domingo, 13 de junho de 2010

Os nossos vuvuzelas

Qual é a semelhança entre os vuvuzelas e alguns profissionais do lusopessimismo?

Plantam-se por todo o lado, criam um ruído permanente, já estamos todos fartos de os ouvir, cada um tenta ser mais escutado que o outro, não se pode mandá-los calar porque é politicamente incorreto, desconcentram-nos do essencial mas, no final de contas, acabam por não ter qualquer influência no resultado.

16 comentários:

Anónimo disse...

Boa noite Sr. Embaixador.
Leitor assíduo e interventor desde os primeiros post, noto com tristeza, a cada vez menos participação diversificada.
Que lufada de ar fresco se está a perder. Antes de dormir e antes de ir trabalhar era fatal...
Muitos post com comentários zero.
Tambem deixei de comentar depois de tanta censura.
Luxúria de poder ou azia minha?
Até Lisboa.

margarida disse...

"tanta censura"? ...ó senhor embaixador, então V.Ex. pratica a 'azulisse'?!
Não posso crer! :)
Não..., bem sei que só neutraliza os insultos, como não poderia deixar de ser, já que se todos temos direito à nossa opinião e às nossas convicções, mas a urbanidade e o respeito pelo entender dos outros são valores preciosos.
E o debate cordato faz-se através de troca de pontos de vista e da apresentação de teses e exemplos, não por via da insídia.
Por certo que, mesmo que no fundinho, até os mais verrinosos compreenderão tal e anuirão.
Estou certa.
Mas o(a) excelso(a) anónimo(a) coloca uma questão especialmente pertinente - muitos post sem comentários.
Pelo que me vou apercebendo por aí, é uma tendência que se vem verificando há algum tempo em todos os blogues, daí não ter a relevância que possamos imaginar.
Os entusiasmos esmorecem e a preguiça instala-se.
A maior parte das pessoas tem ideias próprias sobre tudo (graças a Deus!), mas coibe-se bastante de as expor, o que se entende. Além de que escrever ainda dá um bocadito de trabalho, não é seus preguiçosozitos?!
Pois...
Ficam aí repimpados a ler os outros, a remoer contra as ideias excessivamente positivistas do anfitrião (são, são, mas reconheço que assim tem de ser, por força do estatuto ou seja, 'noblesse oblige')et rien ne va plus!
:))))
Vá..., serenem-se os estomagos e que tenhamos todos uma excelente semana!
À bien tôt!

Anónimo disse...

Luxúria de poder ou azia minha?
(Anónimo interessante:2010)

Acertou na mouche...
Hum! de Mestre... Mas...?!!!!Onde está então a censura do Sr. embaixador??.
Isabel Seixas
Bom dia
Sr. Anónimo
Não resisto...
Pelo Seu Mérito
Juro que lhe cedo de""bom grado""o espaço que atrevidamente ocupo...
A bem Da cultura da cidadania
oh! a sério brinde-nos então com a sua idoneidade.
Que lufada de ar fresco se está a perder.(Não nos faça isso)

Francisco Seixas da Costa disse...

Censura? No ultimo mes, que me recorde, foi evitada a publicacao de tres comentarios: um usava uma linguagem insultuosa para outro comentador; outra era de natureza insultuosa, por razoes que so a psicanalise pode justificar; um terceiro tratava, numa linguagem deselegante, de tema que nada tinha a ver com o post em que se "pendurou". Ah! e todos valentemente anonimos, como esperavel.

Censura? Nao brinquemos... Venha o contraditorio, sempre!

Guilherme Sanches disse...

Short and sweet, este post.
É!...
Boa comparança, a da vuvuzela. Havia de ser verdade para alguns, aquilo que pregam.
E quanto aos comentários, não é tanto assim.
A riqueza do conteúdo dos posts às vezes é mesmo só para ler, porque quando o tema é mais polémico, eles (os comentérios) aparecem. Mas 555 visitas e 980 páginas por dia são significativas, e devem ser gratificantes para o autor.
(Só por curiosidade - em Junho, com uma média superior a 2 posts/dia, não houve zeros, e a média é de 6 comentários por post).
Um abraço

José Martins disse...

Senhor Embaixador,
O lusopessimismo já nasceu com nós, portugueses e contra ele não há mesmo nada a fazer.
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Bem me lembro de quando era um miúdo de uns 8 anos a guardar ovelhas nos cabeços da Serra da Estrela, tinha um velhote, meu vizinho de pasto que era o pessimista mais incrível que se possa imaginar... Qualquer resposta do ti Manuel do Boco era: sei lá, sei lá que era mais nem menos a dúvida aliada ao péssimismo.
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Bem na nossa memória está a lenda do Velho do Restelo que quando as caravelas do Tejo partiam para a aventura dos mares, lá estava o raio do velho a professar que os homens, navegantes, não chegavam aos destino...
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Mas claro que atingiram o objectivo e o pessimismo ficou no Restelo.
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Nós com tanto péssimismo vuvuzelado à nossa volta chegamos a ficar influenciados pelas mentes pessimistas.
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O ruído é uma parte dos convencidos que eles estão direitos e os parceiros do lado errados e malham em centeio verde que nunca debulha o grão.
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Em um de seus comentários, desta peça, diz o Senhor Embaixador que evitou a publicação de 3 comentários de linguagem imprópria e insultuosa.
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Pois, pois há sempre uns “marmelos” que nos querem mal... Por isso nos meus blogues estão vedados a comentários.
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Razão: um “marmelo” que bem sei quem é mandava-se com comentários à minha pessoa daqueles que só umas lambadas, culturais, com uma bengala de pau de marmeleiro curava as ofensas.
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Para grandes males melhores remédios. Acabava-se com o bicho e foi-se a peçonha.
De Banguecoque – José Martins

José Barros disse...

A palavra vuvuzelar, se vier enriquecer o nosso dicionário, não se deve aplicar aos políticos. Pelo menos a muitos de entre eles. Porque vuvuzelar contra eles poderia ensurdecê-los e já não é preciso...

Ernesto disse...

Meu caro Seixas da Costa,
Não me venha com essa panglossiana historieta do euro-pessimismo. Nem tudo vai bem no reino da Dinamarca (porque cheira inevitavelmente a podre) e você sabe-o melhor que ninguém. O discurso do "sangue, suor e lágrimas" não poderá ser certamente feito pelo senhor Pinto de Sousa, pois para ele "tout va bien dans le meilleur des mondes". Acabe-se com toda esta imbecilidade e diga-se de uma vez a verdade. Nõ há luso-pessimistas de serviço, mas patriotas que vêm o seu país a ir pelo cano abaixo e têm um nome: são luos-realistas. The rest is silence!

Fernando Correia de Oliveira disse...

Sr. Embaixador: nos últimos anos, quase sempre me tenho revisto nas posições e análises pessimistas quanto a muitas vertentes da realidade portuguesa. Será pelo facto de ser pessimista ou porque a realidade é o que é? Uma vez, há uns meses, disse num comentário neste blog, muito antes da realidade nua e crua da situação ser publicamente reconhecida, que Portugal estava à beira da bancarrota, e a situação veio a provar que isso não é pessimismo - é a análise pura e simples, racional, da realidade.
Pessimismo, derrotismo, não ajudam? Claro que não. E estado de negação, endémico, intelectualmente menos honesto, ajuda? Claro que não.
Pessoalmente, continuo a seguir a regra de ser pessimista pela Razão e optimista pela Vontade. A realidade dá-me razão quanto à primeira atitude (acho eu), mas a segunda dá-me (tem-me dado até agora) a vontade e a persistência para procurar mudar essa realidade.
Ahhh... e continuo a ter como leitura diária o Duas ou três coisas, onde encontro sempre motivos e inspiração para agir.
Obrigado pelo espaço que aqui criou

Anónimo disse...

Penso que é cultural.
Aqui em portugal as pessoas gastam mais energia e tempo discursando em porque não vai dar certo, do que trabalhando para que dê certo. É mais fácil, porque quem não faz não erra... E é tão mais cômodo atribuir a culpa aos outros não é mesmo? O que falta aqui não é otimismo, mas sim "responsabilidade" e sentimento de "coletividade".

Unknown disse...

Censura?

ARD disse...

É oportuna a citação feita por um dos comentadores sobre o "pessimismo da inteligência contra o optimismo da vontade". Creio que nessas águas navega o Embx. Sexas da Costa.
E penso que os "vuvuzelas" a que ele se refere fazem parte daquela fauna de "pessimistas profissionais" que sobrevivem na paisagem mediática portuguesa apenas porque descobriram esse nicho de mercado que não leva a nada mas sempre dá uns trocos. Não têm mais nada para dizer e não se cansam de o proclamar aos quatro ventos.
Pseudo-Cassandras (afinal, a original, a de Tróia, tinha razão nas previsõeses) sobrevivem, nos últimos trinta/quarenta anos, a anunciar a iminente morte da Pátria, anúncio que, como o outro dizia, é manifestamente exagerado.
São eles que estão cadavéricos mesmo que ainda não tenham dado por isso.

Helena Sacadura Cabral disse...

Não creio que haja um português digno desse nome, que não ame profundamente Portugal. Só que nem todos amam da mesma forma.
Quando os pais ralham com os filhos que fazem asneiras, não os amam menos por isso. Ao contrário. Por os amarem é que lhes ralham. Nem sequer é para que sejam iguais aos ascendentes. Apenas pretendem chamar-lhes atenção para as dificuldaes. E fazem bem, creio eu.
Adoro a terra que me viu nascer e nunca quis ser senão portuguesa. Gosto das nossas qualidades e até dos nossos defeitos. Que são quase genéticos. Mas isso não faz de mim cega.
Uma coisa é amar, até, os defeitos. Outra é chamar qualidades aos defeitos.
A democracia vive , sobretudo, de ouvir e decidir. E não de pretender construir uma sociedade clonada num só modelo.
Sou uma otimista. Mas isso não me impede de ver o lado menos bom do que me rodeia.

João Antelmo disse...

Senhora Dona Helena Sacadura Cabral, a metáfora da paternidade é interessante mas espero que não esteja a pensar nos nossos "pessimistas encartados" como pais da Pátria. Eu detestaria ser filho do Dr. Medina Correia, por exemplo. Carreira, Carreira...

Helena Sacadura Cabral disse...

Depois do comentário de João Antelmo, viro Egas Moniz com o baraço ao pescoço.
Não. De facto não pensei em Carreira, valha-me Deus. Parece que "no seu tempo" terá feito carreira entre certas senhoras, por ventura menos venturosas nos pretendentes.Não foi o meu caso!
Mas para aproveitar o carreiro abberto, falo de Nuno Crato - não para pai, claro- ou de João Duque, cujas análises me merecem todo o respeito.

Anónimo disse...

Esta definição de vuvuzelas é must!! Genial! Assenta que nem uma luva! Parabéns!!

JR