- E que achaste?
- Não gostei daquela parte sobre o PS...
- Porquê?
- Parece que dás legitimidade ao Seguro para se agarrar ao lugar...
- O que eu disse foi que ele, tendo ganho as eleições internas há um ano, tem todo o direito de considerar que está lá por direito próprio. Além disso, ele faz uma leitura positiva das vitórias que o PS teve nas autárquicas e nas europeias.
- Mas tu achas mesmo que a vitória nas europeias foi uma coisa "por aí além"?
- Não, não acho. Por isso é que me parece que as primárias são uma boa ideia. Sem prescindir da legitimidade formal, ele abre a porta a que as pessoas se exprimam por outra via. Se for em seu desfavor, ele já disse que sai.
- Não era mais fácil fazer um congresso e eleições internas?
- Acho que isso seria pedir demais a quem ganhou um congresso há um ano e na sequência dele fez entrar gente do Costa para a sua direção. Não podemos só olhar para um lado das coisas.
- Mas achas mal que o Costa tenha avançado?
- O Costa tem plena legitimidade para querer uma mudança de rumo. E não estou minimamente de acordo com quem o acusa por ter avançado. Ele é um grande quadro do partido, com provas dadas e, como se vê, dá voz a muita gente, dentro do PS, que está muito descontente com a atual direção, que acha que o partido "assim não vai lá" e que, a continuar desta forma, pode até vir a não ganhar as legislativas em 2015. Por isso, as eleições primárias são a oportunidade para testar se a maioria pensa ou não como ele.
- Continuo a não estar de acordo contigo...
- Não me digas que, por causa disso, sais daqui do "Pereira" e passas para a esplanada do "Onda Azul"?
- Não, continuo aqui no "Pereira". Um café é como um partido. As discussões fazem-se cá dentro...
