terça-feira, 8 de maio de 2012

Obra-prima

Aquele membro de um gabinete político estava contentíssimo. E com razão. Naquela viagem de Estado, num mercado de arte, fizera uma compra de um belo quadro, uma cópia perfeita de uma conhecida obra-prima. E o preço fora bem razoável.

Simpático, não se cansava de avisar os outros membros da delegação das oportunidades do mercado de arte local: "Vocês não percam esta oportunidade! Aproveitem! São cópias autênticas..."

5 comentários:

Isabel Seixas disse...

A arte da replicação, plágio criativo ou clonagem de arte...

Rubi disse...

Faz-me lembrar a semana de férias em Bodrum, na Turquia, onde o nosso guia nos levou a um mercado que considerava o melhor para comprar «the best authentic fake goods»!

patricio branco disse...

por vezes é a maneira mais aproximada de ter uma obra de que gostamos mas a que não podemos chegar. Um botero a oleo copiado por um bom artista p. ex. ou um van gogh. há lojas de arte especializadas em vender cópias de quadros e se está bem copiado, pintado é uma bonita ilusão para as paredes da casa.
posso falar do meu caso pessoal: tenho um "botero" pintado por um amigo pintor profissional, uma mulher gorda nua estendida na cama com 2 ou 3 laranjas cortadas ao lado. introduziu lhe um pequeno pormenor na colcha da cama e na quantidade das laranjas. E ficou com uma bonita moldura.
já combinei com ele copiar me um edward hopper, só que não sei ainda qual pois é dificil escolher.
Tenho um conhecido que viveu na bulgaria e encarregou bons pintores de lhe copiarem quadros religiosos, creio que são de icônes, santos ortodoxos, os que têm dourados, vermelhos escuros. ficaram perfeitos, todos perguntam em que antiguario os comprou e ele esclarece o processo.
Não são originais como dizia entusiasmado o senhor, são apenas cópias bem feitas de originais. mas que podem dar prazer e ilusão.

Isabel Seixas disse...

Nesse aspeto estava a pensar que a fotografia é muito mais socialista do ponto de vista da acessibilidade, estou-me a imaginar a comprar um quadro desses( que adoraria)e a submeter os meus filhos à vergonha e dureza de os pais não ganharem para as necessidades básicas a que me comprometi na hora da conceção...Oh pensando bem não me estou nada a imaginar só se me subisse o dinheiro à cabeça...

Agora do ponto de vista sensorial é fascinante ver ao vivo, vamos aos museus que também são mais socialistas que os proprietários particulares a quem não devia ser permitido por ser contra natura serem detentores do aprisionamento de obras de arte só para Eles.

Louvado seja Deus, lá porque têm dinheiro!...

Isabel Seixas disse...

Era só para dizer que afinal estou a imaginar-me...