sábado, agosto 02, 2014

À conversa no "Pereira" (1)

Nas conversas numa serena praia atlântica, esgotada a crise no BES e o prestígio declinante da TAP, o tema do novo comissário europeu veio à natural baila.

Alguém lembrou um facto que passou sem grande destaque: há poucas semanas, a Finlândia, substituiu o comissário que tinha na anterior Comissão, Olli Rehn, que era candidato ao Parlamento europeu. Indicou ao Dr. Durão Barroso nada mais nada menos do que o seu então primeiro-ministro. O nome foi naturalmente aceite. A operação parecia até ridícula: então faltava muito pouco tempo para o termo de vigência da Comissão, nem sequer estava ainda designado o futuro presidente e uma figura daquela importância saltava "do banco" apenas para cumprir um mandato residual? 

Sem surpresas, o cavalheiro veio agora a ser indicado por Helsínquia como seu nome para a futura Comissão. 

Alguém acredita que não houve entretanto garantias firmes quanto à sua futura pasta? Querem apostar em como ele vai herdar o "portfolio" de Olli Rehn, responsável pelos "Assuntos Económicos e Monetários", ou outra de valia exatamente similar? Ou será que alguém acredita que o ex-PM finlandês vá tratar do "Multilinguismo" ou de outras temáticas microscópicas, que Juncker vai atribuir daqui a uns tempos? Na Europa, quem sabe mexer-se leva sempre um comprimento de avanço.

O tema suscitou, na conversa onde eu estava, algumas reações a propósito:

- Não é de admirar: trata-se de um primeiro-ministro. Da vez em que nós mandámos para lá um, deram-lhe logo a presidência da Comissão...

Passo à frente alguns comentários fortemente adjetivados que logo se seguiram, porque este é um blogue para ser lido por famílias, independentemente das faixas etárias, pelo que tem de sustentar um  padrão vocabular digno do tempo estival. Mas registo uma sugestão:

- Que não fosse por isso que ia haver problemas! Se essa era a solução para nos darem uma boa "pasta", porque é que não mandámos logo para lá o Passos Coelho?!

O entusiástico unanimismo das reações que se seguiu confortou-me o ânimo quanto à possibilidade de vir a estabelecerem-se, neste país, consensos políticos muito alargados.

8 comentários:

  1. Anónimo15:50

    " Na Europa, quem sabe mexer-se leva sempre um cumprimento de avanço."

    Ou

    "...um comprimento de avanço"?

    se calhar dá para as duas versões !

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  2. Mas em Portugal temos muitas pastas, e seria de fazer um bom trabalho no país

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  3. Anónimo16:29

    "Na Europa, quem sabe mexer-se leva sempre um cumprimento de avanço."

    Corrija "comprimento", s.f.f., e apague.
    A expressão tem raiz nas corridas de cavalos onde o avanço (ou atraso) de um concorrente é eficazmente medida pela dimensão longitudinal do cavalo.

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  4. Anónimo18:27

    Se Passos fosse um homem inteligente, indicava António Costa, que tem currículo à altura. Poderia assim ganhar as eleições a Seguro.

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  5. Não é só na Europa. Quem sabe mexer-se leva sempre avanço. "Comprido" ou não...

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  6. Querido Lavoisier
    "Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".

    Cumpramos a preceito os Teus desígnios...

    a lei da conservação da massa,

    ""Comassim"" também não se vai descobrir nenhum elemento... Novo

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  7. Anónimo16:14

    Tem toda a razão, Dra. Helena: "comprido" ou não. Ao menos valha-nos algum humor!...

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  8. Anónimo10:03

    Muito bom o sentido de humor de HSC. Obrigado pela boa gargalhada que proporcionou...
    David Caldeira

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Esperança

Afinal, há esperança para o mundo: apanhei esta manhã um táxi em que a música de fundo era da RTP Antena 2.