quinta-feira, 24 de junho de 2010

Carta ao Mathis

Olá, Mathis

Soube há pouco, por um jornal, que não te deixaram entrar na escola, aqui em França, porque levavas vestida a camisola da seleção portuguesa. Os teus pais, ao que parece, ficaram aborrecidos com isso.

Queria dizer-te que não deves ficar preocupado com o que aconteceu. Pelos vistos, o objetivo da direção da tua escola foi evitar a possibilidade de outros meninos, de várias nacionalidades - a começar pelos franceses -, poderem meter-se contigo e criar alguma confusão. Se calhar, na tua escola, há meninos da Coreia do Norte...

É muito bom que tenhas sentido orgulho em usar a nossa camisola. A França é o país onde vives mas, como se viu, Portugal é o país que trazes no teu coração. É aqui que, provavelmente, irás fazer a tua vida, no futuro, mas isso não te torna menos português. A França é uma terra onde há muita gente que veio de outros países, como de Portugal, à procura de oportunidades para trabalhar. A França deu-lhes essa possibilidade e os portugueses retribuíram com o seu esforço, com a sua seriedade e a sua honestidade, para a riqueza da sociedade francesa. E aqui estão, também em sua casa. Ninguém deve nada a ninguém. E tu és a melhor prova do sucesso da integração dos portugueses em França, com a tua mãe francesa e o teu pai luso-descendente.

Os portugueses que aqui vivem devem ser sempre leais para com a França que os acolhe, da mesma maneira que a França tem de aceitar que tu, tal como os outros meninos que se sintam ligados a Portugal, possam mostrar isso, nas ruas ou nas camisolas. Pode discutir-se se a escola é o lugar mais indicado para andar com as camisolas da nossa seleção, mas, aos teus amigos de cá, deves lembrar que foi a Revolução Francesa, aquela que está na bela "La Marseillaise", que ensinou o mundo a lutar pela liberdade, a defender a igualdade entre todos e a demonstrar a nossa fraternidade perante os outros.

Para ti, caro Mathis, quero deixar-te um abraço bem lusitano e um convite para, um destes dias, vires, com os teus pais, visitar a Embaixada. E também espero que, qualquer que seja o resultado que a seleção portuguesa venha a ter no Mundial, tragas vestida a camisola das quinas. É que nós, os portugueses, temos por tradição ser muito orgulhosos do nosso país, tanto nos bons como nos maus momentos.

Francisco Seixas da Costa

Em tempo: leiam também o que o Tintin no Tibete escreveu. E vejam e ouçam a história, contada com fluência pelo próprio Mathis, aqui.

89 comentários:

Anónimo disse...

:)
MPB

Anónimo disse...

Esta carta tambem deveria ser alvo de orgulho :-)

José Martins disse...

Senhor Embaixador,
Não estou a ver a coisa lá muito bem...
.
Se os alunos não têm por obrigatoriedade de usar o uniforme, imposto, pela escola, cada “puto” que levasse a camisola que lhe apetece-se, o que me dá a entender que as coisas por França ainda não estão bem arrumadas.
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Mas, por aqui, no país aonde vivo, cada “puto” que vista a camisola que melhor lhe apetecer e já não foi a primeira nem a segunda vezes que vi crianças e adultos tailandeses com a camisola das quinas.
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E não só... há anos o Real Madrid veio jogar a Banguecoque (o Carlos Queiroz o treinador) com o Luís Figo incluído.
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Porém o nosso Figo, meio lesionado no Japão, deu apenas uma volta à pista para as 60 mil pessoas lhe bater palmas.
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A maior surpresa para mim (como correspondente da Lusa e na pista), foi o delírio de jovens raparigas a gritarem, pelo nosso portuguesíssimo Figo, beijando, calções, com o nome do atleta luso.
Saudações de Banguecoque
José Martins
P.S. – Neste país só não se ajusta bem ao corpo é a “red shirt”.

marta disse...

E pensar que estamos em pleno século XX, num país desenvolvido da União Europeia!

Alcipe disse...

Um país que tem uma selecção de futebol do nível que tem envergonha-se naturalmente que as crianças na escola lhes lembrem que há mais no mundo quem jogue futebol. A camisola de Mathis recordava amargamente aos franceses que outros sabem ainda exercer a arte que eles perderam há muito.

Aguardemos os Estados Gerais do Futebol, de onde os representantes só sairão pela força das baionetas... Viva Mathis!

Anónimo disse...

Caso interessante. Carta Inteligente.

Bomfim disse...

Esta directora de escola, deve ser assim uma espécie de Margarida Moreira da DREN...

Moscatelroxo disse...

Sr. Embaixador,
" Politicamente correcto ", água na fervura, ou antes passar a mão no pêlo....
Contudo, o estado da alma " lusa " do jovem, merecia outra atenção!!
E, eu até compreendo sr. Embaixador, essa " conversa toda ", mas não posso concordar consigo.

Julia Macias-Valet disse...

Tenho imenso orgulho nos Mathis que se passeiam com a camisola das quinas pelo hexagono : ))
E nas bandeiras lusas que ondulam risonhas ao vento ; )

LA FRANCE é um pais simpatico mas muito mau perdedor e "jaloux".
Se fosse a França que tive na "mo de cima" gostaria de saber quantos Mathis teriam o direito de ir à escola com a camisola tri-couleur...

Obrigada Senhor Embaixador porque "Quem nao se sente nao é filho de boa gente".
E parabéns ao Mathis que se transformou num heroi português malgré lui ; )

Filipe Pereira disse...

Exmo Sr Embaixador,
nao sei se trata de inveja, racismo ou amargura da diretora dessa escola. acho que basta somente relembrar que ela agiu em violaçao da simples liberdade dessa criança em ir vestida como lhe apetecia.
e essa violaçao é grave porque acaba por sugerir um ambiente algo desagradavel por esta parte.
permita-me o Sr Embaixador perguntar-lhe se tenciona intervir de forma alguma (talvez o tenha jà feito) junto do Ministério francês da educaçao nacional ou de qualquer autoridade competente.
Nao tardarà muito que proibam as bandeiras portuguesas que florescem cada vez mais nas janelas das casas dos nossos compatriotas de França.
Filipe Pereira

Anónimo disse...

Espero que os pais do Mathis lhe expliquem um dia que nós, portugueses, temos muito orgulho em alguem - neste caso um Embaixador - que "tem tempo" para se preocupar com uma criança que foi discriminada. Esta carta devia ser de leitura obrigatória para jovens adidos de embaixada. E não só ...

E já agora,quando esta família for à Residência,importa-se de dizer ao Mathis que nós, portugueses, temos muito orgulho em pessoas como os pais dele ?

FRANGIPANI

Manuel Antunes da Cunha disse...

Subscrevo inteiramente... E motivo de orgulho ver os cachecois e as camisolas de Portugal ca por França... E isso seja qual for o resultado que trouxer a nossa selecção.
Não tem nada a ver com provocação. O sentido de pertença não se explica. Mas a tolerância ensina-se.
Temo que tanta vontade em querer asseptizar as nossas sociedades acabe não somente por levar a tomadas de posiçoes ridiculas como a reacções contrarias.
Quando nos sentimos feridos porque o Outro manifesta orgulho nas suas raizes, algo vai mal no nosso Reino. O Luxemburgo acaba de dar um exemplo semelhante com um ja triste e-mail.
Gostaria que fossem apenas exemplos pontuais...

Camilo disse...

GRANDE EMBAIXADOR!!!

Anónimo disse...

Liberdade, igauldade, e fraternidade? Onde andam tais valores? primeiro o véu islamico agora são camisolas, enfim.... franceses retratem-se s'il vous plait..

Margarida disse...

Emoções.
Somos compostos sobretudo disso.
E ainda bem.

Anónimo disse...

Esta carta é uma lição de Diplomacia!
P.Rufino

Helena Oneto disse...

Espero não ser uma utopia imaginar que seriamos muito mais felizes se os Mathis do mundo inteiro recebessem uma carta como esta.

Cláudio Anaia disse...

Sr. Emabaixador,

Parabéns por esta carta inteligente.

Abraço apertado.

Cláudio Anaia
claudioanaia@otmail.com

Anónimo disse...

Senhor Embaixador: há dias V.Excelencia afirmava que os diplomatas são pessoas iguais as outras.
Mas permita-me afirmar que a "carta ao Mathis" prova que há Embaixadores muito diferentes dos outros.

Anónimo disse...

Hum! Se a Tal senhora Diretora soubesse o que quer dizer:
Proatividade...Intercultural
Sentido de oportunidade
Ver e aprender... A tentar calar/refrear emoções primárias quando não gosta...Oh!Invejosa
Ficar refém de si própria

A Carta ao Matis

É mais uma revelação denunciadora da espontaneidade inata genuína e afrodisíaca da sua escrita...

O garoto é... Uma fofura Claro...
Isabel Seixas

José Martins disse...

Claro que há embaixadores e senhores embaixadores...
.
E no caso (não é pomada) do senhor embaixador Seixas da Costa, por mim está classificado um senhor embaixador porque além de sua actividade de diplomata de vista "escanada", dorme pouco e quem gosta do colchão, aprende pouco.
.
Encontro muitas vezes o senhor embaixador Seixas da Costa, em linha, depois da meia-noite em Paris e seis da da manhã em Banguecoque.
Saudações de Banguecoque
José Martins

Manuel Antunes da Cunha disse...

Não deixa de ser curioso. Ha anos, era um pequeno Martunis que, no dias que se seguiram o tsunami devastador no sudeste asiatico, envergava a camisola das Quinas. Hojé é o pequeno Mathis. Dis belos embaixadores.

Fernando Pinto disse...

Senhor Embaixador, como já alguém aqui comentou, a sua carta é "politicamente" correta. Mas será mesmo?... Pedagogicamente, penso que não.
Senhor Embaixador, faça um pequeno exercício, a sério, tente mesmo: ponha-se na pele de uma criança de cinco anos que vai com uma t-shirt que simboliza fantasias e sonhos que a alegram e que imagina que podem ser tidos por qualquer outra criança e vive a experiência afetiva de que está a cometer uma falta que a impede de entrar na escola.
No fundo, convidar o miúdo para a embaixada soa a qualquer coisa do género "Deixa lá, eles foram maus para ti, mas a gente gosta de ti e da tua camisola".
Deixo-lhe uma pergunta: reconheceu ou não - claramente - junto da mãe do Mathis que ela tem toda a legitimidade em reclamar como o fez?
Só mais uma coisa, parece-me que a argumentação sobre a receção da França aos nossos emigrantes está ultrapassada pela liberdade de circulação de pessoas no interior da União Europeia.
Fico ao dispor para qualquer ajuda ou esclarecimento.

José Barros disse...

O caso do Mathis não é isolado. Talvez os portugueses tenham mais capacidade de resistência e não se vejam tanto os seus sofrimentos... mas casos destes não faltarão se quisermos ter olhos de ver. Ao Mathis aconteceu-lhe isto num momento em que um jornalista passou por ali, e no mesmo momento em que temos um Embaixador em Paris mais atento. É só.
Porque muitos vexames ficaram e ficarão por exprimir... Vejamos só os casos em que os portugueses foram repetidas vezes rejeitados das listas do alojamento social só porque um dia um qualquer sociólogo disse que não se deveria ultrapassar uma certa percentagem de estrangeiros no interior dos complexos HLM e como os portugueses resolveram, sozinhos, o problema do alojamento primeiro na construção (i)legal de bairros de lata nos subúrbios das grandes cidades e depois evoluindo para melhores condições mas à custa do seu próprio esforço, comprando. Também para a aprendizagem da nossa língua as dificuldades sempre estiveram presentes. Mais dificuldades para aprender o português que o Russo, por exemplo, quando o português como língua falada, no interior do território francês, deve estar em segundo ou terceiro lugar. Em todo o caso muito à frente do Russo. E não será exagerado afirmar-se que os emigrantes em França, para que os filhos aprendessem a língua materna, puxaram mais vezes pela carteira para pagar os estudos do que manifestaram o seu protesto de descontentamento!
Se aparentemente isto nada tem a ver com o Mathis, e se os muitos casos de sucesso da nossa comunidade “escondem” os casos de menos sucesso, convém não esquecer que a emigração não é o idílio paradisíaco que muitos pensam.

Fernando disse...

Muito bem Senhor Embaixador.
A diplomacia deve estar sempre na primeira linha da defesa dos nossos concidadãos.

Luis Filipe disse...

Concordo com o Senhor Embaixador naquilo que escreve na carta ao miúdo.
Este é "tendencialmente" um Mundo Europeu pacífico. Mas todos sabemos que o outro mundo, o mundo dos "ismos" não é tão pacífico assim. E ele há tantos: veja-se que até há fundamental(ismo), club(ismo), Hooligan(ismo).
Ser Embaixador não é apenas um protocolo, é algo muito maior.
Não tenho que dar os meus parabéns por esta carta. Tenho pena de não saber ser tão bom na escrita como o é o Senhor Embaixador. Portugal está de parabéns, isso sim, por ter tão dignos representantes.

Luis Morgado disse...

Parabéns senhor Embaixador. Orgulho-me desta sua carta!

Anónimo disse...

O Sr Embaixador fez aquilo que lhe competia, de uma forma inteligente, honesta e bastante ilucidativa. É natural que grande parte das pessoas não percebe sequer o que ele disse. São as mesmas que seriam as primeiras a atacar caso o miúdo tivesse tido problemas graves na escola. Só quem não vive com os pés assentes na terra é que não percebe a realidade e as questões intrínsecas de cada país.

M. Barata Simões disse...

Antes de mais saudar a carta do nosso embaixador. Um diplomata e de mérito. O que não é surpresa
Confio que a sua acção tenha ido para além da excelente carta.
Permitam-me recordar que a palavra chauvinismo tem - ao que sei - origem gaulesa. (do antropólogo N. Chauvin). C'est pas par hazard!
Já agora lembro que uma criança algures na Indonésia mereceu tanta atenção a nível internacional por resistir após o terrível maremoto, e também usava uma camisola da selecção internacional portuguesa - e assim correu mundo. Com orgulho.
Fraternité, Égalité?

Rui Morgado disse...

Sr. Embaixador

Parabéns pelo texto.

É Miserável a proibição de entrada numa escola francesa só pq o miúdo levava a camisola da nossa selecção. Como se tivesse ido de burqa.
Estava em Dublin na noite em que a mão de Henry carimbou o passaporte dos franceses para o mundial. Indignei-me tanto como os Irlandeses. Odeio roubos e o facto de ser do sporting torna-me sensível à ma...téria...Como escreveu Santiago Segurola, o pior q aconteceu à França foi mesmo ir ao mundial. Não foi a mão de deus mas do diabo.
cumprimentos

Rui Morgado

Rui M Santos disse...

Parabéns!!!!
É um orgulho ser representado por um Embaixador com a classe de Francisco Seixas da Costa !!!

maria sancho disse...

Li com atenção a história do Mathis e até acho que o embaixador foi muito delicado, ao contrário de alguns comentários com vocabulário menos próprio para quem se quer dirigir a um público que nem sempre faz parte do grupo de amigos, também observei que para certas pessoas, infelizmente, vivem para o futebol fazendo muitas vezes figuras ridículas a proveito de alguns que vão metendo ao bolso fortunas, e ainda li alguns comentários fazendo referência a valores, sem saber o que estão a escrever. Penso que esta Europa anda completamente doente, por isso é que estamos neste estado….. Concordo plenamente com a professora, concordo plenamente com o Embaixador e em resposta a alguns comentários que li, transcrevo as palavras do primeiro ministro da Austrália. Se o mundo pensasse assim, não chegaríamos, de certeza, à anarquia em que estamos.
Isto sim, são valores, são regras, é educação…. Que é o que falta à maioria da pessoas….
Esta deveria ser uma regra no mundo todo. Quem quer mudar residência para outro país e se integrar ali, ...BEM-VINDO, mas se quer impor qualquer coisa pessoal naquele país em que deseja viver... TCHAU, vá-se embora... ADEUS. Não são as pessoas que nos visitam que vêm mandar na nossa casa.

O mundo inteiro precisa de um líder assim!

“ IMIGRANTES, E NÃO OS AUSTRALIANOS, TÊM QUE SE ADAPTAR. SE NÃO ACEITAREM, VÃO EMBORA.
'Esta nossa cultura foi desenvolvida através de dois séculos de lutas, experiências e vitórias por milhões de homens e mulheres que buscaram liberdade.
'Falamos principalmente o INGLÊS, não espanhol, libanês, árabe, chinês, japonês, russo ou qualquer outro idioma. Então, se você desejar se tornar parte de nossa sociedade, aprenda o idioma!'

'A maioria dos australianos crê em Deus. Não se trata de um movimento direitista político, mas um facto, porque homens e mulheres cristãos fundaram esta nação em princípios cristãos, e isto está claramente documentado. É certamente apropriado exibir isto nas paredes de nossas escolas. Se Deus o ofender, então sugiro que você considere outra parte do mundo como seu novo lar, porque Deus faz parte de nossa cultura.'

'Aceitaremos suas convicções e não questionaremos porquê. Tudo que pedimos é que você aceite as nossas, e que viva em harmonia e desfruto pacífico connosco.'

'Este é NOSSO PAÍS, NOSSA TERRA e NOSSO ESTILO DE VIDA e nós lhe permitiremos toda oportunidade para desfrutar tudo isso. Mas uma vez que você acabe de reclamar, lamentar e se queixar sobre Nossa Bandeira, Nosso Penhor, Nossas Convicções Cristãs ou Nosso Modo de Vida, eu recomendo fortemente que você tire proveito de uma outra grande liberdade do australiano, 'O DIREITO de IR EMBORA.''
'Se você não está então contente aqui PARTA. Não o forçamos a vir aqui. Você pediu para estar aqui. Assim aceite o país que VOCÊ aceitou.”

Principalmente os Europeus, depois de tudo o que se anda a passar pela Europa devíamos de ter esta coragem para começar a falar e a expressar as verdades. E podemos começar por não nos melindrarmos com assuntos mesquinhos ligados ao futebol. Há coisas mais importantes para resolver no mundo, por exemplo, o atentado à natureza da BP, etc…etc… a professora decidiu, está no País dela, o aluno só tem que obedecer… escola não é local de clubismos…. Se não houver farda existe roupa que se costuma vestir todos os dias, e esta de certeza não é vestida por aquele aluno diariamente….

Rui Santos disse...

"Correspondente da LUSA" e escreve "apetece-se" em vez de "apetecesse"!!!???
A língua portuguesa é o nosso maior património. Defendê-la e fazer bom uso dela é uma obrigação de todos!

Anónimo disse...

Exmo. Sr. Embaixador,

Aguardo da sua parte reacção junto das autoridades francesas ao caso Mathis. Isto envergonha Portugal e todos os Portugueses. Devemos de imediato retirar símbolos de nacionalidade francesa que os meninos franceses mostram ? e que se encontram no nosso território francês ? Não me parece obviamente uma boa solução.

Aguardo sua resposta. Acompanho o desenvolvimento deste caso no seu Blogue que retranscrevo e alimento para todos os jornais nacionais através da plataforma Twitter

Philippe Simões

Anónimo disse...

Palavras a um embaixador,

Sinto-me honrada por Portugal ter uma pessoa como o senhor a representá-lo, as palavras que dirigiu ao pequeno Mathis denotam uma sensibilidade que é incomum ver-se nos cargos políticos.
Tenho, por isso, esperança que a sua carta seja exemplo noutras áreas.
Obrigada/
Paula Simões

Jaime Pinto disse...

Carta inteligente.
Menino e pais corajosos.

A selecção nacional de futebol de França é um espelho da actual sociedade francesa. A posição da directora da escola demonstra o quanto essa senhora anda perdida e assustada.Para bem de todos, façamos votos que os franceses encontrem o Norte.

Anónimo disse...

Parabéns ao Sr. Embaixador
Sou da Ilha da Madeira e moro no Brasil. Costumo dizer or aqui que Português e negro teem que provar duas vezes que são bons no que fazem.
Apesar da propalada igualdade racial o negro ainda sofre muitos problemas de integração e o português... bem, são as piadas que nos intrestecem. Não me preocupo muito com as piadas pois digo que o português aprende rápido e, mais do que isso, veste a camisa das empresas em que trabalha. Talvez seja por isso que nosso sucesso no exterior seja tão grande, ao contrário da nossa terra onde veeem no retorno dos emigrantes uma competição desleal nos empregos.

Anónimo disse...

São os sinaias da desorientação em que está a França. Começa na politica, passa pelo futebol e acaba na limitação dos cidadões se exprimirem como sentem.
Viva Portugal e a multicultura.

jamado disse...

Grande Povo que tem um Embaixador que escreve assim!

Graza disse...

Os olhos turvaram-se e a garganta fraquejou.

Parabéns Sr. Embaixador, esta carta enche-me de orgulho.

José Carlos Costa Reis e Silva disse...

Não concordo com o politicamente correcto. Os garotos andam vestidos com T-Shirts dos EUA e não são admoestados, pois é "très chic". Então, um americano em França pode vestir os seus filhos à americana, pois isso dá-lhe "status" enquanto que o filho de um português não pode fazer o mesmo pois denota falta de integração.

Gosto muito dos franceses mas sou Professor do Ensino Secundário em Portugal e nunca me passaria pela cabeça admoestar um aluno estrangeiro porque vem com uma T-Shirt da Ucrânia, da Moldávia, de Cabo Verde, do Kosovo ou da Letónia, como tenho.

Aqui, fazemos Projectos multiculturais em que damos valor às diferentes culturas.

Pelo que conheço das Escolas Francesas, isso foi obra de um Director com mau feitio ou que acordou nesse dia mal disposto.

Não acredito que isso seja geral...

ZEUS8441 disse...

Concordo perfeitamente com a decisão da Directora da Escola,dada a minha experiência em matéria de ensino do Português em França, a alunos da idade daquele que é hoje objecto de alguma celeuma,durante mais de 30 anos.

A questão, a meu ver, não se coloca dentro da sala de aula,onde a disciplina se impõe mais facilmente.O problema coloca-se no pátio de recreio,onde a prática do futebol domina entre aquele tipo de alunos.A eliminação da França é um factor de peso no comportamento dos alunos franceses, em relação àquele aluno português,portador dum "maillot" da selecção nacional.Apesar da vigilância do pátio de recreio por professores escalados para o efeito e portadores até dum apito de árbitro para chamar a atenção dos alunos para alguma falta grave que esteja a ser cometida,o certo é que as crianças são extremamente violentas umas para as outras em determinados aspectos e o futebol também é paixão entre elas.
Uma agressão ao aluno português teria reflexos nos encarregados de educação que,à hora de entrada e sobretudo à hora de saída,isto é,16H30 ou 18H00,no caso de sala de estudo,poderia eventualmente inflamar os ânimos,dado que são dezenas ou até centenas de encarregados de educação à porta das escolas francesas, para receberem os seus educandos.
Só quem desconhece este facto pode aqui invocar situações xenófobas ou outras.Não direi que as não há por vezes,mas,neste preciso caso,a directora agiu conscientemente da melhor forma e deve até ser louvada por isso.
Tenho a sensação,Senhor Embaixador,que a carta de V.Exa. é daqueles actos reveladores de algum desconhecimento sobre o comportamento de crianças francesas e de outras nacionalidades,incluindo logicamente a portuguesa,sobretudo durante o periodo do recreio,com a prática do futebol.Não tivesse a França sido eliminada e estou certo que o nosso Mathis poderia ter surgido, com toda a naturalidade, com a camisola das quinas.Pondere-se é a dor das infelizes crianças gaulesas.Quantas vezes e quantas crianças portuguesas surgiram,em outras ocasiões,que não a presente em causa,com camisolas nacionais?Dezenas de vezes e milhares de alunos,Senhor Embaixador!!!
Contudo,é preciso lidar diariamente com as situações, para podermos compreender e aquilatar dos diversos condicionalismos que vão surgindo,no ambiente escolar.
Grave ou gravíssimo é a actual situação da difusão do Ensino do Português em França ou até no Mundo com a actual politica do governo da simpatia partidária de V.Exa.Com professores contratados e pagos praticamente à hora,quais "femmes de ménage",com um ensino secundário em associações sem programas,sem certificação ou homologação de conhecimentos,é o verdadeiro descalabro.Longe vão os tempos da expansão,dos exames de equivalência de estudos,das acções interculturais,dos professores de apoio regional,etc.etc.Hoje é o periodo do facilitismo e da contenção orçamental para a nossa desgraça e dos nossos "Mathis" espalhados pelo mundo.
Se aceitar um conselho,dir-lhe-ei,Senhor Embaixador,procure preservar as Secções Internacionais,por exemplo,no Lycée Montaigne,no de S.Germain en Laye,no Balzac,etc.e alargar o seu número.É a única coisa boa onde o socialismo ainda não conseguiu destruir,mas para lá caminha com a questão da lingua materna.

Os meus cumprimentos

ISAIAS AFONSO
ex-Prof.de Lingua e Cultura Portuguesas em França
Ex-Prof. de História no Lycée Montaigne
Ex-Responsável do Sector de Orientação Pedagógica para a Cultura da Coordenação do Ensino do Português em França,serviços da Embaixada de Portugal em Paris.
Ex-Prof.de Cultura Portuguesa na Universidade de Versailles

SOUSA disse...

EXMO. SR. EMBAIXADOR
INDEPENDENTEMENTE DA CARTA QUE ESCREVEU AO MATHIS, QUE ME APRAZ LER, ERA TALVEZ MELHOR QUE NA SUA QUALIDADE PUDESSE INTERVIR JUNTO DA ESCOLA E MANIFESTAR A SUA DICORDÂNCIA.
COM EFEITO, NÃO HÁ RAZÃO NENHUMA PARA QUE A PROFESSORA LHE TENHA RECUSADO A ENTRADA NA ESCOLA COM A CAMISOLA DE PORTUGAL. É UMA VERGONHA. SERÁ QUE A PROFESSORA ESTÁ A CONFUNDIR O VÉU COM A CAMISOLA. AONDE É QUE VAMOS CHEGAR COM TANTO ABUSO DE AUTORIDADE E SOBRETUDO. INFORMO IGUALMENTE QUE OS FRANCESES SÃO EM REGRA GERAL BASTANTE RACISTAS COM OS ESTRANGEIROS E EM PARTICULAR COM OS PORTUGUESES QUE SÃO REGULARMEMENTE MALTRATADOS NAS "MAIRIES" E OUTROS ORGANISMOS FRANCESES.

LP disse...

O meu comentário é aquilo que escrevi no meu blog, no qual incluí a sua carta por a achar um exemplo de comunicação ao nível de quem a lê e pelo seu conteúdo pedagógico:

...angustiantemente, como o ser humano é de visões curtas quando estão em jogo os sentimentos, interesses, orgulhos, bem estar, esforço, humanidade, produtividade, cooperação, altruísmo enfim, tantas posturas que a ninguém faria mal mas sim bem, e isso só porque somos uma sociedade dividida e explicada biblicamente pelo episódio da "Torre de Babel", decidi escrever estas linhas para me juntar à indignação, não da directora da escola, sim à estupidez e egoísmo humano que não aprende que o bem estar do semelhante é o bem estar próprio e levou, muito bem, a directora, a tomar a melhor opção para evitar "motins infantis", ao proibir Mathis de entrar na escola com a camisola da selecção portuguesa.

Ao Mathis: desejo que continues a sentir-te orgulhoso das tuas nacionalidades!

Ao Sr. Embaixador Francisco Costa: obrigado pela bonita carta e muito pedagógica!

Aos nossos pares terráqueos: sejamos tolerantes e educados!

Aos franceses: o nosso ascendente e vosso Rei Roberto II trisavô do nosso primeiro monarca e fundador do reinado português, D. Afonso Henriques, não deveria ficar orgulhoso por no País dele ainda lidarmos assim uns com os outros.

Francisco Agarez disse...

Senhor Embaixador,

Permita-me que lhe diga que há alturas em que não invejo o seu papel, mas que me revejo sempre na forma como o desempenha! Um grande abraço
Francisco Agarez

Moscatelroxo disse...

Volto a este, citando Voltaire;
« A tolerância é património da razão », Ora, no país, da igualdade, liberdade e fraternidade, entender um simples estado da alma ( alegria pela vitória de Portugal, simbolizada pela t-shirt ), como manifestação de um tipo de cultura, julgo que, não faz qualquer sentido...

Anónimo disse...

Senhor Embaixador

Como Português sinto orgulho por o meu país contar com um diplomata como V. Exa. E sinto inveja por não ter o meu país representado aqui (...) por uma pessoa da sua estirpe. Mas parece que Seixas da Costa há só um.

PERMITI-ME RETIRAR DESTE COMENTÁRIO O NOME DO LOCAL (FSC)

Maria Jorge disse...

Sr Embaixador,

A sua carta é muito louvável do ponto de vista da diplomacia, mas, apenas e só. Imagine,Sr embaixador, eu sou directora adjunta de uma escola onde estão repesentadas todas as secções línguisticas dos 27 países e como é natural estes meninos trazem frequentemente camisolas dos seus países de origem.Este é o contributo deles para o enriquecimento da pluralidade em que vivemos. Imagine Sr Embaixador que eu faria o mesmo que a Sr directora da escola francesa? A atitude desta directora é absolutamente anti pedagógica e parece pouco familiarizada com aquilo que mais se defende para um mundo intercultural. Será que terá esta directora ouvido falar de escola multicultural, onde a multiculturalidade é a melhor fonte de aprendizagem do "saber ser" e "saber viver juntos"? Afinal foi um compatriota desta Sr Directora que apresentou os 4 pilares da educação para o século XXI " Educaçao um tesouro a descobrir".
Cumprimentos
Maria Loureiro

Anónimo disse...

Devemos interrogar-nos o que leva uma Directora de escola a discriminar uma criança de 5 anos, por ostentar as cores do país dos seus pais/avôs? estes casos não são novos e acontecem em locais de forte concentração de comunidades emigrantes, porquê?, porque estes directores assumem funções em locais que de todo lhe interessam, são “promoções” que soam a castigo, ser Director de uma escola em Massy é diferente de ser Director do Lycée Henri-IV, e tudo se resume a quem a frequenta. Director de escola de Portugueses, Marroquinos, Argelinos, Senegaleses, Marfinenses…pode ser desde que não se veja!
P.S. Fui emigrante de 2ª Geração mas felizmente hoje vivo em Portugal.

Anónimo disse...

É a primeira vez que escrevo um comentário num blog, mas não pude deixar de o fazer: mais do que a selecção portuguesa, ou os meninos que se orgulham dela, honra-me ser representada por um embaixador que não só se "dá ao trabalho" de escrever uma "Carta ao Mathis", mas de escrever ESTA carta ao Mathis - uma verdadeira lição de cidadania e bom senso.
Parabéns, Sr.Embaixador e continuação de bom trabalho!

Rogério Monteiro disse...

Sr. Embaixador,

E se uma criança em Portugal levar a camisola da Ucrânia para o jardim-escola?
«Mon Dieu de la France»

Anónimo disse...

caro sr. embaixador
concordo com a sua atitude ficando até sensibilizado com a mesma. como todos sabemos violência gera violência.a frança é um país multicultural e as pessoas não podem esquecer que o que para n´s no parece banal para outros poderá ser interpretado como uma ofensa. parabens sr. embaixador e parabens Mathis nunca tenhas vergonha de portugal. p.s. ...viver não custa...custa é saber viver.
Rui Adriano

RM disse...

Até compreendo o tom diplomático de quem "embaixa" em Paris, mas «se calhar, na tua escola há meninos da Coreia do Norte...» é de morrer.
Sugiro que melhore o mau humor. Será que um menino da Coreia do Norte de cinco anos não é tão menino como o Mathis? Ou será que a intenção do Mathis era provocatória? For God sake...

RM disse...

Sr. Anónimo,

Referiu «como todos sabemos violência gera violência», isto é o facto de Mathis ter levado uma camisola da seleção é um acto de violência. Ou os meus padrões estão corrompidos? Reveja os seus.

Carlos Macedo e Couto disse...

Tentando usar da mesma diplomacia de palavras, diria que há muito que não via um gesto de luva branca tão bem aplicado como essa leve referência aos meninos coreanos.
Brilhante, aliás como todo o restante texto escrito para o Mathis que é uma lição de urbanidade e universalismo que nos deixa orgulhosos.
Já vive o suficiente para, por diversas vezes, me ter sentido orgulhoso de ser Português, mas recordo especialmente uma entrevista dada pelo Presidente Sampaio à BBC, no programa Hard Talk, e, agora, este seu texto dirigido ao Mathias que é uma lição de vida e diplomacia ao mais alto nível.
É nestes momentos que sinto o quanto é bom SER PORTUGUÊS !!!
Pouco tenho para oferecer, mas como vivo em Macau faz agora 28 anos, caso aqui passe terei o maior prazer de o receber na nossa "embaixada", a Casa de Portugal em Macau, mesmo defronte ao nosso Consulado, onde também será bemvindo, quem sabe, com a camisola da nossa selecção.
Obrigado
Carlos Macedo e Couto

Anónimo disse...

Parabéns ao Sr. Embaixador pela carta sensível que escreveu. Mas temos também de dar os parabéns à mãe do Mathis, que apesar de francesa, respeita os gostos do filho. Os valores essenciais, entre os quais os de cidadania, ensinam-se desde logo nas famílias, e pelo exemplo dos pais, podemos ficar descansados pelo Mathis. Mas fico preocupado pelos valores de cidadania que a escola lhe está a transmitir.

Por fim, não posso deixar de manifestar tristeza pelas afirmações do S. Isaias Afonso (que respeito, mas com que não concordo): "Pondere-se é a dor das infelizes crianças gaulesas". Mas o Mathis é "gaulês"! e como tal, até na França, tem direito à diferença.Quem sabe se o uso da camisola da selecção das quinas não foi antes um sinal de protesto pela infelicidade que lhe causou a desastrosa selecção gaulesa.
Pondere-se antes a dor das crianças portuguesas (mesmo aquelas meio gaulesas como o Mathis) que quando da derrota de Portugal com a França no mundial, tiveram que "aguentar" com as manifestações de gaulesismo.

Anónimo disse...

A ditadura do saber!

Narcicista docente?... terno pedagogo?
Não cumpriu verdadeiramente a função educativa, não no sentido de socializar a "sociedade" mas no sentido de socializar a escola.
Estimado Mathis , este facto faz parte da tua construção. Continua,vai aprendendo a ler e a contar.

Francisco, elogio para esta sua "carta".
C.Falcao

tsiwari disse...

Gostei da carta, claro, mas ainda mais da atitude.

Nos pequenos gestos se vê a nobreza das grandes almas.

Parabéns.

P.S. - Sem querer abusar, mas por julgar oportuno, ouso remeter a sua atenção para http://4thefun.blogspot.com/2010/06/ccclxxxiii-si-vous-avez-le-temps.html - há coincidências felizes...

Anónimo disse...

Fiquei boquiaberta com tal notícia...bonita carta do Sr Embaixador, ternurenta até. Lamentável incidente. Adorei o Mathis :-) tão pequenino e já ostentando os símbolos dos seus antepassados!

maria disse...

Com certeza não foi a primeira vez que um menino apareceu vestido com uma camisola do clube ou da selecção da sua preferência.Como agiu a Directora nestas circunstâncias? Será que agiu sempre da mesma maneira? Os meninos gauleses(mas o Mathis também é)nunca levaram a camisola do seu país? Se calhar era uma boa altura para explicar às crianças que em casa do Mathis cada um tem as suas preferências e com certeza a mãe torce pela França. Mas a França que foi ao mundial sem o merecer(perguntem aos Irlandeses)foi um nódoa e a senhora directora devia estar aborrecidíssima nesse dia.

www.qfojo.net disse...

Senhor Embaixador
Orgulho-me da sua atitude e da carta que escreveu...pena que o destinatário não tenha recebido uma carta que entenda ( o vocabulário não está de acordo com o nível etário).
Por qualquer forma o destinatário indiecto conseguirá entender. Um grande abraço de um ex emigrante qeu tem muito orgulho do seu passado. Obrigado

José Martins disse...

Senhor Embaixador,
Longe estaria eu de pensar que a "Carta ao Mathis" iria voltar em fenómeno e continua a discussão, com (até agora) 58 comentários.
.
A camisola do Mathis, estou convicto que não vai acabar num conflito diplomático de que teria o senhor embaixador Seixas da Costa, retirar da naftalina a casaca "à grilo" e dirigir-se ao Palácio do Eliseu, decorado com todo o rigor e à entrada dos portões ao som de vuvuzelas.
.
Depois, com toda a pompa protocolar, recebido pelo presidente Sarkozy e resolverem, os dois, a questão do Mathis não poder entrar com a camisola das Quinas na sala de aulas.
.
Uma simples camisola também pode gerar conflitos e na opinião, patriótica, portuguesa está a fazer história dado que a carta do Mathis segue com 58 comentários. Digno de registo!
.
A meu ver o professor/a naquele dia estava de má catadura e houve imbirração em relação à camisola do Mathis.
.
Não poderemos meter todas as camisolas nos mesmos cabides lá porque o jovem estudante, português, não pode entrar com a camisola do seu país na sua sala de aulas que poderia ser tolerada em outra desde que o mestre/a não se quedasse de mau humor ou mesmo tenha passado uma noite, terrível, de insónias.
Saudações de Banguecoque
José Martins

Anónimo disse...

Parabéns pela carta! Um exemplo da verdadeira diplomacia. Quanto ao episódio, acho bem, se tenha sido no sentido de proteger o Mathis, DESDE QUE não fosse permitida nenhuma outra camisola do genero, incluindo a da França! Cris (brasileira)

Francisco Seixas da Costa disse...

Caros comentadores:

Não me é possível responder individualmente a cada uma das pessoas que se deu ao cuidade de deixar um comentário neste post. A todas agradeço.

Naturalmente, fico muito sensibilizado pelo modo muito simpático e amável como alguns dos comentadores se referiram à iniciativa da "Carta ao Mathis".

Outros comentadores - no seu pleno direito - discordam do post e da iniciativa, por razões várias que ficaram expressas. Cada um pensa pela sua cabeça. Tal como eu.

Jorge da Paz disse...

Bravo Sr. Embaixador!

Congratulo-o pela sua didática e pedagógica carta, especialmente pelo humanismo universalista que, aliás, é timbre dos portugueses.

E fez muito bem em convidar o Mathis para ir à nossa Embaixada.

Cordiais cumprimento,
Jorge da Paz Rodrigues

ZEUS8441 disse...

Que seria do amarelo se ...etc.etc.

Ainda bem que,em determinados aspectos da carta de V.Exa.,nem toda a gente está de acordo,mau grado a tendência da politica que V.Exa.aprecia, desejar um gosto uniforme,como se verificou e se verifica no trabalho insano para controlar órgãos da comunicação social portuguesa,quando desagradam ao poder.

Aliás,este caso em França,trazido à estampa pelo jornalista socialista Daniel Ribeiro,pai duma antiga aluna minha do Lycée Montaigne,e acompanhante jornalista de todos os candidatos socialistas pelo Circulo da Europa,em eleições legislativas,e ainda ex-Director da Radio Alpha,igualmente de tendência socialo-comunista,vem cair,como sopa no mel,para a tal politica de esquerda contra a direita do actual poder no hexágono europeu,em que é igualmente de bom tom ser acompanhada por uma carta paternalista de V.Exa.
Talvez tivesse sido mais interessante e menos suspeito que a Conselheira Cultural da Embaixada que V.Exa. dirige e Coordenadora do Ensino do Português em França se tivesse pronunciado sobre o caso.Preferiu V.Exa arvorar a bandeira do patriotismo ou do nacionalismo,talvez porque a sensibilidade matemática da dita senhora não se compadeça com a discussão sobre o caso do Mathis, ou porventura por falta de sensibilidade literária,tão necessária para quem dirige um departamento de Lingua e Cultura Portuguesas,mas que lhe faltou e continua a faltar-lhe.
São os tais caminhos ínvios da nossa administração,vá-se lá saber por quê???!!!!
Para finalizar,muitas camisolas da selecção portuguesa irão surgir nos espaços escolares,se Portugal for campeão ou desaparecerão paulatinamente,desde que sejamos eliminados.
Nessa altura,a esquerda não verá qualquer interesse em relatar o facto,salvo se outros Mathis forem agredidos e encarregados de educação envolvidos em desacatos,por causa da "xenofobia" da direita do actual poder.Para bom entendedor....

RESPEITOSOS CUMPRIMENTOS A V.EXA.

ISAIAS AFONSO

Anónimo disse...

Mathis,
Não deixe que o tratem por tu pela mesma razão que só deve tratar por tu a quem ama.
(Barbara - Jacques Prévert)
Nuno

Paulo M. A. Martins disse...

Caríssimo
Embaixador Francisco Seixas da Costa,

Com os meus parabéns, quero expressar-lhe o quanto me sensiblizou e comoveu a "Carta ao Mathis".

Ele, o "petit" Mathis, por direito próprio, é credor de toda a nossa admiração e carinho, pois a atitude demonstrada foi uma lição para muitos adultos portugueses!

Li, atentamente, muitos dos comentários exarados nesta postagem e, como tal, não me vou pronunciar sobre a sua qualidade humana.

Se me permite, prefiro contar uma pequena história, verídica, passada comigo, em 1973.

Estudei no Lycée Français Charles Lepierre, em Liboa, ao longo de 10 anos, assim como, hoje, sou aposentado do Crédit Lyonnais (Portugal), SA, onde trabalhei durante 18 anos. O que significa dizer que, de certa forma, domino bem a língua e a civilização francesas.

Um dia, o director-geral do Crédit Lyonnais (Portugal), SA, francês de nacionalidade, convidou-me para almoçar com ele a que eu acedi ao convite.

Durante o almoço, olhando para a lapela do meu casaco deparou-se com um emblema do Sport Lisboa e Benfica. E questionou-me:

- "Paulo Martins, você usa o emblema no casaco mesmo dentro do Banco, no contacto com o público?"

Imediatamente, todo orgulhoso do meu Benfica, respondi-lhe:

- "Claro, Senhor Director!"

Calou-se durante uns instantes, para, depois, me responder:

- "Paulo Martins, por favor, não entenda as minhas palavras como uma crítica objectiva e, muito menos, uma proibição.

Vistas bem as coisas, não nos assiste o direito de ferir susceptibilidades a quem quer que seja. Muitas pessoas não ligam, mas outras poderão interpretar como uma provocação..."

Acabei por ficar apreensivo e pensativo, sem palavras e argumentos, mas logo tinha entendido o profundo alcance das suas palavras.

Na realidade, desde esse dia, deixei de usar emblemas na lapela do casaco, com excepção do escudo e da esfera armilar portugêses, que sempre uso em determinadas ocasiões, independentemente da nacionalidade das pessoas presentes ne evento.

Desconheço se a directora da escola do "petit" Mathis perfilha e adopa uniformente o mesmo critério em relação a todos os seus alunos...

Mas no Lycée Français Charles Lepierre, em Lisboa, sempre me habituei a ver nas lapelas dos casacos do pessoal docente e discente, assim como dos empregados, o emblema da bandeira francesa.

Uma vez mais, Senhor Embaixador, queira aceitar o meu mais fraterno e afectuoso abraço, bem como as minhas mais vivas felicitações, extensivas ao "petit" Mathis.

Anónimo disse...

"A todas agradeço.
Cada um pensa pela sua cabeça.
Tal como eu."
FSC(2010)

Ainda Bem
E ainda Bem que a Reserva do Seu direito de admissão é inclusiva verdadeiramente democrática, nada quadrada... Profundamente Empática,
Poupando-nos às castradoras regras de etiqueta embora respeitadoras e com sentido de oportunidade...

Tenho a certeza que se os meninos gauleses mesmo no infortúnio "Das derrotas que não acredito totalmente deliberadas"ostentassem os seus símbolos de identidade desportiva pelo menos na fase de aceitação dos lutos a que têm direito... Que alguém os inibisse até sem se rir com escárnio e mal dizer...

Aproveito para pedir desculpa ao Mathis por lhe amputar o nome, foi sem querer...
Isabel Seixas

helena disse...

Bem, entre santos e demónios as opiniões dividem-se. É a tal parte da liberdade... Mas complicado é vermos apologias xenófobas a lideres patetas australianos com teorias sobre imigração que a serem implementadas ainda nos havíamos de rir todos. Afinal quando milhares de emigrantes chegaram à Austrália já lá estavam os naturais...o povo aborígene, que pelo que eu sei não falava inglês...e tinha uma forma particular de se vestir e viver... assim como na América central, já para não falar nos índios do norte da América ou de muitos países de África. Só se nós tivermos a infeliz ideia de que de facto a cultura de uns é muito melhor do que a de outros... Eu cá para mim concordo que cada um se exprima culturalmente conforme lhe apetecer apenas salvaguardando direitos e valores humanitários.

P.S. Gostei muito do comentário das parecenças com a Margarida da DREN

CybeRider disse...

E depois do enaltecimento da moral das tropas perante a batalha perdida, Sr. Comandante? Deixamos que nos conquistem o território e que nos subjuguem, ou defendemos o que é nosso também com alma e ganas que nos são próprios?

Esperemos que os exemplos do nosso país e os pais do petiz, lhe possam também ensinar que aquilo que lhe aconteceu foi um acto discriminatório, para que esse menino não se torne um dia noutro sequaz dos violadores dos direitos liberdades e garantias.

A carta ao pequeno é muito pedagógica para o momento, mas a França neste campo não nos está a ensinar grande coisa.

Os meus respeitosos cumprimentos.

CybeRider disse...

Errata:
No meu comentário, onde referi "a moral" leia-se por favor "o moral"; não são só alguns franceses que cometem erros de palmatória.

As minhas sinceras desculpas.

Moscatelroxo disse...

Sr. Embaixador,
Venho aqui de novo, a fim de lhe endereçar os meus sinceros parabéns, pela afluência de opinadores, ao seu blogue, sobre o assunto em causa.
Embora discordando da essência da sua carta, esta é, uma bela prosa e também relevo, a sua condição de Diplomata.
Concordo com alguns e discordo de outros, contudo a liberdade de pensamento e de expressão em democracia, também se exercem assim.
Por fim, proponho que bebamos todos ( aqueles que puderem obviamente ), um cálice de vinho moscatel roxo ( português, porque não conheço outros ) que posso garantir, sossega e liberta a alma, que esta participação merece-o!
E, obrigado Mathis " foste a vítima ", que possibilitou e motivou este belo cortejo de opiniões!

Victor Passos disse...

Caríssimo Embaixador Francisco Seixas da Costa:

Uma vez mais o vejo reagindo com firmeza quando as "cinco quinas" são tratadas com menosprezo. Em poucos terei visto como em si o orgulho do "ser-se português" sem folclores. Quero deixar-lhe aqui, como aquando da "polibiada" o meu apreço por, uma vez mais, honrar Portugal.

Um forte abraço.

Victor Passos

Francisco disse...

Que orgulho! Obrigado sr. Embaixador

CybeRider disse...

Exmº. Sr. Embaixador,

Manifesto-lhe o meu apreço pela exibição do meu comentário anterior, bem como da forma aberta como divulgou a disparidade de ideias que li. Para além desta razão, a fundamental, tenho a referir que me confrange que alguns comentadores tenham confundido as coisas chegando a considerar o pequeno um "aluno português", mas assim somos quando nos apaixonamos.

Por outro lado permito-me discordar da interpretação das palavras de Jacques Prévert que aqui foram referidas, estas são as originais, embora descontextualizadas valham o que valem:

"Et ne m'en veux pas si je te tutoie
Je dis tu à tous ceux que j'aime
Même si je ne les ai vus qu'une seule fois"

Tendo a amar causas perdidas e injustamente repudiados, e tomara que todas as pessoas do mundo me tratassem, a mim, por "tu". Ninguém deveria merecer de nós mais instinto protector e pureza de desígnios que as crianças, elas são o nosso futuro. Bem haja quem as ame ao ponto de as tratar por tu.

Penso que desta forma singela faço jus às palavras de V. Exª. como às do escritor.


Reitero os meus respeitosos cumprimentos

Anónimo disse...

Monsieur l'Ambassadeur

Por acaso deu-se conta de que esse menino, de cinco anos, foi usado paternal ou maternalmente!?
A sua idade não lhe permite discernir as consequências de tal atitude.

Caiu numa esparrela absurda Monsieur!

Veja a equipa francesa, com o número de raças presentes, onde a francesa é praticamente miragem. É este país racista?

Racista, sim, é e foi semppre o povo português e com toda a certeza, disso tem conhecimento.

Receber o menino "carne para canhão" na Embaixada corresponde a uma provocação a qualquer francês.
Como já alguém disse e muito bem, imagine a mesa situação em Portugal...

Anónimo disse...

"Caiu numa esparrela absurda Monsieur!"
(In Anónimo no anonimato)

Na Na...
"Caiu numa esparrela absurda Madame!"
Isabel Seixas

Já aguentei e vi aguentar imagens Nazis com os holocaustos emocionais em turbilhão que isso pessoalmente (me) provoca sem indícios de agressividade só Lástima ... Por razões óbvias...

Está bem
Encetemos a profundidade profunda da psicanálise...
Isabel Seixas

Anónimo disse...

O Homem é a sua circunstância. E se esta notícia do pequeno Mathis me poderia incomodar há 3 anos atrás, presentemente sinto-a como minha, já que desde então resido num País que não o meu (e sim, assim o sinto, assim o sentimos sempre, ainda que a escolha seja totalmente nossa e não mesmo forçada, motivada por condicionalismos que não controlamos).
Duas ou três coisas, então... à Sra. D. Maria Sancho... as suas palavras geram em mim uma sensação de enorme mal-estar. Físico, mesmo! E passo a citar: “(...) Quem quer mudar residência para outro país e se integrar ali, BEM-VINDO, mas se quer impor qualquer coisa pessoal naquele país em que deseja viver...TCHAU.Vá-se embora, ADEUS. Não são as pessoas que nos visitam que vêm mandar na nossa casa”. Nem sei o que lhe diga, senão... que não me parece, baseando-me tão-somente na transcrição que a Senhora fez, que não são, nem remotamente, essas as palavras do PM australiano, que diz “aceitaremos suas convicções e não questionaremos porquê. Tudo o que pedimos é que aceite as nossas e que viva em harmonia”. São interpretações como a que aqui fez, destas palavras que me parecem sábias, que distorcem realidades. Arrisco-me a dizer que nunca viveu fora do seu País. Partilho consigo uma expressão inglesa que reflecte bem o meu sentimento, não de Pátria, mas de Família: “My home is where my hat is”. Por isso, perdoe-me se, não querendo “impor-me”, dou um “cunho pessoal” ao sítio onde vivo... é mais forte do que eu, gostaria de pensar... A minha liberdade termina onde começa a liberdade do outro. Os verbos a utilizar são: “aceitar”, “conviver com”, .... e não “impor”, “visitar” (eu não estou de visita,... eu moro num País que não é a minha Pátria!).
Centrando-me agora no episódio em questão, ainda que possa aceitar que a camisola pudesse gerar alguma polémica, o certo é que não se trata de uma escola com farda obrigatória e, como tal, a menos que fosse uma indumentária atentatória da moral e bons costumes, não tem a Professora do direito de barrar a entrada dum aluno com base na T-shirt duma outra selecção nacional que não a do País em questão. O argumento do “pondere-se a dor” dos gauleses não faz, para mim, qualquer sentido. Dor maior sinto eu, enquanto Mãe, ao pensar que um dia o meu filho, que irá estudar numa escola em que estão representadas todas as nacionalidades da U.E., poderá sentir-se incomodado com a T-shirt que um outro trará.

Anónimo disse...

Parece que este meu (re)comentário será o nº 80, o que só prova o interesse que este tema despertou .Sempre ouvi dizer " que quem não se sente ,não é de boa gente".O importante,a grande lição a tirar de tudo o que se passou é que BOA gente,há,felizmente,em muitos, muitos, países e o que é importante é "ensinar" isto às crianças e a muitos adultos, visto que nunca é/ devia ser tarde para aprender. Foi aqui que os pais do Mathis - bravo, Madame,- fizeram bem e que a professora - li noutro blog que a França tinha perdido na véspera- perdeu uma excelente oportunidade de ser uma BOA Professora,demonstrando que há que saber perder e aceitar os êxitos alheios com dignidade. Muitas crianças passam mais tempo na escola do que com os pais. A função da Escola não é só ensinar a ler e a contar.Tambem deve transmitir valores.E há valores, como o respeito pela diferença e o saber perder- e ganhar - que são universais.

Anónimo disse...

Chego à conclusão que nós Portugas, sempre fomos, somos e seremos um povo muito à frente na civilização.
Mathis a Herói Nacional Juvenil, Já.

I disse...

Belíssima carta!

Carlos Viegas disse...

Parabéns desde o Alentejo Sr.Embaixador!

Anónimo disse...

uma carta mto linda. Mathis, tao pequeno e com mto bom gosto na escolha da camisola. coitados dos franceses, que mau perder sra directora. força portugal

Fenêtre du Portugal disse...

Tudo depende do grau da interdição e da maneira como o acontecimento se passou na realidade.

Em paralelo, não sei se foi dado qualquer tipo de seguimento ao "caso Mathis".

Se não foi contestada a decisão da directora da escola, seria bom, positivo e util, que no mínimo, o caso não ficasse num contexto de visibilidade puramente Lusa, e viesse a ser divulgado para uma área mais alargada à sociedade francesa.

Qualquer dia nem uma camisola de cor amarela se poderá vestir, sob o pretexto de a dita cor não estar presente na bandeira francesa.

O absurdo e a estupidez não têm limites.

A decadência da França já ultrapassou a caricatura.
Nunca mais chega 2012 !

Bela "carta". Parabéns.

Augusto disse...

É pena que só se lembrem que são portugueses quando se fala de futebol. Acaba a taça e acabaram as bandeiras portuguesas nos carros e nas casa e já não se ouvem gritos : PORTUGAL ! PORTUGAL !
Mas que raio de patriotas

ilda leger disse...

Fico muito agradecida a Mr.Embaixador de Portugal pela carta a Mathis.
Apreciei la delicatesse des mots et aussi comme il a raison.
Il ne faut se servir des enfants pour montrer leu patriotisme, ils ont eu tellement de ocasions pour le montrer d'une autre façon.
Laissons nos enfants vivre tranquille et apreciée chaque Pais
avec leur valor.
C'est dans le coeur que les choses

se passe.
Je vi en France depuis 50 ans,quel Pais merveilleux,il me nourrie,il a nourri mes enfants et vivons tranquille.

Merci a tous ,Mme la Directrice a eu raison das sa démarche.

VIVE la France!et le Portugal
I.L

ilda leger disse...

Fico muito agradecida a Mr.Embaixador de Portugal pela carta a Mathis.
Apreciei la delicatesse des mots et aussi comme il a raison.
Il ne faut se servir des enfants pour montrer leu patriotisme, ils ont eu tellement de ocasions pour le montrer d'une autre façon.
Laissons nos enfants vivre tranquille et apreciée chaque Pais
avec leur valor.
C'est dans le coeur que les choses

se passe.
Je vi en France depuis 50 ans,quel Pais merveilleux,il me nourrie,il a nourri mes enfants et vivons tranquille.

Merci a tous ,Mme la Directrice a eu raison das sa démarche.

VIVE la France!et le Portugal
I.L

Anónimo disse...

Nao sejam estupido o pai do menino nao representa Portugal?se elle é patriota que entre em Portugal asim jà pade fazer o que quer?????
Aqui en France arman-se em espertos
Nenhuma educaçao.
Parvos