segunda-feira, 23 de outubro de 2017

José Palla e Carmo


Há algumas pessoas que gostaria de ter encontrado ao longo da minha vida. Uma delas foi José Palla e Carmo, curiosamente pai de uma querida amiga, a Bárbara, a quem eu nunca disse isto. 

Palla e Carmo nasceu em 1923 e morreu em 1995. Era diretor bancário, especialista em literatura americana, crítico, tradutor e outras coisas mais no mundo das letras. Realizava-se através de uma escrita bem disposta, culta, quase surrealista. Dizem-me que era uma pessoa divertidíssima. Escrevia lindamente e (creio) tudo quanto publicou assinava como José Sezinando. Andei uma vida a pensar que era um pseudónimo, quando afinal, na realidade, são também verdadeiros nomes seus.

Há pouco, “cruzei-me”, num estante, com a sua “Obra Ântuma” (escusam de ir ao dicionário, é um neologismo que significa “antes de morrer”). E, por via desse ”encontro”, lembrei-me de uma história que ouvi contada, há semanas, por Vasco Vieira de Almeida, seu amigo e chefe no BPA.

Um dia, o banco recebia uma delegação americana, do grupo Rockfeller, que andava a selecionar instituições nas quais pretendia investir na Europa. Esse contacto era, assim, muito importante. Palla e Carmo era o diretor internacional, mas Vasco Vieira de Almeida, conhecendo a verve humorística do seu colaborador, achou dever avisá-lo de que ele deveria deixar-se de brincadeiras durante a reunião, tanto mais que os americanos só costumam achar piada às suas próprias graças.

O encontro corria bem. Palla e Carmo mantinha-se no combinado mutismo, até que um dos visitantes, mirando-o diretamente, perguntou: “Quantas pessoas trabalham no banco?”. Era um “estímulo” demasiado para Palla e Carmo, que logo respondeu, de forma curta, mas clara: “50% !”

(A imaginativa fotografia de JPC a ler um jornal é da autoria do seu irmão, o arquiteto Victor Palla)

10 comentários:

Anónimo disse...

Conheci muito bem o Zé Palla e Carmo. Inteligentíssimo, cultíssimo e com um sentido de humor inigualável. Ri muito com ele e concluía esta história do banco assegurando que o americano respondeu "50%?. Nada mal"
Fernando Neves

Anónimo disse...

Cusquice genealógica: E são alguma coisa (o quê?) a António Costa ou ao major da República?

Anónimo disse...

Deliciosa história!

Anónimo disse...

Peço desculpa por utilizar o seu espaço para escrever o que segue

Estou a ver o CEO da Websummit a falar numa coisa qq governamental, o tipo vestido com uma t shirtsinha à geek que é, mas com uma bandeiras daquelas mesmo, castrenses, que lembrar as tipicas decoraçoes de mobiliario militar tuga (comparem com o frances, para ver o que é nivel (https://fr-fr.facebook.com/cema.armeefrancaise/). Ninguém se lembra de tirar uma decoraçao de bandeiras tipo quasi-terceiro mundo (estou a ver o iraq do saddam a ter umas decoraçoes do género...) e por um palanque moderno, com uma bandeira tuga design e com umas coisas assim mais para a frentex? esquecer as invencoes decorativas de tipo castrense do salazarismo do final dos anos 50 e 60?


Anónimo disse...

Assinava os textos literários como José Palla e Carmo e os textos humorísticos como José Sesinando (os seus dois nomes próprios). No Jornal de Letras, certa vez, o José Sesinando chegou a entrevistar o Palla e Carmo. Obrigado pelo post!

Pedro Sesinando Monteiro

APS disse...

Mais uma rémora...

Anónimo disse...

Piada famosa no anedotário da cúria.
Certa ocasião perguntaram ao papa João XXIII [1958-1963] se fazia ideia de quantas pessoas trabalhavam no Vaticano.
«Più o meno la metà.» — «Mais ou menos metade.» —, respondeu o pontífice.
Em 27.Mar.2013, ao 9.º dia de pontificado, até o papa Francisco, novo patrão dos assalariados vaticanos, contou a pilhéria nos cumprimentos pascais, complementando:
- «E così voi sareste la metà?»
Em tradução ultralivre, «Espero que pertençam à metade que trabalha».

Mas admito que em contexto semelhante José Palla e Carmo tenha, sem "adaptação" à Tony Carreira..., sido soprado pelo mesmo rasgo de graça que inspirara Angelo Roncalli.
Afinal, «les beaux esprits se rencontrent.» - Voltaire, 30.Jun.1760
Deniz Costa
Bobadela, Loures.

Anónimo disse...

Embaixador, já agora ai o dito cujo fazia parte de quais 50% dos que trabalhavam, ou dos que apenas se pavoneavam? outro assunto o senhor que tanto defendeu a Dilma, já viu que agora o comparsa dela o macaco barbado de Pernambuco já diz que ela traiu os eleitores? os ratos tentam salvar-se por todo o lado.

Cícero Catilinária disse...

Ele há gente "anónima" que só merece mesmo é desprezo, caro embaixador.

Anónimo disse...

ó Cicero vai ver se chove em mim lá fora.