domingo, fevereiro 16, 2025
O outro concerto
A União e os "principais"
Macron vai reunir amanhã em Paris "os principais países europeus", para discutir o futuro da segurança europeia, em face das iniciativas de Trump sobre a Ucrânia. Repito: "os principais países europeus". Depois queixem-se que a Europa está pouco unida! Uns decidem pelos outros.
Ainda
Duas mulheres, "late forties", ar cansado do trabalho, a jantar tarde no dia dos namorados, sentindo-se obrigadas, sei lá bem porquê, a dizer ao empregado do restaurante assim-assim: "Nós não somos namoradas!" Já não falta muito, mas este Portugal ainda vai existindo por aí.
Juízo
Se a Europa tivesse juízo estratégico, sugeria que a iniciativa americana se integrasse numa nova arquitetura europeia de segurança, comprometendo a Rússia, dando garantias para a preservação da independência de uma Ucrânia neutral, dotada de um estatuto especial com a UE.
Vistas bem as coisas...
Ao escolher a Rússia como seu único interlocutor no caso ucraniano, a América de Trump parece dar razão ao argumentário de Moscovo de que foram os gestos ocidentais de reforço e aproximação da NATO das suas fronteiras que, em última instância, justificaram a sua ação militar.
Há dez anos...
Cavaco, a segurança e outras coisas divertidas
A embaixada em Londres era então chefiada por António Vaz Pereira, de quem eu era ministro-conselheiro e seu "número dois". Vaz Pereira estava no seu último posto de uma carreira diplomática relevante. Ali chegara ido de embaixador junto da NATO, após ter exercido idênticas funções em Moçambique e na Dinamarca. Fora também diretor político nas Necessidades, o lugar de topo da decisão diplomática. Como personalidade, era um "character", um conhecido "gourmet" e cozinheiro, um reputado pescador. Homem culto e lido, pensava pela sua própria cabeça e tinha opiniões fortes, que não escondia e fazia gala de afirmar. Bastante conservador, mas sem alinhamentos políticos, tinha plena confiança em mim e dava uma grande liberdade ao meu trabalho. Durante quatro anos, tivemos uma relação excelente e ficámos amigos, até à sua morte.
Voltemos à visita. De Lisboa, foi-me transmitido pelo telefone que estavam em contacto direto com Downing Street. Não estava prevista a presença de Vaz Pereira no encontro de Cavaco Silva com Major, por vontade portuguesa.
Cavaco Silva era useiro e vezeiro na atitude de, frequentemente, afastar os embaixadores portugueses de encontros que tinha com os seus homólogos. E, como é óbvio, um chefe de governo que constata que um primeiro-ministro que o visita não leva consigo o embaixador parte do princípio de que este não lhe merece confiança. Daí retirará as necessárias consequências, na importância futura a conceder ao diplomata.
Cavaco Silva foi primeiro-ministro durante uma década. A doutrina dividia-se sobre se era ele próprio quem promovia essa atitude, que colava com o seu temperamento fechado e distante, ou se era instigado a tal por algumas "eminências pardas" (no MNE, alterava-se com frequência a penúltima consoante do adjetivo...) à sua volta. No fundo, era irrelevante: o resultado seria sempre o desprestígio dos embaixadores portugueses.
Na conversa com a pessoa que, de Lisboa, me informou da coreografia da visita, não tive o menor sucesso quando objetei contra a ausência do embaixador no encontro com Major. Nada que me surpreendesse.
Informei de tudo Vaz Pereira que se limitou a comentar, com um sorriso e uma gargalhada galhofeira que era muito sua: "Albarda-se o burro à vontade do freguês." E, como "bofetada de luva branca", pediu-me que informasse o gabinete do primeiro-ministro de que tinha "o maior dos gostos" em convidar Cavaco Silva e a comitiva a irem jantar à residência da embaixada, a cerca de três centenas de metros do hotel onde se instalavam, na noite da chegada. Nova recusa: todos jantariam no próprio hotel. Claro que a Cavaco Silva, bem como à sua corte, não passou pela cabeça ter a delicadeza de convidar o embaixador português no Reino Unido a juntar-se-lhes.
Vaz Pereira era um homem superior. Sentiu o toque, mas decidiu não reagir. Disse-me para eu tratar do que fosse necessário, para que a visita, de que ele fora deliberadamente afastado, corresse pelo melhor. Falei com o "Foreign Office" sobre alguns pormenores, reservei o hotel e tratei dos carros.
Cavaco chegou de Falcon a um aeroporto militar perto de Londres. Vaz Pereira e eu esperávamo-lo. Cumprimentou-nos, recusou o convite que o embaixador lhe fez para ir no belo e histórico Daimler oficial da embaixada, entrou com alguém num dos carros alugados e zarpou para o hotel. Só voltámos a vê-lo à partida, no dia seguinte.
Nessa noite, porém, eu ainda iria ter um divertido episódio com um membro da comitiva de Cavaco. Estava a jantar em casa quando recebi um telefonema do chefe da segurança do primeiro-ministro.
O anedotário político está cheio de historietas caricatas passadas com essa pequena figura, de que a mais célebre é a desconfiança que, um dia, lhe tinha causado ver uma pomba pousar junto a uma janela, numa sala do edifício da União Europeia, em Bruxelas, em que estava Cavaco Silva. O homem entrou em stresse, desconfiando que a pomba pudesse transportar um engenho explosivo e lançou um alerta, provocando risota e caindo no ridículo dos circunstantes. De todos? Não ficou para a pequena história qualquer reação de Cavaco Silva sobre a pomba.
E chegou o tal telefonema, pelo meu telefone fixo, num tempo em que não tínhamos telemóveis. O homem vinha queixar-se-me de que, na sua perspetiva, a segurança britânica estava a descurar gravemente a proteção a Cavaco Silva, dentro do hotel. Segundo ele, não se viam agentes e isso era uma falha muito grave. Perguntou-me se eu podia intervir, com urgência.
Comecei por lembrar-lhe, com algum gozo escondido, que à embaixada não fora pedida a menor diligência sobre questões de segurança. Adiantei que estava em absoluto convicto de que os britânicos, que à época tinham uma experiência ímpar em matéria de terrorismo, por virtude das frequentes ações do IRA, teriam feito uma criteriosa avaliação dos riscos potenciais que Cavaco Silva corria, desenhando o dispositivo adequado para esse nível de risco.
O homem, contudo, não se calava - e não me deixava jantar... Prometi-lhe que ligaria ao "liaison officer" britânico, transmitindo a sua preocupação. Não era suficiente: queria um forte "reforço do dispositivo", com agentes em permanência, durante toda a noite, no andar do hotel onde Cavaco Silva iria dormir. Disse-lhe que faria essa sugestão aos britânicos. "E teremos resposta?", atirou-me, ansioso. "A resposta que vai ter será a chegada, ou não, dos agentes. Por isso, logo verá!"
O chefe da segurança dramatizou: "O senhor doutor parece não entender que o primeiro-ministro Cavaco Silva é, neste momento, o mais importante líder da Europa. É ele quem preside ao Conselho Europeu! Se acaso sofresse um atentado, quem poderia substituí-lo?" Ri-me intimamente.
E foi então que a minha veia irónica não resistiu e, num registo "by the book", me saiu isto: "Se o primeiro-ministro português fosse vítima de um atentado, creio que quem iria presidir ao Conselho Europeu seria o Dr. Fernando Nogueira, na ordem protocolar do governo, não lhe parece?"
Senti, do outro lado da linha, o homem a "trepar pelas paredes". Retorquiu num tom ofendido e, com um "isto não fica assim!", desligou o telefone. Informei o embaixador Vaz Pereira do episódio, o que nos mereceu uns divertidos adjetivos sobre o caráter dos nossos episódicos visitantes, e transmiti ao meu contacto no "Foreign Office" a angústia securitária que atravessava a comitiva cavaquista. E fui jantar, que já se fazia tarde.
Mas não tinha ainda chegado à sobremesa quando recebi nova chamada, agora de uma outra figura, alguém da ala diplomática da comitiva, junto de quem o obcecado chefe da segurança se tinha ido queixar da "impertinência" da minha resposta. Detalhei, com medida paciência, a minha intervenção no assunto, ficando com a sensação de que o meu interlocutor, lá no fundo, entendia bem o que tinha passado. Nunca cheguei a saber se os britânicos tinham ou não "reforçado o dispositivo". A única certeza que o mundo pôde ter foi que Cavaco Silva sobreviveu incólume, depois dessa angustiada noite londrina da sua paranóica segurança.
No dia seguinte, à partida, no aeroporto, ainda me diverti imenso, ao constatar que o tal chefe da segurança, por uma qualquer razão, foi o único membro da comitiva a quem veio a ser feita uma revista pessoal completa e com algum pormenor. Enquanto se descalçava e esvaziava os bolsos, o nosso homem fuzilava-me com a vista, à distância, como se estivesse convencido de que eu fora o culpado desse tratamento discriminatório, aos olhos (que, em alguns casos, me pareceram divertidos) dos seus colegas da delegação. Não, não tive nada a ver com o que lhe aconteceu, mas, posso agora confessar, talvez gostasse de ter tido...
Porque é que conto isto hoje? Porque, há horas, à saída de um espetáculo, pareceu-me vislumbrar o homem. Seria ele? Já pouco importa. Ou melhor, importa: fico a dever-lhe o pretexto para escrevinhar o que acabam de ler.
sábado, fevereiro 15, 2025
Pinto da Costa
O dia dos namorados
sexta-feira, fevereiro 14, 2025
Porque não
Pergunta de um amigo: "Então não escreves nem dizes nada sobre a iniciativa de Trump sobre a Ucrânia, logo tu que andas há anos a escrever e a falar do assunto?" É verdade, e não foi por falta de convites de televisões. Foi porque não.
Confissão
Não sou dado a invejas, mas tenho de confessar: tenho imensa pena de não estar hoje na Conferência de Munique sobre Segurança.
quinta-feira, fevereiro 13, 2025
Ainda Crabtree
quarta-feira, fevereiro 12, 2025
Crabtree
Seria hoje à noite, no University College, em Londres, que iria ter lugar o jantar anual da Crabtree Foundation. Mas não será este ano.
Fevereiro Negro
Não deve ser fácil, nos dias que correm, ser chefe do Estado da Jordânia e mostrar boa cara na Casa Branca.
terça-feira, fevereiro 11, 2025
Memória
segunda-feira, fevereiro 10, 2025
Fados e guitarristas
No passado sábado, fui ao "Fama de Alfama" ouvir fado, com um grupo de amigos. Foi uma bela noite, com boas vozes e excelente música, numa "casa de fados" muito pouco "típica": é que lá come-se bastante bem, a preços muito confortáveis. Convenhamos que não é normal! Quase protestei!
domingo, fevereiro 09, 2025
Sarkozy e Sócrates
sábado, fevereiro 08, 2025
Hamas
Raptar civis inocentes, como fez o Hamas, é um ato obsceno. Pô-los a falar num palco, antes de os libertar, é um gesto ignóbil.
A legitimidade da resistência palestina contra a ocupação israelita das terras que o Direito Internacional reconhece como suas é muito mal servida desta forma.
Diário de um otimista
Há uns anos, numa rua de Paris, passeando com um grande amigo que o tempo já me levou, ao olhar um cartaz de um espetáculo do Tony Bennett, vi-o reagir assim: "Ora ali está um tipo otimista!".
sexta-feira, fevereiro 07, 2025
Aviso à navegação
Teste do algodão
O PSD tem agora uma oportunidade de ouro de se mostrar à altura da clássica atitude de Marques Mendes, quando um dia afastou os autarcas infrequentáveis. Se, por tibieza ou oportunismo, Montenegro ficar "a meio da ponte", confirmará o que muitos pensam dos partidos do sistema.
Mendes - take one
Marques Mendes, no seu competente discurso de candidatura, mostrou maturidade política e que sabe bem ao que vai. Da parte dele, e espero não estar enganado, o país poderá contar com uma campanha limpa e substantiva, a qual, contudo, só irá verdadeiramente arrancar depois das autárquicas de outubro.
Welcome back!
Parabéns à Polícia Judiciária, e à ministra da Justiça de quem ela depende, pela eficácia na detenção dos fugitivos de Vale de Judeus. Espero que já haja "trancas à porta", que evitem ter de novo a "casa roubada".
Já agora...
Ou muito me engano ou, daqui a dias, os EUA vão descobrir uma fórmula que permita a Israel atuar sem limitações na Cisjordânia, como se esse fosse um território seu. Será a lei da Bíblia imposta à lei da bala - o sonho sionista da extrema-direita judaica, em Israel e nos EUA.
Bayrou
François Bayrou conseguiu fazer sobreviver o seu governo. Mostrou a Macron que tinha razão quando o forçou a nomeá-lo PM. Partiu a coligação das esquerdas, isolou Mélenchon e deu ao PSF oportunidade de se mostrar responsável. Faltam dois anos para as presidenciais. E se...?
No sítio
É nestes dias sombrios que vai ser posta à prova a coragem dos jornalistas americanos, pelo menos dos meios de comunicação social cujos donos não tenham conseguido domar a liberdade dos seus profissionais.
quinta-feira, fevereiro 06, 2025
Periscópio
O militante do PS que propôs um referendo interno sobre o candidato que o partido deve apoiar nas presidenciais já tinha anunciado que iria apoiar o oficial da Armada na reserva Passaláqua de Gouveia e Melo. É o que se chama um socialista com o periscópio de fora.
Gaza
É muito óbvio que a sistemática destruição urbana de Gaza foi uma ação deliberada, com vista a tornar praticamente inviável o regresso dos cerca de dois milhões de palestinos às suas casas, abrindo assim caminho a "soluções" como aquela que Trump ousou propor.
quarta-feira, fevereiro 05, 2025
Seguro
António José Seguro tem todo o direito a querer ser candidato presidencial. E as pessoas da sua área política têm igual direito de achar que as suas possibilidades de ser eleito são próximas de zero e que a persistência nessa candidatura favorece os adversários do partido que lhe deu o palco de que hoje dispõe.
Periscópio
Há críticas ao atual ocupante de Belém, assentes na leitura negativa sobre o seu excessivo uso da palavra. Mas, pelo menos, conhecemos bem o que pensa. Preocupa-me muito haver um candidato presidencial cuja principal "qualidade" é esconder as ideias que eventualmente possa ter.
Tudo sobre rodas
Gaza, SARL
Cada minuto que passa sem que a União Europeia reaja, com firmeza, à abstrusa ideia de Trump de colocar os Estados Unidos a tomar conta do território de Gaza, forçando a saída dos palestinos da sua terra, é um atestado do estado da sua saúde moral.
Maria Teresa Horta
terça-feira, fevereiro 04, 2025
Aga Khan
Morreu hoje, em Lisboa, com 88 anos, o príncipe Aga Khan, figura tutelar do mundo ismaelita, uma prestigiada orientação muçulmana.
A comunidade ismaelita no nosso país tem fortes raízes em Moçambique e constituiu-se, em especial após 1974, como um setor muito respeitado, dotado de um profundo sentido de responsabilidade social.
Durante o tempo em que dirigi o Centro Norte-Sul, do Conselho da Europa, tive o gosto de conduzir o processo de atribuição ao príncipe Aga Khan do Prémio Norte-Sul 2013, votado em Estrasburgo, pelos Estados membros do Centro.
Foi um galardão unanimemente decidido, em face da notável obra cultural e social, à escala internacional, que tinha vindo a ser realizada sob a orientação do príncipe.
Neste triste momento, quero deixar uma palavra solidária de muito pesar ao meu amigo Nazim Ahmad, personalidade ismaelita de grande relevo no nosso país, pessoa que há muito representa, de forma exemplar, a sua prestigiada comunidade, cujo percurso na sociedade portuguesa acompanho, há décadas, com sincera admiração.
Agora é que era...
Agora que começa a soar, dos lados de Washington, a sinistra expressão "Greater Israel", talvez valesse a pena alguém perguntar aos líderes da União Europeia se continuam fiéis à solução dos "dois Estados" e se estão dispostos a defendê-la face aos EUA.
Não era tão bom...
... aquele tempo em que se vivia desta forma na Amadora, em que havia colónias, pides e coisas assim?
Quatro rodas e dois pedais
segunda-feira, fevereiro 03, 2025
Rapaziada
Pela experiência destes primeiros dias, já se percebeu que o lema da intervenção de Elon Musk na administração americana lembra uma rapaziada que também temos por cá: menos Estado, melhor Estado e o que sobrar fica para nós e para os amigalhaços.
Espaço vital
Sob a vergonhosa cumplicidade do mundo, os setores radicais de Israel estão agora a converter a Cisjordânia na "nova Gaza". Chamemos os bois pelos nomes: a "solução final" do "problema palestino" passa pela expulsão dos habitantes daquela terra.
Escolhas
Cheguei à conclusão de que, nas escolhas eleitorais que fui fazendo ao longo da vida, senti maior satisfação em poder contribuir para a derrota de algumas hipóteses sinistras que andavam no mercado político do que o gozo que tive nas várias vitórias que partilhei.
Até que enfim!
Lê-se que 175 portugueses, sorteados entre Vilar de Perdizes e o Pulo do Lobo, decidiram já o futuro resultado autárquico em Lisboa. Finalmente, a democracia funciona! Há que acabar com o velho centralismo de serem apenas os lisboetas a escolherem o seu presidente da câmara!
domingo, fevereiro 02, 2025
"Portugal diplomático"
Tive o gosto de ser convidado a dar uma entrevista para a sua última edição, cuja transcrição pode ser lida das páginas 17 a 33, através deste link.
16 anos deste blogue
sábado, fevereiro 01, 2025
Bayrou
Chegou a hora da verdade para Bayrou. O homem que pensou ser possível aprovar um orçamento sem recorrer ao mecanismo constitucional que só pode ser ultrapassado através da censura e queda do governo, vai ter agora a sua segunda prova de fogo.
Preto
Hoje, apetece-me falar de coisas sérias. Aqui fica uma rara imagem de um pinguim preto. Digam lá se não tem elegância e distinção!
sexta-feira, janeiro 31, 2025
Hello!
Há muitos anos, fingidamente confundido com as diversas vozes que falavam com os EUA em nome do Velho Continente, Henry Kissinger comentou: "Qual é o número de telefone da Europa?". Hoje, com Trump, o problema está resolvido: ninguém nos liga...
Notas breves sobre Belém
1. Luís Marques Mendes anunciou que vai apresentar a sua candidatura. O PSD vai apoiá-la, pressentindo que necessita de tentar segurar o seu eleitorado, de onde sabe que está a fugir muita gente para ir atrás do almirante. É injusto para Marques Mendes que o apoio do seu partido seja feito "faute de mieux". É um homem sério, será um candidato competente e, se acaso fosse eleito, estou certo de que teria um comportamento à altura do sentido de Estado que se exige a um presidente. Mas acho que, nesta fase, ele próprio tem plena consciência de que esta é uma candidatura sem a menor hipótese de sucesso.
2. A candidatura de António José Seguro está muito longe de poder vir a mobilizar o Partido Socialista, isto é, entusiasma apenas aqueles que, dentro do PS, vivem ainda numa espécie de vingança virtual face a António Costa - tal como acontece com o próprio Seguro. Da mesma forma que Marques Mendes, Seguro é uma pessoa íntegra e que sempre revelou um sentido de Estado que, a meu ver, não colidiria, em tese, com o perfil necessário para o exercício da função presidencial, embora o que há semanas disse a propósito de o OGE não necessitar de aprovação parlamentar tivesse revelado uma estranha pulsão propositiva, que se aproximou de alguma irresponsabilidade. As suas hipóteses de ser eleito são próximas de zero, por muito que algumas sondagens ainda o promovam. Diria mesmo mais, algo que julgo não ser necessário explicar: a maioria das pessoas que, num outro circunstancialismo, se poderiam sentir motivadas a votar em António José Seguro já se decidiram pelo almirante.
3. A meu ver, sem mais reflexões que escondem hesitações, o Partido Socialista tem, muito rapidamente, de "fechar" o seu apoio em torno de uma candidatura de António Vitorino. A larga distância de outros potenciais candidatos oriundos da mesma área - e eu votaria, sem a menor dificuldade, em Augusto Santos Silva, Mário Centeno ou Elisa Ferreira -, António Vitorino, embora tendo por ora um evidente défice de notoriedade, dado ter estado afastado do país muitos anos, é, no plano substantivo que importa para o perfil de um chefe de Estado, uma personalidade com preparação e conhecimentos que só António Guterres suplantaria. Vitorino seria um excelente presidente da República. Possui uma experiência internacional que o qualifica como aquele que, a grande distância, melhor representaria Portugal pelo mundo. Quem o conhece, nomeadamente o mundo partidário fora do PS e os setores económicos e sociais, sabe que a sua capacidade de diálogo seria uma garantia de o país poder vir a ter em Belém uma figura moderada e moderadora. O que Portugal bem precisa, nos tempos que se avizinham.
quinta-feira, janeiro 30, 2025
Dois mais dois
Já pensaram que, se o futebol fosse uma ciência exata, o Casa Pia podia dar uma abada à Juventus?
... e não têm vergonha?
Em lugar de se prestarem a promover as óbvias manobras de diversão temáticas que estão a ser montadas pelo Chega, para disfarçar o embaraço do caso do deputado Samsonite, será que as televisões não sabem que nada as obriga a irem ouvir o senhor Ventura, quando a este lhe dá na gana chamá-las?
Será?
Será que as autoridades policiais são realmente incapazes de detetar quem está por trás destas tentativas de vigarice?
De fato...
Sair das mãos
"Faithfull"
Kallas
Admito que Kaja Kallas possa ter sido uma meritória PM da Estónia. Mas a sua prestação à frente da diplomacia da UE tem sido tão fraca que já criou saudades de Borrell e até quase de Ashton. Alguém que explique à senhora que a russofobia é um sentimento, não é uma atitude política.
"Fear or values - we must choose"
( This text was published in the Portuguese weekly magazine Visão ) Fear or Values – You Must Choose The flood of information around us brin...











































