Foi uma bela cerimónia aquela a que ontem assisti, como convidado, na "Mairie" de Paris, onde o presidente François Hollande foi recebido "pela cidade", com um discurso emocionado do "maire" Bertrand Delanoe. Com rigor e sentido histórico, ambos lembraram, nas suas intervenções, que Paris está para sempre ligada à data inesquecível na qual Charles de Gaulle inaugurou a nova liberdade francesa, no imediato pós-guerra. Uma recordação justa àquele que foi o fundador da V República que agora, uma vez mais, se renova.
Todos os que estavam no "Hôtel de Ville" desejavam sucesso ao novo presidente, na certeza de que um futuro de progresso da França não é indiferente ao futuro de todos nós, nesta Europa turbulenta e interdependente em que vivemos. Mas todos tinham, da mesma forma, plena consciência de que o presidente francês tem, diante de si, um período muito complexo e, essencialmente, não tem muito tempo para reagir à imensidão de problemas prementes. Nestes dias em que emergem os mais diversos comentários, Michel Rocard, o antigo primeiro-ministro, cometeu mesmo o mais notório lapsus linguæ da temporada, ao dizer: "François Hollande n'aura pas un état de grèce", quando pretendia dizer "de grace"...
Na cerimónia de ontem, naquela grande sala de gala da "Mairie" parisiense, praticamente não cabia mais ninguém. Uma larga área era ocupada por cadeiras onde estavam sentadas muitas figuras que a imprensa dá como potenciais integrantes de um governo que só será anunciado hoje à noite. Um amigo, velho "routier" da política francesa, comentava comigo, olhando os assentos desse núcleo de potenciais governantes: "C'est un paradoxe. Aujourd'hui ils sont tous assis, mais demain pour quelques uns il n'aura pas de places..."
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