Há uns anos, quando vivi em Londres, deparei um dia com uma expressão na imprensa que me pareceu não corresponder àquilo para que a sua leitura linear apontaria: "industrial action". Vim a perceber que se tratava de uma designação geralmente usada para greves, mesmo que o processo não fosse desencadeado na área industrial.
O mesmo fenómeno voltou a acontecer comigo aqui em França. Um dia, deparei no jornal com a expressão "plan social". Não percebi imediatamente o que isso queria dizer, porque a expressão não era de leitura unívoca. Mas, pelo contexto, rapidamente entendi que isso queria significar, numa linguagem corrente, uma situação de despedimento coletivo numa determinada empresa.
O que levará os países mais ricos a esconderem, por detrás destes eufemismos, as realidades a que nós chamamos pelos nomes óbvios?

Aí, em França, há também o "mouvement social", de resultados semelhantes a uma greve light.
ResponderEliminarOs países ricos sabem muito...
ResponderEliminarOlhe Sr. Embaixador, têm a mania...
ResponderEliminarEm França, um "Plan Social" é efectivamente utilizado como eufemismo para designar o despedimento colectivo numa empresa. Mas o dispositivo é mais abrangente dado que este faz parte do código do trabalho e envolve o conjunto de medidas tomadas pela empresa no intuito de limitar as consequências nefastas associadas aos despedimentos em massa.
ResponderEliminarO dia que os portugueses reivindicarem os seus direitos como os franceses, Portugal começará a ir para a frente.
Parabéns pelo Blogue, Sr. Embaixador ! Já faz parte da minha lista de Blogues e das minha leituras diárias !
Até breve ;)
Patinho Feio
http://campomaiorense.blogspot.pt/
ResponderEliminareu penso que "plan social" tem uma visão de futuro: as pessoas despedidas terão que recorrer à segurança social
coisas algo diabólicas!
"– Eu prefiro a França! – suspirou a esposa do primeiro-secretário, uma bonecazinha sardenta, de cabelo arruivascado.
ResponderEliminar– Ah! a França!... – murmurou um adido, revirando um bugalho de olho terníssimo.
O gordo Meriskoff ajeitou os óculos de oiro:
– A França tem um mal, que é a Questão Social...
– Oh! a Questão Social! – rosnou sombriamente Camilloff.
– Ah! a Questão Social! ... – considerou ponderosamente o adido.
E discreteando com tanta sapiência, chegámos por fim ao café."
ERE, expediente de regulación de empleo / RSI (não poderia ter um nome mais directo e simples?) / ministerio da solidariedade social (que é isso? tudo e nada)/
ResponderEliminaretc, etc
venham mais comentários anonimos com camiloff e outros individuos em dialogo no café...à maneira de ionesco ou do género. gostei
ResponderEliminarÉ natural que goste. Outra coisa não seria de esperar.
ResponderEliminara) Eça de Queirós
Anónimo da 22:30
ResponderEliminarExcelente peça. E uma delícia os nomes escolhidos para protagonistas...
Mas é que é um trecho do Eça de Queirós - de "O Mandarim"!! Por favor!
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