"Old habits die hard". A notícia de que 10 alegados espiões russos foram detidos nos Estados Unidos, onde estariam a ser infiltrados, pode levar alguns a imaginar um retorno aos tempos da Guerra Fria, um mundo que pensavam já terminado. O mais curioso é que isto se passa quase simultaneamente com o dia em que os presidentes Obama e Medvedev trocaram abraços de cumplicidade e reiteraram o aprofundamento da amizade russo-americana.
A verdade é que o tempo dos serviços de "intelligence" está longe de ter acabado. Eles andam por aí travestidos em outros modelos, mesmo entre países mais ou menos amigos, mas com uma ação agora mais vocacionada para as temáticas económicas e tecnológicas. Este é um jogo eterno de sombras que sempre existiu e há-de continuar a existir, porque é da natureza dos Estados tentar saber um pouco mais para além do que é público, por forma a dar o melhor alimento informativo para suporte das decisões oficiais e mesmo privadas, desde que consideradas de importância estratrégica para a preservação ou promoção dos seus interesses.
Às vezes, continua a ser feita alguma confusão entre o trabalho diplomático e o dos serviços de informações, em especial quando se atua em países não democráticos, em que o acesso à informação é mais complexo. Não nego que, nessas circunstâncias, pode surgir uma "zona cinzenta" entre esses dois mundos, mas é de elementar prudência que os profissionais da diplomacia sejam habilitados com um código claro de instruções que lhe evite o risco de passarem a perigosa "red line" entre o modo legítimo de coletar informação e a tentação de a obterem por meios menos curiais.
