A "nota verbal" é a forma de comunicação mais corrente entre os serviços diplomáticos. Tem esse nome porque, no passado, a entrega de um texto consagrava aquilo que fora dito num contacto pessoal.
Fez ontem precisamente sete anos, surgiu, na blogosfera portuguesa, o "Notas Verbais", um blogue dedicado à política externa e à diplomacia. O nome logo despertou imensa curiosidade nos corredores das Necessidades, bem como nas suas antenas exteriores. O blogue trazia comentários e notícias sobre a atividade do Ministério dos Negócios Estrangeiros, muitas vezes incisivos, outras vezes neutrais ou meramente informativos.
Fez ontem precisamente sete anos, surgiu, na blogosfera portuguesa, o "Notas Verbais", um blogue dedicado à política externa e à diplomacia. O nome logo despertou imensa curiosidade nos corredores das Necessidades, bem como nas suas antenas exteriores. O blogue trazia comentários e notícias sobre a atividade do Ministério dos Negócios Estrangeiros, muitas vezes incisivos, outras vezes neutrais ou meramente informativos.
Ao final de uns tempos de dúvida, o seu autor revelou-se: era Carlos Albino, um jornalista que (creio) iniciou a sua carreira no "República" e que viria, mais tarde, a ser responsável por uma secção de acompanhamento da vida diplomática no "Diário de Notícias". Como dado pessoal curioso, lembro que Carlos Albino teve um relevante papel no processo de transmissão da "senha" radiofónica que lançou o 25 de Abril.
Esta minha nota - que é escrita e não "verbal" - destina-se a destacar que, com intermitências (algumas bem longas), Carlos Albino mantém, com determinação, aquele que é talvez um dos mais antigos blogues portugueses. E que é um espaço opinativo que muito de nós, profisionais da diplomacia, visitamos, com maior ou menor regularidade.
Como é da natureza destas coisas, e que também diz bem da independência do autor, não foram (nem são) raras as vezes em que a minha leitura de algumas das questões que o blogue aborda diferiu, às vezes de forma muito contrastante, com a que era sustentada por Carlos Albino. Em alguns desses casos, porque estavam em causa pessoas que muito respeito ou posições com que eu discordava abertamente, entendi ser minha obrigação dizer-lho por escrito, com toda a frontalidade. Carlos Albino sempre teve a simpatia de acolher, sem acrimónia, essas minhas críticas ou divergências - e, como ele bem sabe. algumas mantêm-se ainda hoje...