Há muitos anos que a Irène fazia parte da paisagem do "Café de Flore", ali no boulevard Saint-Germain. Do seu posto de comando, onde são emitidas "las dolorosas", escrutinava com os seus belos olhos bem azuis toda a sala e, não raramente, espalhava raspanetes para orientar o serviço.
Durante anos, ao passar turisticamente por Paris, via por lá a Irène, sempre elegante, de cabelo à "garçonne", mas nem lhe sabia o nome. Neste último ano, através de amigos comuns, ela passou a ser o nosso primeiro contacto, nas passagens regulares pelo "Flore". Procurava-nos as melhores mesas, dava notícias da passagem de conhecidos. Até ontem.
Ontem, a Irène fez a sua última noite de trabalho. Há meses que nos falava desta data. Vai reformar-se, gozar "a vida que resta". Parecia triste. Sem nostalgias mas com grande simpatia, fomos dizer-lhe adeus. E não fomos os únicos.
Ontem, a Irène fez a sua última noite de trabalho. Há meses que nos falava desta data. Vai reformar-se, gozar "a vida que resta". Parecia triste. Sem nostalgias mas com grande simpatia, fomos dizer-lhe adeus. E não fomos os únicos.
