domingo, 9 de janeiro de 2011

FMI

Anda por aí uma "escola" de pensamento fácil que é de opinião que a vinda do FMI em socorro das finanças portuguesas seria naturalmente desejável, por significar empréstimos a juros mais baixos dos que o que são praticados pelos mercados onde o Estado português se financia e, no essencial, representaria um sossego para estes. Essa "escola" - claro! - nunca se perguntou por que razão, se o cenário é assim tão róseo, todos os países mostram a maior relutância de terem de recorrer ao FMI.

Essa doutrina, que despreza, em absoluto, as dimensões de perda de soberania que o recurso a essa ajuda implicaria, para além do imprevisível pacote de medidas acrescidas de rigor que nos seria imposto, esquece um ponto essencial: a dívida mais importante com que Portugal se defronta - que não é a do Estado, mas a dos bancos nacionais - não seria abrangida por essa operação de "rescue". 

É estranho (será?) que poucos falem disto.

9 comentários:

Alcipe disse...

Exactamente! A única questão que interessa ao directório alemão da UE (os franceses fazem agora só o papel de "béni-oui-oui") é proteger os interesses da sua própria banca, vulnerável nos créditos concedidos aos "preguiçosos" PIGS - e todos os meios são bons para se defenderem. Este processo de "salamização" (como alguém lhe chamou) em curso vai dar cabo da Europa.

Anónimo disse...

Pois!...

Isabel Seixas

Ana Paula Fitas disse...

Carissimo Senhor Embaixador,
Faço link... e agradeço!
Bem-haja!
Um abraço... e votos de um Bom Ano!

(c) P.A.S. disse...

Caro Seixas da Costa

Penso que há muito quem ainda não percebeu o que está verdadeiramente em causa.
A confusão com a vinda do FMI não provêm de qualquer confusão que os mais ou menos esclarecidos façam.
Até porque já se percebeu que actualmente sem mecanismos de política monetária os estados "semi-soberanos" da UE, estão mais na mão do quadro indefinido e incompleto da moeda comum.
O problema tem a ver com a incapacidade própria de alguns Estados, em profundo e profuso denial, pelo interesse próprio de alguns políticos.
E o povo, até o povo com formação económica, entende -e bem na minha opinião - que a vinda do FMI teria pelo menos o mérito de alterar todo o quadro em que nos movemos há anos e que já demonstrou a sua incapacidade (por incompetência e ethos).
Não querer entender isto é não entender que o Portugal de hoje, já não é um Portugal refém de deturpação de informação e de formas de governação que nos desgostam como povo.
Não querer entender isto é próprio de apaniguados, não de mentes livres.

Anónimo disse...

Excelente Post! E oportuníssimo! Subscrevo-o na íntegra! Mot a mot!
Na verdade, esses que “alertam” para a eventual vinda do FMI, “no Fundo o que querem é a vinda do Fundo”. São de uma hipocrisia o roçar o alvar. São também os mesmos que acham, mas não têm a hombridade, nem tão pouco a coragem, de dizer alto e bom som, que uns tantos senhores devem ficar de fora dos pingos da Crise. Paga por quem já começou a fazer os sacrifícios para a ajudar a resolver!
Corajoso Post!
P.Rufino

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro PAS: Julgo que, para benefício dos leitores deste blogue, seria importante que o meu amigo fosse perfeitamente explícito quanto àquilo que considera serem as vantagens de uma presença do FMI em contraponto com a situação de não presença dessa instituição. Mas, por favor, em termos concretos e práticos, que passem para além do genérico maniqueísmo pró ou contra pessoas, governos ou regimes.

(c) P.A.S. disse...

Caro FSC

Houve uma frase recente que me ficou estranhamente na "retina".
Uma frase de um ex-metalúrgico, ex pois a profissão não nos tem de ficar no sangue ou na massa.
«Fazer o óbvio!»
No nosso canto, que é o Portugal não maniqueísta que só procura o óbvio, já há muito não sentimos a alegria disso.
«Fazer o óbvio!». E ele está aqui tão à mão de quem suspira por um Portugal diferente.

(c) P.A.S. disse...

Caro FSC

Como não fui ao cerne da sua pergunta deixo-lhe uma vantagem explicitada já por todos os meus colegas e amigos gestores e economistas que vivem o privilégio do espírito livre não maniqueísta e que se centram cirurgicamente nos "objectos" um a um, sem lealdades que não o "ethos" percepcionado, ou neste caso a racionalidade dos números: o financiamento da dívida a longo prazo a 5 em vez de 7%.
Quanto às outras vantagens implícitas imediatas deixo-as à voz informal do povo, mesmo correndo o risco da visão ligeiramente deturpada e ligeiramente parcial de um mundo percepcionado na comunicação.

Anónimo disse...

Caro (c)P.A.S.,

Agora, é que fiquei completamente "aos papéis"...

Isabel BP