas serem “bem bonitas” (gostos não se discutem), recordo que num longínquo artigo que li num conhecido jornal inglês, a propósito de uma reflexão sobre o Nazismo, também ali se referia serem as fardas das SS impecáveis. O que importa aqui reter é que a MP foi aquilo que sabemos e como tal não deveria estar a ser recordada nas comemorações da República. A sê-lo, então apenas num outro contexto, histórico e explicativo, nunca para ser “recuperado”.
P.Rufino
PS: Caro Embaixador, quando refere saudação “romana/nazi” imagino naturalmente que quis dizer fascista (da Itália de Mussolini)/nazi.

Anónimo disse...

Aos comentadores: agradeceria que se abstivessem de comentários entre si que possam redundar numa troca de "galhardetes". Este é um blogue que se pretende sereno e com um registo polémico de muito "baixa intensidade". Além disso - e nisso não transijo um milímetro! - a linguagem utilizada deve ser SEMPRE de elevação e de respeito pelas ideias alheias, principalmente nas discordâncias.

Desculpem lá!

Francisco Seixas da Costa

Anónimo disse...

De todos os comentários talvez o único verdadeiramente sereno é o do autor do blogue a quem talvez se deva criticar o facto de dar entrada a um assunto sem a menor importância, nem repercussão, que quase se integra no espírito "agarrem-me senão eu bato" alterado para "cala-te que ainda te chamam fascista":- trinta e seis anos depois da revolução!
Para mim a Mocidade teve um efeito: não tinhamos aulas às quartas feiras à tarde - Nem farda, nem bibe de cotim.
João Vieira

Santiago Macias disse...

A carnavalização da História é coisa que pode ter resultados trágicos.
Sigo este género de encenações sem especial entusiasmo, mas o caso concreto que se refere é merecedor de pateada, ao jeito das do S. Carlos, nas noites em que as coisas correm mal.
O problema é tomar-se, uma vez mais, a nuvem por Juno. Devo estar a ficar velho, mas permito-me a repetição: o pior de tudo não é só este Carnaval, mas o fato de chegarem à Universidade sem saberem conjugar o verbo haver.

Anónimo disse...

A Mocidade Portuguesa...

Então não somos todos...

A farda que mais me fascina é a do ténten...
Principalmente os rapazes colocam as calças na anca /bacia expõem os boxeres com flores, corações, pintas... O desporto radical é que as calças não caem... Fascinante Ah! de preferência compram-se logo rotas.

Isabel Seixas

A minha memória seletiva não quer lembrar-se de alguma Mocidade.

Mau Lear disse...

Fui do tempo da Mocidade Portuguesa e confesso que dai nenhum mal me veio. Aprendi a cantar o Hino Nacional, (que fascismo!) o que hoje a par dos Lusíadas é um obscurantismo, e a respeitar pais e professores, coisa hoje fora de moda.
Claro que o regime político desse momento da História de Portugal (o que é isso?) não era o ideal, mas talvez o possível nessa época. Não quero nem por sombras debater os bons (se os houve) princípios desses tempos, nem os maus usos que esse regime políticos tinha para com os Portugueses de então.
Quero no entanto, cogitar que se a simples lembrança (será que se lembra mesmo?) da Mocidade Portuguesa lhe faz parar a digestão, de certo se revê na falta de tudo (inclusive de instrução e educação) que a Juventude hoje usufrui.
O passado é de todos nós e não nos tornemos demasiado pretensiosos fazendo uma linha demarcatória dos maus e dos bons Portugueses que passe pelo 25 de Abril e que sirva para tapar o buraco do “nada” que ficou na instrução e educação da nossa “Mocidade Europeia”.

Guilherme Sanches disse...

Não significa ausência o silêncio, nem desinteresse a escassa participação.
Nem sempre os temas são ondas da minha praia, o que não me retira o prazer de as observar, juntamente com os seus comentários. Em silêncio, porque às vezes sabe melhor assim.

Outras vezes apareço, se me posso exprimir em dois ou três parágrafos.

Como todos os garotos da minha idade, também tive a minha farda da MP, gostava e não tenho nada de que me envergonhar.
Com 10 anos, não fazia a mínima ideia que conotações isso teria, mas sabia que na quarta-feira de tarde, porque era obrigatório, eu poderia fintar o controlo da Tia Lai, gestora do tempo da minha liberdade em frações de quartos de hora, rigorosamente marcados pelo dlim-dlão dos sinos da Sé de Vila Real. Um dlim-dlão por cada quarto de hora, somados até à hora certa que marcavam o limite certo de entrada em casa. Exceto à quarta-feira de tarde, porque não tinha horas de acabar.

Não sei porquê tanto espanto por manifestações destas. Ainda a semana passada as crianças das escolas de Braga, vestidas de romanas, desfilaram pelas ruas da cidade, em cortejo encabeçado pelo grande "Imperador"... Mesquita Machado, o Presidente da Câmara. E não penso que isso tenha passado de um ato folclórico.

Se bem se lembram, ainda há cerca de um ano uma estação de televisão fez um enorme alarido sobre a eleição do "Português" que seria a figura mais simbólica da nossa história.
Pelo método da "telemendicidade" feita por chamadas de valor acrescentado (telefone já! é você que escolhe! você decide!), e pelos bacoquismo de participação nestas iniciativas, lembram-se de quem foi "eleito"?
Surprise! Salazar, ele mesmo...
Um abraço

Anónimo disse...

FGV

E que tal pôr criancinhas vestidas de SS ou outros nazis? Gostavam? Por traz destes comentários "inocentes" esconde-se muito reaccionário encapotado, dos que querem branquear o fascismo português. Faz muito bem em lembrar isto. Abaixo a Bufa!

Bento Freire disse...

Ao senhor José Martins: convem não esquecer que as "farditas" eram de uma organização que macaqueava a Juventude Hitleriana e os "Balile" italianos e que estava imbuída de uma ideologia que se pretendia inculcar nas crianças; a "bufa"não tinha nada a ver com patriotismo ou educação: era uma organização fascista e, mesmo que se admitisse que o salazarismo não era um fascismo, a "bufa" era a incubadora onde os verdadeiros fascistas do regime queriam formar legionários no culto do chefe, das fardas e da obediência acéfala.
Ao senhor P. Rufino: "facto" continuará, nos termos do Acordo Ortográfico, a escrever-se com "c" em Portugal e nos países em que o "c" for pronunciado.
E a saudação chama-se "romana" - da Roma das legiões, onde Mussolini a foi, também, macaquear.

Anónimo disse...

Estimado Bento Freire,
Grato pelas suas observações. Permita-me, todavia, um comentário ás mesmas. No que ao Acordo Ortográfico diz respeito, já tenho visto, frequentemente, em textos que o seguem, ambas as opções, se bem que, na sua maioria, optando por “fato”, em vez de “facto”. Por mim, num plano estritamente pessoal, continuarei a escrever exactamente como até há pouco, antes do tal Acordo. Nada tenho contra, nem a favor. É-me totalmente indiferente. Se, porventura, oficialmente, amanhã tiver de escrever nesses termos, fá-lo-ei de bom grado, revertendo, no plano pessoal, para a forma usual, a “tradicional”.
Quanto à saudação romana, sei bem, pois conheço e interesso-me, desde há muito, pela História da Antiguidade, onde se inclui a de Roma, que essa era uma saudação Romana, em determinadas ocasiões. Já bem antes de César era utilizada, decaindo posteriormente. Creio, se não erro, ao tempo de Caracalla, ainda que reavivada, ao que se julga, com Diocleciano. Não parece que as “tropas”, ou legiões, de Constantino já praticasse essa saudação. Seja. No início da 2ª Guerra Mundial, Mussolini alimentava um sonho de “pequena reconstrução” do velho Império Romano (como se aquela Grande Civilização tivesse algo a ver com a patética figura do ditador italiano) e após as tropas nazis terem conquistado a França, “coube-lhe”, na distribuição desses “despojos” territoriais uma pequena parte do Sul de França e daí partiu para outras “conquistas”, como a Albânia e Etiópia, como sabemos. Aquelas ambições ridículas e o seu projecto político muito pessoal levaram-no, entre outras coisas, a, segundo parece, adoptar a tal saudação “romana”, mais ou menos, logo no princípio da sua liderança, numa tentativa bacoca de se identificar e de identificar as suas tropas e os seus projectos militares com aquele grande Império e as suas temíveis e famosas Legiões. Mas, segundo aparentemente se julga, nunca soube explicar muito bem esta sua “escolha”, ou se o tentou foi de forma pouco hábil, visto aquela saudação, naquele tempo (entre o período em que foi responsável pelo desastre político-militar em que conduziu o seu país) ficou sempre associada ás falanges Fascistas e não tanto ás Legiões Romanas. Quanto a Hitler, quer ele, quer uma boa parte do seu Estado-Maior militar nutriam uma grande admiração pela organização e disciplina do antigo Exército Romano. Também tinham (e ainda hoje têm) o exército inglês e norte-americano e nem por isso descambaram, nunca, naquilo que Hitler deu origem. Resumindo, não ponho em causa as origens daquelas saudações, o que pretendi dizer é que as mesmas, naquela altura e ainda hoje ficaram, irremediavelmente, identificadas com as falanges fascistas e hitlerianas e mais tarde franquistas e salazaristas. Daí que hoje, quando olhamos para o caso da Mocidade Portuguesa, a designamos de saudação fascista. E no que respeita a Salazar, nunca a figura se preocupou em explicar a saudação, como o gesto romano, pelo contrário (copiou-o dos regimes Nazi e Fascista, que admirava, sem despudor). Mas aceito que a sua observação tem o seu sentido.
Cordialidade,
P.Rufino

José Martins disse...

Só tenho a dar os parabéns ao Senhor Embaixador Seixas da Costa pela abundândia de comentários em cima do tema Mocidade Portuguesa. Este soma os 23!
Havia ainda pano para mangas para se discutir.
Nasci sob o regime de Salazar e da invenção da Mocidade Portuguesa, mas não sei para onde o meu comprovinciano, beirão dos quatro costados se deveria virar se para os calções de caqui e as camisas da cor do feijão verde ou para o símbolo da foice e do martelo ou para as opas brancas com a cruz de Cristo estampada, ou criar um "livrinho" para doutrinar os portugueses dentro de uma ideologia que ao "velho" lhe viesse à cabeça.
Um Portugal sem estradas o analfabetismo que grassava pelo Portugal no seu todo, onde o aprender a ler era privilégio de uns poucos, teve assim de seguir a linha de propaganda da Mocidade, da Legião (para a arraia-miúda), a sua fotografia em todas as escolas primárias, na parte de trás dos espelhos, redondos, que se vendiam a cinco tostões nas feiras etc.etc..
Um país sem comunicações (o primeiro rádio alimentado a bataria de automóvel apareceu na minha aldeia em 1944)
Um Portugal pobre e rural cujas terras, a maior parte, eram arrendadas aos latifundiários, seculares, que lhe pagavam a tencão com o cereal.
Acho que o homem não tinha outra opção de jogar com os gregos e troianos para manter a unidade e recorreu, como todos os regimes, à propaganda.

Porfirio Silva disse...

Acho, francamente, que vale a pena ouvir com mais detença a explicação do que a iniciativa é e não é: que é o que faz uma das organizadoras aqui.

Francisco Seixas da Costa disse...

Comentários racistas e xenófobos não serão, como é óbvio, publicados neste blogue.

Luís Bonifácio disse...

Não se pode comemorar os 100 anos do regime republicano sem relembrar o seu filho mais dilecto - O estado novo.

As reacções à "boa" lembrança de Aveiro são iguais ao eliminar de Trotsky das fotos em que aparecia ao lado de Estaline.

Anónimo disse...

Que falta faz à nossa juventude qualquer coisa como a Mocidade Portuguesa, onde se faziam homens ensinados a ser bons cidadãos amigos e respeitadores dos seus pais, cumpridores da lei, ect não a vergonha de juventude de agora cheia de vícios, droga e maus hábitos. Fui da MP e lá aprendi a ser HOMEM. Que falta faz, chamem-lhe mocidade ou outra coisa mas está mesmo a faltar a nossa juventude qualquer coisa que os ajude a tornar-se bons cidadãos.