quarta-feira, 30 de maio de 2012

Um facto

A má fé e a distorção propositada obtêm, por vezes, algumas vitórias. Admito que alguns possam não gostar do novo Acordo Ortográfico, mas não é aceitável que, por mera vigarice intelectual, se procurem criar mitos em torno das mudanças que ele introduz.

O mais flagrante, e que tenho verificado que que está já na cabeça de muitas pessoas incautas, é a ideia de que a palavra facto passa, por virtude do Acordo, a mudar para fato. De tanto isto ser repetido, há quem acredite.

Ora isto é uma falsidade, que alguns se entretêm a instilar. Por uma vez, que fique claro: o novo Acordo Ortográfico não altera a forma de escrita (e, naturalmente, de pronúncia) da palavra "facto"

Quantas vezes será necessário repetir isto? 

23 comentários:

gherkin disse...

Bem dito meu caro. Chegue-lhe, particularmente aos que insistem permanecer na Idade da Pedra, como se a língua não fosse VIVE e VIBRANTE. O abraço do
.GilbertoFerraz

Isabel Seixas disse...

De facto...
Ainda vão é querer exterminar as palavras homógrafas.

patricio branco disse...

pode ser ignorancia e não afirmação propositada para desfazer no acordo. Afinal outras palavras semelhantes perdem o c, trata-se portanto duma excepção exceção à regra o facto.
como não há penalidades ou multas, eu como particular, escrevo, uso uma mistura do antigo e do novo ao, como me sai, e não defendo afincadamente nem um nem outro. até uso o meu ao pessoal, criado por mim. o tempo e o habito irão definindo a minha ortografia e que assim seja (não escrevo documentos oficiais).
mas não vale a pena levar muito a peito o ao e o seu cumprimento ou não.

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Patrício Branco: há uma regra única e simples, que o ajuda a "ler" o Acordo: tudo o que se lê, escreve-se. Portanto, em "facto", todos lemos o "c", por isso o escrevemos. Noutras palavras, como "acto", ninguém já lia o "c", por isso deixamos de o escrever e passa a "ato". É tão simples...

EGR disse...

Senhor Embaixador: admito que possa considerar este meu comentário um pouco pretensioso mas parece-me que a atitude que V.Exa denuncia-e bem- resulta da falta de seriedade intelectual com que se abordam os assuntos.
Infelizmente extensível a outros domínios.

Anónimo disse...

Ao que a histeria dos pró-AO chega! Idade da pedra – oh Ferraz você passou-se, “omem” (para quê o “h” se não se pronuncia?).
Como dizia e muito bem Maria do Carmo Vieira, é uma questão de etimologia. E como dizia uma conhecida escritora portuguesa, perde-se igualmente o sentido da latinidade da nossa língua. E por aí fora.
Aceite-se: isto, este “coiso” do A.O, é uma aberração. Que lamentavelmente herdámos de um passado político recente, de muito má memória.
Quando ouço Rui Estrada a dizer que “o que conta são os números”, pasmo com tamanha parvoice. É o renunciar total de que a Lingua Portuguesa começou por cá! Isto há cada um! Rui Estrada que vá com esses argumentos para os Ingleses, Espanhóis, etc
Do “Brasiu” (o grande vencedor deste A.O), com “afeto” (escrevo como digo, ou pronuncio, pois o “L” não se diz por aquelas terras.
Seu (Sr.) Wenceslau Tamiu (Tamil)

Helena Sacadura Cabral disse...

Senhor Embaixador
Desculpe a impertinência. Mas diga-me, entre "Egito" e "egípcio" não há disfuncionalidade? :-))

Francisco Seixas da Costa disse...

É um facto, Dra. Helena Sacadura Cabral.

Como agora dizem os modernaços da economia, já percebi que este post vai "alavancar" mais uma discussão sobre o AO.

Anónimo disse...

caro anónimo das 00:25
"A.O. é uma aberração. Que lamentavelmente herdámos de um passado político recente, de muito má memória."
...eu cá era só pra lembrar que o a.o. agora em vigor foi assinado em 1990 pelo secretário de estado da cultura, pedro santana lopes, em nome da república portuguesa, juntamente com os ministros ou secretários de estado da cultura/educação dos outros seis países lusófonos (timor assinou em 2004, depois da independência). era primeiro-ministro da nossa pátria amada sua excelência o professor doutor (pela universidade de york) aníbal cavaco silva.
a) franquelino da motta

Isabel Seixas disse...

Sr. Embaixador desde logo o meu pedido de licença,
Se a minha sensatez residual me permite considerar alguma pertinência no comentário do Anónimo das 0025,

"achei deveras interessante o alerta para omem, aliás acho que deveriamos propor dar voz ao h, basicamente para não gerar impotência por castração"

o meu Obrigado vai agora neste debate sempre dinãmico, para a lucidez cronológica de Franquelino da Motta Uau, fez subir a minha consideração (quer dizer mais nascer diga-se nesse contexto.) pelos governantes referidos.

Anónimo disse...

Que tal para agradar aos defensores deste Acordo lembrar um provérbio inglês belíssimo pela sua sonoridade: let bygones be bygones! Enquanto a água passa... a língua vai fazendo o seu caminho, com ou sem Acordo.

Francisco Seixas da Costa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

- adorei o primeiro ato...
- e depois? desataste?
- obvio que não... fiquei até ao fim e depois fui ao bairro...
- num ato de contrição ou porque está a dar... atualmente?
- mas tu atuas ou assistes?
- pronto... não te chateies, de facto tens razão. É um fato muito giro.

Helena Sacadura Cabral disse...

Permita-me Sexa, mas este seu comentador Franquelino da Mota torna muito claro porque é que tantos de nós não gostam do AO.
Que Deus perdoe aos que não sabem o que fazem!

Anónimo disse...

Meu caro Embaixador e amigo,

A aplicação do AO também a mim me continua a colocar algumas dificuldades. Por exemplo, seguindo o mesmo princípio aplicado ao "facto" eu continuo a escrever "espectador" (continuo a pronunciar o c). No entanto, espanto-me com o facto da própria RTP, ao referir-se por escrito às pessoas que assistem às suas emissões as descreva com espetadores - como se fossem, por exemplo, objectos destinados a espetar.

Se não estou errado, parece que os escrevinhadores da RTP deverão estudar com maior atenção o AO.

Grande abraço.

Fernando Coelho

Anónimo disse...

Decidamente, temos aqui um embaixador “assanhado” com os opositores dessa excrecência que é o A.O. Bem acompanhado por “Mottas & Ferraz”.
João Palma Nogueira

Anónimo disse...

ah! que o meu nome não seja evocado em vão, cara dra hsc.
para execração geral de vossas excelências, aí vão todos os nomes dos 'que não sabem o que fazem' e assinaram o a.o.1990.

Pela República Popular de Angola:
José Mateus de Adelino Peixoto, Secretário de Estado da Cultura.
Pela República Federativa do Brasil:
Carlos Alberto Gomes Chiarelli, Ministro da Educação.
Pela República de Cabo Verde:
David Hopffer Almada, Ministro da Informação, Cultura e Desportos.
Pela República da Guiné-Bissau:
Alexandre Brito Ribeiro Furtado, Secretário de Estado da Cultura.
Pela República de Moçambique:
Luís Bernardo Honwana, Ministro da Cultura.
Pela República Portuguesa:
Pedro Miguel Santana Lopes, Secretário de Estado da Cultura.
Pela República Democrática de São Tomé e Príncipe:
Lígia Silva Graça do Espírito Santo Costa, Ministra da Educação e Cultura.

para saber quem eram os respetivos chefes de estado e governo, é só ir à 'net'.
o nosso p.r. era mário soares.
o ao1990 foi ratificado pela a.r. de maioria pds.

sempre ao serviço de vossas excelências...

a) franquelino da motta

Anónimo disse...

Permita-se-me perguntar ao sr. João Palma Nogueira se quando escreve “Mottas” com dois tês se deve ao AO, ou, se é porque as motas têm duas rodas.
Cumprimentos para o autor e para todos os comentadores
Francisco F. Teixeira

Isabel Seixas disse...

Mais um facto , hoje é o dia da criança que mantém o espirito e se escreve na mesma criança...

Retribuo, pela parte que me toca, os cumprimentos ao comentador Francisco F. Teixeira, mas permita-me perguntar, pela sua lógica, em termos de configuração das rodas não seria melhor aumentar antes os ós MOOTAS ou MOOOTAS ou MOOOOTAS(...)

E a execração, boa, que clarificadora e adjuvante de memória...

Helena Sacadura Cabral disse...

Caro Franquelino
Não me pronuncio sobre a lista. Não tenho competência. Mas soltei uma bela gargalhada com a "maioria pds"!
Só podia ser ela. :-)))

Anónimo disse...

Que alegria devo à comentadora Isabel Seixas.
Acredite, minha señora, que me é sumamente grato verificar que alguém vê neste velho avô (velho…mas nao do Restelo) aquilo que de criança lhe subsiste no coraçao.
As crianças, certamente e nao só no seu dia, compreenderao melhor os seus dois ós que os meus dois tês dada a similitude das letras com as rodas das MOOTAS.
Francisco F. Teixeira

Anónimo disse...

O problema do acordo é basear-se precisamente na pronunciaçao...

Há dias atrás mencionava-me um amigo brasileiro que tinha escrito incorrectamente a palavra "infeção". Querendo eu acreditar que esta palavra no novo acordo escrevia-se sem "c" mudo, fiquei a saber que o "c" se pronuncia no Brasil e, que, portanto eles irão continuar a escrever infecção.


O único elemento que une uma língua é a grafia, porque pronúncias há muitas...

É por isso que uns dizem facto, outros fato, outro infeção outros infecção, piscina, pixina, e assim por diante.

Anónimo disse...

Com algum atraso sobre a data deste penso que o que segue coloca no devido lugar a questão dos Egito e dos egípcios:
http://emportuguezgrande.blogspot.pt/2012/06/o-egito-o-egipcio-e-o-ao90.html