Donald Trump foi suspenso do Facebook, como, creio, o tinha sido do Twitter. O que penso do cavalheiro não me leva a simpatizar minimamente com a ideia de que vivemos numa sociedade em que uma empresa de comunicação, sem uma ordem judicial, decide o que se pode ou não publicar.
sexta-feira, junho 04, 2021
quinta-feira, junho 03, 2021
O triângulo
Eu andava deliciado com o meu Golf Diesel, recém-chegado da Dinamarca, com um confortável ar condicionado. Fui pessoalmente buscá-lo ao porto, depois de esperar semanas que o barco acostasse.
Num dos primeiros dias de utilização do novo carro, ao passar pelo Largo Maria da Fonte (a estátua da libertadora minhota, cuja pertinência num lugar central de Luanda era realmente discutível, tinha sido substituída por um tanque de guerra, razão pela qual todos chamavam ao lugar o Largo Maria do Tanque...), sou mandado parar por uma operação policial, de controlo de tráfego.
- O camarada pode mostrar se os "piscas" funcionam?
Claro que funcionavam. O guarda era jovem, delicado, com uma atitude bem simpática.
Mas a cena era surreal. Ali estava eu, com um carro novinho em folha. a ser fiscalizado (depois dos "piscas" foram os "stops" e sei lá que mais), quando, mesmo ao lado, passavam viaturas sem portas, muitas sem pára-choques, algumas sem pára-brisas, outras de faróis "descaídos" por acidentes.
Diga-se que, na Luanda desse tempo, as dificuldades eram imensas, faltava tudo, era um milagre encontrar uma peça de substituição para qualquer veículo, qualquer coisa de natureza material (a começar na alimentação) só era possível de obter através de "esquemas" ou de conhecimentos, nesse caso com quase garantidos pedido de retribuição de favores, a surgirem mais tarde. As escassíssimas lojas abertas estavam quase vazias, às vezes com alguns objetos inúteis, apenas "para encher montra".
Eu levava com grande bonomia a inspeção, tanto mais que de nada valia ter outra atitude. E a "check-list" ia prosseguindo. A certo ponto, satisfeitos até aí todos os requisitos de segurança de tráfego, o "camarada polícia" (nesse tempo, todas as pessoas eram tratadas por "camarada", recordando-me mesmo de uma testemunha de um roubo que, na televisão, se referiu ao "camarada ladrão"...) teve uma última ideia:
- O camarada tem triângulo?
Sabia lá! Fui à traseira do carro e procurei, junto à roda sobressalente. Qual quê?! Os dinamarqueses tinham-se esquecido de pôr um triângulo no carro!
- O camarada sabe que é ilegal circular sem triângulo?
Eu sabia, mas também sabia que, com ou sem triângulo, o meu novo carro oferecia mil por cento mais condições de segurança do que tudo o que, de mecânico, se movia à nossa volta, desde os automóveis à temíveis "Ifas", uns camiões da RDA que, vistos de frente, estavam sempre inclinados para um dos lados ("sempre para a esquerda", assegurava, grave e irónico, o Chico Neto) e cujo sistema de travagem tinha regulares e trágicas deficiências.
- Tem razão, camarada. Não tenho triângulo. Tenho de comprar um. Onde é que se eles se vendem?
A ironia era pesada. Talvez só a alguns largos milhares de quilómetros de Luanda, num país estrangeiro, fosse possível encontrar uma loja onde um triângulo de pré-sinalização pudesse ser adquirido.
O jovem polícia negro fez um largo sorriso, compreensivo, e lançou, amigavelmente:
- Vá com Deus, camarada!
quarta-feira, junho 02, 2021
A vida da RTP
A partir de ontem, a RTP passou a ter uma nova administração. Preside ao Conselho de Administração Nicolau Santos, um jornalista credenciado, com anteriores cargos de elevada responsabilidade desempenhados em órgãos privados e públicos de comunicação social. Compõem ainda a administração Hugo Figueiredo e Ana Dias Fonseca, que já integravam a anterior administração, a qual, nos últimos seis anos, havia sido chefiada por Gonçalo Reis.
Recordo que, desde 2015, num modelo de governação desenhado pelo então ministro Poiares Maduro e aprovado maioritariamente pela Assembleia da República, a administração da RTP passou a ser designada por um Conselho Geral Independente (CGI), um órgão integrado por seis personalidades - duas indicadas pelo governo, duas pelo Conselho de Opinião (um órgão com 32 membros, designados por diversas entidades) e duas outras cooptadas pelos quatro primeiros.
O CGI, um órgão hoje com paridade de género, presidido por um prestigiado professor de Direito, o doutor José Carlos Vieira de Andrade, é composto por personalidades muito diversas, na sua formação e perfis pessoais, pelo que a unanimidade que sempre tem estado patente em todas as suas decisões constitui um sinal importante do rigor que marca o seu trabalho.
Desde 2018, tive o gosto de integrar o CGI, tendo assim sido co-responsável pelas escolhas feitas para duas sucessivas administrações da RTP.
No ano de 2018, foi renovado o mandato de Gonçalo Reis e escolhemos, através de um processo de seleção que implicou o recurso a uma empresa de recrutamento de recursos humanos, os dois restantes administradores. Dos vários nomes possíveis que então considerámos, foram selecionados, atendendo aos seus perfis e currículos, os nomes de Hugo Figueiredo e de Ana Dias Fonseca. Entre 2018 e 2021, eles formaram, com Gonçalo Reis, a administração que passou a conduzir a RTP.
Três anos mais tarde, para a escolha da nova administração, no mandato de 2021 a 2023, o CGI decidiu seguir uma metodologia diferente: abriu a possibilidade ao surgimento de candidaturas, quer espontâneas, quer estimuladas, a serem-lhe apresentadas através de uma outra reputada empresa especializada em recrutamento de recursos humanos, que o CGI contratou para o assessorar.
Não se tratava, contudo, como algumas notícias menos bem informadas foram adiantando, de um qualquer concurso, nem sequer de uma seleção ou “short list” elaborada pela empresa contratada. A esta pediu-se apenas que recolhesse e apresentasse ao CGI todas, repito, todas as candidaturas que lhe tivessem sido apresentadas, fosse espontaneamente, fosse através do seu estímulo a que profissionais qualificados pudessem interessar-se em vir a exercer aquela função.
O CGI poderia vir a escolher uma de entre todas essas candidaturas, às quais se pedia a apresentação de um projeto estratégico para a RTP, mas, no limite, não abdicava da possibilidade da escolha final poder ser feita fora desse mesmo universo, se acaso nenhuma dessas candidaturas se revelasse adequada.
Cada candidatura deveria indicar dois nomes para a administração, um dos quais para presidente e outro para vogal, sendo a designação do terceiro elemento, encarregado do pelouro financeiro, feita posteriormente pelo CGI, mas, e só neste caso, sujeita ao parecer prévio e vinculativo do Ministério das Finanças.
Todo este método foi público e divulgado em pormenor pelo CGI, bem como pela própria empresa de recursos humanos que o CGI contratou para o assessorar - à qual não foi pedido, repito, que interviesse minimamente no processo de escolha.
Constatou-se então que surgiu um número significativo de candidaturas, cada uma acompanhada de um esboço de um projeto estratégico para o triénio. Depois de uma detalhada análise das várias candidaturas, o CGI selecionou algumas, que passaram a uma fase de entrevistas pessoais.
No termo deste processo, o CGI - numa decisão por unanimidade, tal como já tinha sucedido em 2015 e 2018, para as anteriores administrações - decidiu indigitar a candidatura apresentada por Nicolau Santos e Hugo Figueiredo, na base de uma avaliação curricular e da qualidade do esboço de programa de trabalho apresentado. Foi, assim, pedido a esta candidatura que apresentasse um projeto para o seu trabalho, o qual teria de seguir as linhas de orientação estratégicas previamente definidas pelo CGI.
Ana Dias Fonseca, a administradora que já assumira o pelouro financeiro no triénio anterior, voltou a ser escolhida e aprovada pelo Ministério das Finanças, para o triénio seguinte. O projeto estratégico apresentado pelos três membros da equipa presidida por Nicolau Santos viria a merecer a aprovação do CGI, pelo que foi apresentada a sua indigitação para a futura administração.
Sem exceção, tudo quanto deixei atrás escrito foi público e clarificado, a quem quis estar atento a este nosso trabalho. Entendi descrevê-lo com algum detalhe porque se tem constatado o surgimento de leituras deturpadas de um processo que se pretendeu e foi conduzido com a maior transparência.
Devo dizer que, no termo deste processo, que foi laborioso, me sinto pessoalmente muito satisfeito por poder ter contribuído para uma escolha que tenho consciência de ter sido feita com o maior rigor.
***
Completei agora mais de três anos ao serviço do CGI. Foi um período muito intenso em que, com algum sacrifício da minha vida pessoal e profissional, e sem qualquer contrapartida financeira, procurei contribuir, de melhor forma que pude e soube, para a ação de um órgão da RTP que tem trabalhado, de forma discreta mas muito eficaz, pela estabilidade e progressiva melhoria da empresa.
Há já um ano, eu havia anunciado aos meus colegas a minha intenção de sair das funções que ocupava no CGI, em virtude do tempo que isso retirava a outros compromissos e obrigações que entretanto tinha criado. Acedi, contudo, a ficar até ao termo da escolha da nova administração e da avaliação do novo contrato de concessão, tarefas que agora foram concluídas. Sinto-me satisfeito por ter podido dar o meu contributo ao CGI para completar esses objetivos.
A RTP faz parte da vida de todos os portugueses e, por isso, também da minha. Conhecê-la melhor e ter tido ocasião de servi-la foi um privilégio que não esquecerei.
“A Arte da Guerra”
O “estado da arte” na Síria, as consequências das eleições legislativas em Chipre e as tensões em Espanha, em face da nova situação política na Catalunha.
Veja aqui.
terça-feira, junho 01, 2021
Política paga
A propósito de uma polémica que hoje anda pela Global Media, gostava de lembrar que devemos ser dos poucos países democráticos do mundo onde personalidades políticas eleitas dispõem de colunas de opinião em órgãos de comunicação social. É uma espécie de “tempo de antena” pago...
Quem os levasse para a lavoura!
Querem apostar que vai aparecer gente que protestou contra o laxismo “inconcebível“ praticado na festa do Sporting que agora se vai indignar pelo rigor “inaceitável” decidido para os santos populares? Na minha terra diz-se: “Quem lhes atasse um arado!”
A Malta do Chipre
Agora que, por lá, houve eleições, regressou a mania de falar “no“ Chipre.
Estou ansioso pelo sufrágio em La Valetta, para saber dos resultados “na” Malta.
A diplomacia e as touradas
As touradas são uma questão que, claramente, divide o país, como agora, uma vez mais, se está a ver. Não é uma tema esquerda-direita, porque conheço muito boa gente de esquerda que adora uma boa "faena" e figuras conservadoras que detestam a "festa brava".
No que me toca, e desde há muitos anos, sou abertamente contra as touradas. As razões de ser desta posição, que se foi maturando com o tempo, não são para aqui chamadas, nem as vou discutir.
Um dia de 1997, quando negociava em nome de Portugal o Tratado de Amesterdão, o negociador-chefe espanhol veio ter comigo pedindo o meu co-patrocínio para "atenuar" um Protocolo, proposto por um grande número de Estados, para ficar em anexo ao tratado, relativo à proteção e ao bem-estar dos animais. Convicto de que tinha em mim um colega "aficionado", explicou claramente a motivação da iniciativa do seu governo e disse-me que estava certo de poder contar com o meu apoio para introduzir uma salvaguarda nesse protocolo, de forma a evitar que as touradas fossem afetadas.
Lembro-me de ter sorrido e de lhe responder qualquer coisa como isto: "Estás muito enganado! Detesto touradas e toda a suposta "cultura" à volta delas. Mas vou apoiar o que me pedes. Não porque tenha a menor instrução nesse sentido do governo de que faço parte, mas porque sei que, se o não fizesse, podia vir a desencadear em Portugal um debate sem fim. Por isso, estarei contigo a defender o "statu quo" ".
E lá está hoje, anexo ao Tratado de Amesterdão, o Protocolo nº 33 que assinala que, na aplicação de diversas políticas comunitárias, "serão tidas plenamente em conta as exigências em matéria de bem-estar dos animais". Logo de seguida, porém, e ainda na mesma frase, a disposição é diluída com o seguinte texto: "respeitando simultaneamente as disposições legislativas e administrativas e os costumes dos Estados-Membros, nomeadamente em matéria de ritos religiosos, tradições culturais e património regional". Outros negociadores, por diversas razões, juntaram-se a esta "frente ibérica". Lembro-me dos franceses, porque as touradas são "sagradas" numa faixa geográfica que vai da zona basca francesa à Camargue, já na Côte d'Azur.
Não tenho esta pela minha "finest hour" enquanto negociador europeu, mas eu não estava ali em representação das minhas ideias.
O “Ribas”, na Ericeira
Tenho a sensação que, de todas as vezes que almocei ou jantei na Ericeira, acabei por assentar num sítio diferente (verdade seja que gosto de “saltitar” entre restaurantes). Na minha vida, não recordo ter comido muito por lá, talvez uma dúzia de ocasiões. Faço uma ressalva para os três meses de tropa em Mafra, em que se ia jantar com frequência à Ericeira, para tentar atenuar o trauma gastronómico do “almoço” no Refeitório dos Frades -cmas isso ainda foi num tempo em que alguns militantes mais velhos do Chega talvez ainda andassem pela Ação Nacional Popular.
Sempre que amigos e conhecidos me pediam uma recomendação na Ericeira, fiados no mito de que conheço muitos restaurantes, eu hesitava bastante e, a medo, lá acabava por indicar uma ou outra marisqueira - o que é sempre um comodismo fácil em terra de peixe e marisco. Mas, confesso, embora a terra tenha coisas estimáveis, fazia-o sempre sem grande convicção.
Isso acabou este fim de semana! Graças à dica de um amigo que sabe da poda, tive uma experiência magnífica no “Ribas”, bem no centro, junto à muralha onde, em vários anos, ia de propósito de Lisboa, em romagem, comemorar o 5 de outubro, no meu republicanismo radical.
O “Ribas” tem uma sala ampla, confortável e com decoração elegante, com todas as condições de segurança sanitária, importante para os tempos que correm. O serviço é discreto, eficiente, educado, por profissionais muito bem “equipados”, dando nota de uma cuidada “ordem unida” (expressão herdada do meu tempo militar por ali).
E, o que é mais importante, come-se lindamente no “Ribas”! Tem excelente peixe (mas não só), numa lista onde havia muitos mariscos (que, contudo, não experimentei), tudo com uma bela apresentação. A lista é muito equilibrada, tem uma seleção de vinhos muito boa. Os preços são o expectável para uma qualidade geral bem acima da média.
Vou voltar, logo que puder, ao “Ribas”. E, finalmente, já vou poder recomendar, sem hesitar, uma mesa na Ericeira.
segunda-feira, maio 31, 2021
A direita
Deliberadamente ou não, Passos Coelho converteu-se no maior problema da direita. Faz lembrar uma “allumeuse”: nem vai a jogo, nem sai de jogo. Ao não deixar de ser o dom Sebastião por que (quase) toda a direita suspira, seca em permanência o campo político à sua volta. Quem agora estivesse disposto a avançar para contestar a atual liderança do PSD (e, por consequência, da direita), fá-lo-ia “by default”, isto é, apenas porque a Passos Coelho não lhe apetece ir. Essa figura iria ser sempre um “second best”, um genérico de Passos Coelho. Faria recordar as lideranças peronistas sem Perón.
A direita está farta de Rui Rio, o qual, aliás, está farto de dizer que não é de direita, começando a não se perceber bem o que é que, afinal, ele é. Mas já se percebeu que está ali à espera que alguma coisa corra mal a António Costa, na mesmíssima aposta de contar com o desgaste de quem está no poder, que já foi seguida por Durão Barroso. Se Rio sofrer um desastre nas eleições autárquicas, vai acabar por sair pela direita baixa. Percebe-se que Passos Coelho não lhe queira suceder nessa ocasião: depois de ele próprio ter saído de cena como consequência de umas autárquicas em que levou uma “abada” do PS, seria quase irónico que pudesse voltar encavalitado numa derrota similar do seu sucessor. Mas quem vier a seguir a Rio, se este for substituído, será sempre o líder escolhido apenas porque Passos Coelho o não quis o lugar.
Ventura é um imenso incómodo para a direita. É uma figura pouco apresentável, com um discurso desagradável para muita gente decente, a quem não apetece, por compreensíveis razões, misturar-se com aquilo que o líder do Chega hoje representa. Outros, contudo, para quem “tudo menos a esquerda” é o lema, estão disponíveis para mandarem a ética democrática às malvas e dão-lhe ou acabarão por dar-lhe a mão - vê-se isso, a toda a hora, no “Observador”. O Chega é um produto de antigos votantes mais primários do PSD, ao passo que os liberais, de idêntica extração partidária, são um pouco mais urbanos e “finos”. Mas enquanto Ventura pode já ter segurado os seus num registo próprio, pressente-se que os liberais, se acaso o PSD viesse a adquirir uma liderança apelativa e congregadora, ficariam na nossa pequena história política como um epifenómeno passageiro.
Volto ao início. Passos Coelho está a fazer muito mal à direita. E se, como tudo indica, se está a “bater” a Belém em 2026, para o que terá Portas como concorrente óbvio (a gravata agora constante e a “gravitas” crescente já não enganam) numas informais “primárias afetivas” da direita, com isso vai conduzir a sua família política a um tempo próximo muito desagradável.
Para o presidente da República, que ganharia algum espaço de manobra se o governo estivesse a ser melhor “marcado” por uma potencial alternativa à direita, o tempo que aí vem deve ser de alguma expetativa. Marcelo Rebelo de Sousa não quer crises e faz figas para que o PCP e alguns votos esparsos possam ir viabilizando os orçamentos, para o país sair o melhor possível no pós-pandemia. Deixar o PSD no poder, em 2026, será, com toda a certeza, um seu natural objetivo. Isso permitir-lhe-ia fazer o país recordar que Cavaco deixou a “geringonça” a mandar e que foi com ela e, depois, com o seu sucedâneo “soft” atual, que teve de haver-se.
Chega de ambiguidade
O Chega diz que só viabilizará uma solução governativa se o PSD lhe assegurar lugares no governo. Claro como água. Mas ficaria tudo muito mais claro se o PSD declarasse, preto no branco, que nunca formará um governo que inclua o Chega.
domingo, maio 30, 2021
As aparências podem iludir
Em Israel parece estar a ser gizada uma coligação governamental que pode vir a criar, pelo mundo, fortes saudades da “moderação” de Netanyahu.
Culpa rósea
Em Lisboa, a culpa dos festejos do Sporting foi assacada ao presidente da Câmara. No Porto, a culpa é do governo e nem uma palavra sobre a responsabilidade do respetivo edil. Para alguns, onde houver uma crise, a culpa é sempre e só de quem for socialista. Se tiver outra cor, quase sempre safa-se.
Raspa o pobre
Só quem for cego, ou não frequentar balcões de cafés ou tabacaria, é que não vê que as raspadinhas são um flagelo que explora a ilusão dos mais pobres. A mesma lógica que vai levar ao fim das chamadas de valor acrescentado, no serviço público que é a RTP, devia impedir eticamente o Estado de criar novas raspadinhas.
Chega de democracia
Em democracia, os partidos políticos beneficiam de um amplo conjunto de vantagens, fiscais e outras, por virtude do seu contributo para aferir a participação cívica. Parte-se assim do princípio de que quem está no eixo do processo democrático, pratica, dentro de si, a democracia. Porém, no caso do Chega, as suas lideranças locais não são eleitas, são nomeadas. A democracia, essa, fica à porta.
Copianço
Estejam atentos e constatarão: há órgãos de comunicação social portuguesa que vivem a reproduzir informação colhida de outros, dando-lhes honra de destaque e títulos fortes, como se fossem “caixas” próprias. As televisões, então, são useiras e vezeiras neste “copianço” preguiçoso.
Para grunho, grunho e meio!
Interessante e clarificadora foi a expressão do (agora ex-) vice-presidente do Chega (e antigo quadro do MDLP), Diogo Pacheco de Amorim: “Não podemos funcionar dentro da bolha das pessoas bem-educadas porque ... a maior parte das pessoas não o são - e só entendem esta linguagem”.
Descubra as diferenças
Fala-se de uma “geringonça” brasileira para apoiar uma candidatura de Lula à presidência. A dificuldade é que ali há poucos partidos do tipo tradicional, sob voz nacional única, prevalecendo os partidos ”rótulo”, marcados por orientações regionais e fulanizadas, às vezes contraditórias.
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Jornalismos
A conversa, moderada por Maria Flor Pedroso, reuniu no Clube dos Jornalistas três profissionais da área do jornalismo, ao final da tarde da ...





