Como se viu, a Paf fez puf! A coligação desfez-se e o CDS vai agora ter de fazer pela vida. Por algum tempo, os "democratas-cristãos" a que por cá temos direito terão de subir uma vez mais a corda, agora já não a partir "do táxi" onde em tempos viajaram à larga, mas da confortável quota parlamentar de que usufruem, inchada artificialmente pela tática falhada de outubro. Sem lugares do aparelho de Estado para distribuir, andam agora à procura de si mesmos no mapa político do país, o que sonoramente é revelado pelo desespero histriónico do seu líder - que utiliza a tática dos índios, levantando pó para fingir que são muitos, sem se dar conta de que já os toparam.
Passos Coelho deixou claro que, não tendo o sacrifício de lugares em S. Bento valido a pena, cada um passa a caminhar por si próprio pela estrada política. Assim o exige aliás a máquina do seu partido, pressionada por bases orfãs de "pote", onde algumas contas na subliderança continuam por ajustar. A forçada continuidade do líder pode dificultar, contudo, um "aggionarmento" pela via social-democrata, que agora seria teoricamente possível, tal como Rui Rio há dias intuiu. O PSD afastou-se dessa orientação muito fortemente nos últimos quatro anos, mas isso poderia agora ser revertido, neste tempo em que o PS surge "puxado" à esquerda e em que se afasta visivelmente de um centro cuja existência faz parte da sua tática negar. Mas, para mal dos pecados do PSD, Passos Coelho surge ainda, aos olhos dos portugueses, como a cara da "troika" e das suas malfeitorias. E, no partido, a curto prazo, nenhum dos seus escudeiros parece ter o menor espaço para o contestar. Se o governo do PS se mantiver, só um desaire eleitoral pode provocar em "pronunciamiento" na São Caetano à Lapa.
A grande curiosidade está agora em saber o que vai o CDS apresentar como agenda própria, que possa ser lida como distinta do PSD mas, ao mesmo tempo, compatível com o que ambos andaram a dizer nos últimos anos. Em "mentideros" lisboetas, corre que uma clara atitude radical de direita poderia ser a nova aposta de Paulo Portas. Alguma Europa vai por aí, os vários temores saem à rua e no "Correio da Manhã" cada vez mais e esse espaço político está vazio, há muito, entre nós. Resta saber se o lider "centrista" terá a contenção ético-política para evitar que um discurso nacionalista, quiçá protecionista, resvale para um populismo securitário ou de outra natureza - que nem quero lembrar, para não dar ideias.
Tudo é possível, se olharmos a história do CDS, desde os tempos em que era uma separata eurocética do "Independente" até aos dias de hoje - ou melhor, de ontem, porque hoje nem o CDS nem nós sabemos por onde o partido anda ideologicamente. Interessante, nesse contexto, será verificar se o vírus liberal, que afeta muitos dos quadros a quem o CDS garantiu lugares nos últimos quatro anos, acabará por inviabilizar essa deriva, no eventual caminho para a autarcia isolacionista. Verdade seja que o "compassionate conservatism", o discurso para as "velhinhas & reformados", foi-se para sempre com o momento "irrevogável" e a subsequente subida de Paulo Portas a delegado local da "troika". Mas, como titulou, para glória das estantes, uma prolífica autora apoiante da PaF, "sei lá!"
Tudo é possível, se olharmos a história do CDS, desde os tempos em que era uma separata eurocética do "Independente" até aos dias de hoje - ou melhor, de ontem, porque hoje nem o CDS nem nós sabemos por onde o partido anda ideologicamente. Interessante, nesse contexto, será verificar se o vírus liberal, que afeta muitos dos quadros a quem o CDS garantiu lugares nos últimos quatro anos, acabará por inviabilizar essa deriva, no eventual caminho para a autarcia isolacionista. Verdade seja que o "compassionate conservatism", o discurso para as "velhinhas & reformados", foi-se para sempre com o momento "irrevogável" e a subsequente subida de Paulo Portas a delegado local da "troika". Mas, como titulou, para glória das estantes, uma prolífica autora apoiante da PaF, "sei lá!"
Um dia, retificadas pelo voto as proporções relativas, imagino que PSD e CDS poderão ser de novo tentados a "juntar os trapinhos". Será então uma nova "geringonça" política, como a que Portas acusa agora o PS de ter criado? Ou será, mais ao seu jeito, um zingarelho num besidróglio, movido pelo "ar do tempo". Tudo é possível, desde que dê para o regresso ao poder, não é?
