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quinta-feira, dezembro 24, 2015

A Dois não janta!


Nem a derrota tática do Sporting, para evitar o infamante título de "campeão de Natal", ou a aliança Jerónimo de Sousa / Paulo Portas / PAN, contra o despesismo bancário de António Costa no caso Banif, foram capazes de calar o clamor que por aí vai, pelo facto da Mesa Dois do bar Procópio não se reunir este ano no seu jantar de fim de ano. É claro que o odioso cai sobre o (não) organizador perpétuo, o autor deste blogue. E até sairam poemas. 

O primeiro foi Luis Castro Mendes, no facebook 

A traição do jantar 

A Francisco Seixas da Costa, ele sabe porquê

Andas tu com frescura em Amarante
a deslumbrar eslavas plas estradas,

com esse geográfico desplante
que te ficou de lides já passadas, 

enquanto nós, os órfãos do Procópio,
abandonados pelas gerações

que nos alcançam só no telescópio
com que a História desfaz as emoções, 

sentimos falta desse jantar lauto
em que a peste grisalha prosperava

e ria com o riso de um Plauto
o que da piolheira nos maçava.

Vencidos pois da Vida e da idade
nem um jantar nos vem trazer saudade!


Mas logo António Dias complementou, também no facebook

Juntando a minha voz ao lamento do
Luis Castro Mendes
(sobre uma declaração do Francisco Seixas da Costa)

Toda a Europa se espanta!
Eis que a clara luz da "Dois" se esbate.
Gritam arautos, tocam sinos a rebate,
este ano, dizem, não se janta!

Tremem da cidade os fortes muros,
há medo, desespero e há gritos.
Do Procópio saem procissões de aflitos,
cinza nos cabelos, trajes escuros.

Vão até Francisco os desgraçados,
braços estendidos, a voz rouca,
Pobres peregrinos. Para o chão
vão caindo um a um, esfomeados.

Pois que lhe tiraram o pão da boca!
Está na moda acabar com a tradição.


Isto começa a ficar complicado...

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