Nunca fui muito dado a nostalgias por figuras de Holllywood desaparecidas da cena. Não cultivo afetividade por figuras do cinema e, de certo modo, encaro a sua ocasional morte como a sequência normal de uma vida em que andaram sempre nas margens da ficção. Na qual, por definição, tudo é possível, até a própria morte, neste caso deliberadamente encenada pelo próprio.
No caso de Robin Williams, sempre o considerei um ator mediano. Ao tempo em que vivia na Noruega, divertia-me (confesso, não demasiado) uma série televisiva em que se apalhaçava com uma parceira, nuns diálogos para sorrir, que se chamava "Mork & Mindy". Reencontrei-o depois em vários filmes de segunda linha, sempre num registo caricatural excessivo, nos quais a sua qualidade de representação nunca me surpreendeu. De certo modo, ligo-o à figura de Steve Martin, o que, em mim, não é necessariamente um elogio.
Gostei muito do Robin Williams do "Good Morning, Vietnam!" Mas não sou um cinéfilo minimamente elaborado. Contento-me, nisso como em outras coisas da vida, em apreciar simplesmente aquilo de que gosto. E divertiu-me, como há muito me não acontecia, a figura daquele locutor magnífico, subversivo qb, que conseguia alegrar as tropas metidas no atoleiro militar. O filme, longe de ser uma obra prima, quase parecia uma sequela (menos boa, claro) do MASH. O que me foi suficiente para uns minutos de boa disposição.
Depois, voltei a reencontrar Williams no "Clube dos Poetas Mortos", onde esteve bem. Nos dois ou três outros filmes dele que vi depois, pareceu-me representar obsessivamente o seu "character", numa atitude de "clown" muito marcada. Teria ele consciência disso? Bom, para mim, desapareceu o fantástico locutor do "Good Morning Vietnam". É a imagem dele que quero guardar.
