É uma sensação reconfortante ver algumas dezenas de adolescentes portugueses, alunos do Collège Lycée Honoré de Balzac, interessados em discutir o Portugal de Abril, sem dogmas ideológicos, sem partidarites, apenas com vontade de perceberem o que mudou nessa data de que os pais e os livros lhes falam.
E não deixa de ser igualmente curioso notar uma emoção verdadeira nas palavras do "proviseur" Jean Louis Tretel, um "soixant-huitard" à beira da reforma, ao recordar os dias em que a França de então olhou, com um espanto simpático, para a "Révolution des oeillets", nesse "país que parecia condenado ao silêncio".

É bom saber que a memória da Cultura e da História Portuguesas estão bem presentes na vida francesa, pois não nos podemos esquecer que a vida intelectual, literária e artística do nosso país é tributária do paradigma cultural francês. Estou-me a lembrar do historiador Fernand Braudel e da revista dos "Annales" que tanto marcou a Historiografia Portuguesa. Regozijo-me com os ecos da memória histórica portuguesa junto da nossa importante comunidade residente em Paris, tanto mais que neste ano de evocação da Revolução Republicana não podemos perder a evocação da genésica Revolução "dos cravos".
ResponderEliminarSaudações cordiais, Nuno Sotto Mayor Ferrão
www.cronicasdoprofessorferrao.blogs.sapo.pt
"Chapeau !"
ResponderEliminarComovente!
ResponderEliminarÉ de facto agradável constatar que jovens de descendência portuguesa se interessam pelo que se passou em Abril e é também de louvar ver responsáveis pela educação em França, como este Sr. Jean Louis Tretel, transmitirem aos alunos a vontade de saber o que então se passou. Não tenho conhecimento do espaço que a educação escolar em Portugal dedica a este período da nossa história; Todavia, uma conversa com um grupo de jovens de um liceu português que visitava Paris e com quem falei no Metropolitano, casualmente, deixou-me uma triste recordação e mágoa. Estávamos em 1990, apenas uns quinze anos depois de Abril, e os feitos históricos daquela época estavam emocionalmente tão apagados nas memórias dos jovens como se Portugal os tivesse vivido uma ou duas centenas de anos antes! Pareceu-me que a escola não estava a cumprir o seu dever; mas também pensei que Portugal teria entrado numa fase de viragem não perceptível do exterior e que até a história que se tinha vivido na rua, e que deveria estar viva na memória daqueles jovens, queria apagar. Portanto a memória é o que temos de mais precioso. Não apaguem a memória!
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