quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Diplomacia com asas


A propósito da vinda a Lisboa do primeiro-ministro de Israel e do chefe da diplomacia americana, surgiu nas últimas horas por aí alguma expectável urticária política, logo explorada mediaticamente.

Se, em seu lugar, fossem o presidente russo ou o líder venezuelano a pisar o solo português, os tenores desta opereta da indignação seriam outros. Nós conhecemo-los bem a todos...

Quando se não têm responsabilidades de Estado - melhor diria, quando se tem a consciência de que ninguém de bom senso lhas atribuiria - deve ser muito fácil ter, da política externa, tal como da política de defesa, uma visão “angelical”.

Na ótica dos arautos dessa retórica irresponsável, os governos do nosso país talvez devessem manter a firme perspetiva de que Portugal só teria relações diplomáticas, bem como as interlocuções políticas regulares que tal implica, com países cujos líderes e regimes cumprissem os “mínimos”, em matéria de Direitos Humanos e de observância de um comportamento internacional exemplar.

Se acaso seguíssemos os conselhos desses paladinos da “diplomacia com asas”, as trocas comerciais de Portugal cairiam a pique, as empresas portuguesas ficariam afastadas de dezenas de mercados, os nossos cidadãos que (como poucos) andam pelo mundo teriam sérias dificuldades de se estabelecerem e trabalharem, o nosso país, nas organizações multilaterais, deixaria de poder contar com votos essenciais à eleição de seus cidadãos para diversos cargos.

Mas o que é que isso interessa, quando o importante é almofadar as consciências?

Quando não se tem sentido de Estado, perde-se facilmente o sentido do ridículo.

21 comentários:

Anónimo disse...

A Cimeira das Lages foi muito útil ao Presidente da Comissão Europeia, entre 2004 e 2014.

Este sim tinha sentido de Estado!

Anónimo disse...


Tudo bem ... Sr. Embaixador. Portanto, o Sr. A. S. Silva deve pôr-se de cócoras - tal como esteve - perante o ex-chefe da CIA Pompeo. Não foram sequer convidados pelo Governo Português os Srs. Pompeo e Nathanyu, impuseram, simplesmente, a respectiva presença. Quanto ao Sr. Nethanyu ainda não ouvi/li o Sr Embaixador falar sobre o terrorismo exercido pelo sionismo sobre a Palestina e o seu povo desde há mais de 70 anos. Não lhe custa que o Sr. Pompeo venha dar recados ao Governo Português. Portugal é velho de quase 900 anos. O nosso País, Sr. Embaixador, não é uma colónia do imperialismo nem um país-satélite dos EUA. A diplomacia que defende Sr. Embaixador ela, sim, é uma diplomacia com asas …

João Pedro

Joaquim de Freitas disse...

Que o Primeiro-ministro de Portugal receba o PM de Israel, acusado de fraude, suborno e abuso de confiança em três casos de corrupção, é já sem precedente no mundo da diplomacia. E é a primeira vez na história de Israel que um primeiro-ministro em funções enfrenta acusações criminais.

Que o PM de Israel não tenha podido formar um governo, mas continue a ser recebido, também é extraordinário.

Outros governos europeus, mais exigentes do cumprimento dos Direitos Humanos e simplesmente do Direito Internacional, recusaram receber este P.M, segundo o “Jerusalém Post”.

Mas o que é surpreendente é que um PM israelita que está há 13 anos no poder, não tenha sido vítima de nenhum golpe de estado.

Morales só com oito anos de poder não teve o mesmo tratamento. E ele ganhou as eleições.

Porque não podemos esquecer que este PM israelita rouba vergonhosamente a terra dos Palestinianos, e espera pela bênção de Trump para levar duma vez o Val do Jordão.

Se for em Lisboa que o chefe da diplomacia americana toma essa decisão, em nome de Trump , isso significa que Portugal está mal fadado, porque jà foi em Portugal que Bush tomou a decisão de assassinar outro país: o Iraque.

Joaquim de Freitas disse...

Senhor Embaixador : Urticària ?

A Palestina é deliberadamente estrangulada e a sua sociedade destruída. A desigualdade é flagrante e institucional. A desigualdade é flagrante e institucional. As palavras devem ser ditas para descrever o que está em acção: ocupação, colonização, apartheid, crimes de guerra e crimes contra a humanidade, racismo.

Se as crianças da Palestina ainda estão definhando em prisões infames e os filhos de Israel estão tendo lições de ressentimento e mesmo de ódio, aprendido na ponta dos dedos nos bancos da escola. Como parar esses loucos de guerra criados por várias gerações, arma na mão, com o destino dessas crianças nas suas mãos.

Israel nunca foi por uma solução de dois Estados. A base da sua ideologia é um estado judeu na Palestina, Eretz Israel, um estado em que os não-judeus são, na melhor das hipóteses, cidadãos de segunda classe, na pior das hipóteses "ausentes" sem quaisquer direitos quando não são presos ou liquidados sem julgamento.

Senhor Embaixador : Urticària ?

A Palestina é deliberadamente estrangulada e a sua sociedade destruída. A desigualdade é flagrante e institucional. A desigualdade é flagrante e institucional. As palavras devem ser ditas para descrever o que está em acção: ocupação, colonização, apartheid, crimes de guerra e crimes contra a humanidade, racismo.

Se as crianças da Palestina ainda estão definhando em prisões infames e os filhos de Israel estão tendo lições de ressentimento e mesmo de ódio, aprendido na ponta dos dedos nos bancos da escola. Como parar esses loucos de guerra criados por várias gerações, arma na mão, com o destino dessas crianças em suas mãos.

Israel nunca foi por uma solução de dois Estados. A base da sua ideologia é um estado judeu na Palestina, Eretz Israel, um estado em que os não-judeus são, na melhor das hipóteses, cidadãos de segunda classe, na pior das hipóteses "ausentes" sem quaisquer direitos quando não são presos ou liquidados sem julgamento.

Se o futuro dos filhos de Portugal deve transformar os seus cidadãos em vassalos obedientes da iniquidade , que os Portugueses não se admirem se um dia são tratados da mesma maneira .

Anónimo disse...

Um Post em defesa do indefensável! Israel não cumpre as Decisões das N.U, desde sempre, os EUA decidem-se por uma invasão do Iraque (ao tempo daquela patética criatura) sem um mandato das N.U - e se outro qualquer país o fizesse? Estaria metido em sarilhos!), mas tudo bem, etc e tal, recordando a História do Médio Oriente, nos últimos 50 anos. Portugal, uma vez mais, foi serventia de uns tantos "irresponsáveis políticos" da cena internacional, no caso vertente, gente do piorio, um a par com problemas de justiça bastante graves, sendo PM, outro, um falcão de uma Administração a enfrentrar um "Impechement". Olhando as notícias e o cenário que envolveu o encontro daqueles 2 "falcões", fica-nos a impressão de que servimos apenas para "hospedeiros" do tal "Meeting". Embora, com a obrigação de lhes prestar vassalagem, recebendo ambos em S. Bento. Vá lá que se salvou Belém! Ainda há algum bom senso, nesta aldeia à beira-mar plantado! Uma vergonha. Não nos deve surpreender, todavia. Já houve outros antecedentes.
FSC "esteve bem" ao procurar a imagem de quem nos governa no que respeitou a este encontro, que poderia ter sido evitado...em solo nacional.
Não aconteceu na Irlanda, no R.U., Em França, na ALE, em Itália, em Espanha, ou noutro país "amigo" dos EUA. Aconteceu porque somos subservientes politicamente falando, no plano externo. Basta ver, aliás, a postura do nosso Governo/MNE no que respeita ao Chile, à Bolívia, à Árabia Saudita (que esquarteja oposiores ao regime), mas, depois, a verbe quanto à Venezuela (e nãO defendo o caricato Maduro, apenas aponto as diferenças de tratamento de condenações), etc.
ASS é uma figura menor na história do nosso MNE, embora se limite a seguir o guião traçado há anos para a nossa Diplomacia, que ele aceita e até partilha, alegremente.
Enfim, o Portugal que temos desde há muitos anos!
a)António V.G

Anónimo disse...

A "preemptive attack" contra Grenoble?

Bom: eu tenho alguma curiosidade em saber o que faz o pau de cabeleira nestes casos
(entenda-se, o Costa)

Anónimo disse...

O Sr. Embaixador é "gosão". Cá está o vespeiro todo ao ataque.

Anónimo disse...

Sr. Embaixador , acredita e defende mesmo tudo o que escreveu no seu post ? Ou , como diz o outro , é só para inglês ver e ficar nas boas graças de ASS ? Dá sempre jeito ...

Luís Lavoura disse...

Eu nem percebi qual o sentido dos protestos do BE e do PCP.
Os membros de governo estrangeiros que se deslocaram a Portugal, para se encontrarem num hotel, são indivíduos livres de entrar no nosso país e de, nele, fazerem o que quer que seja que não viole a lei.
Eles não entraram em visita de Estado (penso eu). Entraram a título particular e, enquanto cá estiveram, usaram as salas de hotel que reservaram para fazer o que bem lhes aprouve. O Estado português nada tem a ver com isso.
Não entendo a que título poderiam ter sido impedidos de fazer o que fizeram.

Ferreira da Silva disse...

Exmo Sr Embaixador,

Sobre os comentários que o seu "post" suscitou, há que se dizer: leiam, POR FAVOR, o 2º parágrafo dessa "publicação".

Francisco Seixas da Costa disse...

Ao Anónimo das 9:24. Reformado desde há quase sete anos, sem a menor tarefa no MNE nem nada a ver com as Necessidades, deve, de facto, dar-me imenso jeito cair nas “boas graças” de quem quer que seja por lá. O que eu não tenho paciência - e o tom do meu post traduz isso em pleno - é para atitudes, em termos de política externa, feitas na base do “achismo”. As questões de Estado são demasiado importantes para serem objeto de indignações epidérmicas de quem não percebe dos assuntos. Isso, sim, irrita-me

Diógenes disse...


Relativamente, às descabidas declarações, do secretário de estado dos USA, no que concerne à implantação, da rede 5G com o apoio dos chineses e o perigo que tal representam. O ministro Augusto Santos Silva, fez sentir de modo muito vincado, que a escolha é do governo português de harmonia com a UE.

Joaquim de Freitas disse...

Diogenes disse: "descabidas declarações, do secretário de estado dos USA".

Sim, de facto, essa da entrada da Huawei em Portugal através do projecto 5G seria um perigo? Claro que só os chineses fazem o que sabemos fazerem os norte-americanos através da NSA . Para os americanos ter milhares de servidores a espionaremrem tudo o que falamos, escrevemos ou consultamos através dos smartphones ou dos computadores só pode ser bom para a nossa segurança, enquanto os propósitos similares dos chineses constituíram estratégias inerentes à sua conduta totalitária. Espero que a decisão pertence ao governo português.

Joaquim de Freitas disse...

Ferreira da Silva disse...
Exmo Sr Embaixador,

Sobre os comentários que o seu "post" suscitou, há que se dizer: leiam, POR FAVOR, o 2º parágrafo dessa "publicação".
Este comentário mereceria uma explicação..

Anónimo disse...

Caro Ferreira da Silva:

Ao segundo parágrafo desta "publicação", foi prestada a devida atenção.

Se as nossas visitas fossem esses dois, não teríamos post para comentar.

Joaquim de Freitas disse...

O Senhor Luís Lavoura quer afectar mais « naiveté » que a que o habita. Como se não soubesse que outros países da EU recusaram este encontro de Lisboa, segundo o “Jerusalém Post”, entre o antigo Chefe da CIA e agora Secretário de Estado e o algoz da Palestina. Há ainda países na Europa que têm uma certa ideia dos Direitos do Homem e do Direito Internacional.

Anónimo disse...

Oh meu Deus Francisco se estes comentadores mandsssem no mundo nós nem com o Vaticano podíamos ter relações e o mundo seria uma guerra permanente. Tem paciência
Fernando Neves

Anónimo disse...

Luís Lavoura,quando diz que "o Estado Português não tem nada a ver com isso", esquece-se que o PM Costa recebeu ambos, Pompeo e o Nathanyel, após os encontros que ambos mantiveram anteriormente. E esquece-se igualamente que o PR MRS teve o cuidado de se distanciar dessa gente, indo convenientemente até ao Porto dar uns tantos abraços aos "sem-abrigos" tripeiros. Deste modo, evitou colar-se à subserviência do Costa e seu adjunto, ASS.
Quanto a Fernando Neves, aconselho-o a ler o artigo do director do Público de hoje sobre a questão. Onde põe e bem os pontos nos "i".
E como dizia um outro Leitor, se outros países se escusaram a receber aquelas duas criaturas, para quê nós, Portugal, nos prestámos a isso? Porque faz parte dos Partidos do tal Arco da Governação porem-se de joelhos perante um conjunto determinado de países. Ontem um Barroso, hoje um Costa e um Silva e amanhã outros se seguirão.
Júlio Fragoso

Joaquim de Freitas disse...

O Anónimo 6 de Dezembro de 2019 às 13:50 disse : « Se as nossas visitas fossem esses dois, não teríamos post para comentar.”

Ora precisamente: O presidente da Venezuela reconhecido pelo governo Português não sendo Maduro, mas Guaido, a visita não podia ser Maduro…

Quanto a Putine, os aviões portugueses da NATO, patrulhando nas fronteiras da Rússia, Putine teria receio de afrontar o risco.

Quando Portugal recusou o sobrevoo do seu território ao presidente da Bolívia, Evo Morales , obedecendo às ordens de Washington, não sei se Portugal é realmente soberano no seu espaço aéreo. .
Aliás Hollande agiu da mesma maneira. Como os caniches…
Este caso ilustra que a União Europeia é, naturalmente, uma potência económica, mas um anão político e diplomático incapaz de adoptar uma posição independente em relação aos Estados Unidos.

Joaquim de Freitas disse...

Ao Senhor Fernando Neves, gostaria de dizer que quem manda no Mundo , aparentemente, nao sao estes comentadores do blogue do Senhor Embaixador. Mas aqueles que aplicam embargos e golpes de Estado por todo o lado. E que criticam o Papa pelas suas posiçoes anti capitalistas.

Luís Lavoura disse...

se outros países se escusaram a receber aquelas duas criaturas, para quê nós, Portugal, nos prestámos a isso?

Outros países não se escusaram, nem podiam escusar. Apenas desaconselharam.

Netanyahu preferia Londres, mas Boris [Johnson] desaconselhou a visita em data coincidente com a cimeira da Nato.