terça-feira, maio 10, 2022

A Ucrânia que aí vem (em mil carateres)


Nenhum cenário aponta para que a Ucrânia, no termo da guerra, venha a recuperar a geografia que tinha antes de 2014. A Rússia nunca desocupará a Crimeia. Além disso, vai, com toda a certeza, manter, sob o seu controlo, as áreas separatistas do Donbass. Pode mesmo vir a integrá-las na Federação Russa, o que, formalmente, as protegeria mais. Nessa região, contudo, pelo modo com conduz a guerra, a Rússia mostra que pretende ir mais longe, por forma a criar uma “buffer zone” permanente bastante mais alargada do que a que existia a 24 de fevereiro. Outros ganhos que a Rússia alvejará estão a sul, na tentativa de criar um corredor que impeça o acesso da Ucrânia ao Mar Negro, tornando-o num país “encravado”, que dessa forma ficaria sufocado economicamente. A Ucrânia, que, a cada dia, recebe mais ajuda militar ocidental, o que lhe está a permitir “empatar” o conflito, terá como objetivo existencial quebrar esse corredor russo pelo sul. Ambos vão perder a guerra. Só falta saber “por quantos”.

Rainha de Inglaterra


Acumulam-se sinais no sentido da rainha Isabel II estar a iniciar a sua saída da cena oficial, com a próxima abdicação em favor do seu filho. Se isso for feito de forma serena e adequada, a monarquia britânica pode ter ganho uns bons anos mais. Para tal, também é necessário que o novo rei tenha bom senso e, em especial, extrema contenção opinativa, limitando-se, publicamente, a mostrar sorrisos e dizer platitudes - isto é, a ser, constitucionalmente, uma verdadeira “rainha de Inglaterra”. Uma outra variável é, contudo, menos controlável, mas não menos importante para a sobrevivência do sistema: que a restante família se não envolva em mais escândalos e polémicas, que possam dar ao cidadão comum a ideia de que o erário público britânico contribui para alimentar uma cada vez menos aceitável excecionalidade social, num tempo em que as aristocracias e as elites só ganham em não se expor demasiado. O tempo do “glamour” e da atração fascinada pela vidas das princesas e coisas do género, muito reluzente nas revistas do género, parece que já lá vai.

A lei dos números

Ao ocupar a Crimeia e ao promover a secessão de parte do Donbass, em 2014, a Rússia como que ajudou a reforçar a identidade de uma “nova” Ucrânia. O país, por essa nova geografia política, passou a ter muito menos ucranianos russos, pelo que prevalência eleitoral de figuras anti-russas ocorreu com naturalidade. A Ucrânia em que um presidente pró-russo como Víktor Yanukóvytch pôde ser eleito deixou assim de existir.

Original intimação

 


segunda-feira, maio 09, 2022

A feira


Será pelo Covid? Seja lá quais forem as razões pelas quais a Feira do Livro de Lisboa não tem lugar em maio/junho, como manda a tradição, a verdade é que isso violenta o meu “bio-ritmo” de comprador de livros. Ir à feira no final de agosto? Que raio de ideia!

domingo, maio 08, 2022

Guerras

Foi inteligente o discurso de Zelensky, antes do 9 de maio, sublinhando o heroísmo anti-nazi que uniu os povos da antiga URSS, mesmo que a não tenha mencionado pelo nome. Ele sabe que, para além da guerra atual entre russos e ucranianos, houve uma história comum de sofrimento, que ainda perdura na memória de muitos.

Logo se verá!

As teorias sobre o que Putin vai dizer no seu discurso de amanhã têm sido tantas que alguma delas há-de acertar…

A Ucrânia e Lula

O que Lula disse sobre a Ucrânia provocou reações negativas na Europa, onde o tema é hoje considerado quase matéria de fé estratégica. E no Brasil? Terão essas declarações algum efeito nefasto na popularidade do agora já candidato? É que, se assim não for, os EUA e os europeus devem pensar na razão de as coisas se passarem assim por lá.

O aborto de Trump

Se os três juízes nomeados por Trump vierem a conseguir reverter a permissão do aborto vigente desde 1973 (!) nos EUA, abrindo caminho à sua subsequente proibição em muitos estados americanos, o ex-presidente vai acabar por merecer, com justiça, uma “estátua” de gratidão por parte do reacionarismo moralista internacional.

sábado, maio 07, 2022

Brasil


Cada vez encontro mais brasileiros a trabalhar em casas comerciais, um pouco por todo o nosso país. Fazem uma concorrência “desleal”: são muito mais simpáticos! Que sejam muito bem vindos!

E eu morto por lá ir!


Disseram-me que fechou, em definitivo. Não percebo: com um nome tão apelativo, mesmo ao lado do cemitério…

“From Russia with sillyness”…


Ó diabo! Ainda me arrisco a levar com um míssil hipersónico do Kremlin! Logo eu que, em matéria de bares, me fico pelo Procópio…

sexta-feira, maio 06, 2022

Do IRA aos Fenianos


O Sinn Féin ganhou as eleições na Irlanda do Norte. Durante anos, o Sinn Féin foi o braço político do IRA. Quem, no Porto, comprou sapatos na Sapataria Feniana ou dançou no Clube Fenianos sabia que a sua origem eram os “Féin” do radicalismo católico irlandês? Estudassem!

Accordo Ortographico

O ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, disse em Luanda que o governo não tem a menor intenção de rever o Accordo Ortographico. 

Não, não li no “Público”…

Fim de semana

 


Sobe-se a escada e fica-se por ali.

O preço da guerra

Fala-se da presença de mercenários (até portugueses), na guerra da Ucrânia. Lembraria que há uma diferença fundamental entre soldados e mercenários: os primeiros querem que as guerras acabem o mais cedo possível; os segundos ganham “à bandeirada”. Quanto mais longa for a viagem…

quinta-feira, maio 05, 2022

Shalom

Quando chegou ao poder, Putin era considerado um amigo de Israel, país parcialmente russófono e com uma relação de altos-e-baixos com Moscovo. Com o pedido de desculpas pelas palavras insensatas de Lavrov, Putin também se dirige à imensa comunidade judaica da própria Rússia.

America, America

Em muitas partes do mundo, o grande fator divisivo, em termos sentimentais que se transformam em estratégicos, é estar ao lado dos Estados Unidos ou contra eles. A Rússia é apenas uma dimensão colateral e conjuntural dessa “guerra”. Na Europa, isto é menos percetível.

Violações

Convirá que se saiba que as violações pontuais do espaço aéreo de alguns países nórdicos por parte da Rússia, muito reportadas na imprensa, foram comuns ao longo das últimas décadas, não representando, na realidade, nada de novo. A situação de segurança atual é que é nova.

Franco-franceses

A França, contrariamente ao que alguns podem julgar, é um país com um modo muito franco-francês de ser europeu. Com o expectável reforço dos eurocéticos no próximo parlamento, duvido que Macron consiga congregar apoios para um aprofundamento integrador da União Europeia.

"Never"

"Never complain, never explain", dizia Benjamin Disraeli.