Outono de 1969. Era uma senhora muito conservadora (na altura, eu dizia "facha") até dizer chega - e, nesse tempo, alguma coisa parecida com o sonho político último do Chega estava no poder em Portugal. Tinha uma quinta numa aldeia perto de Vila Real. Estava lá inscrita para votar, nas "eleições" para a Assembleia Nacional. E também estava nas "listas" da cidade de Vila Real. Era o bi-voto. Não o escondia, dizia com orgulho: "Se tenho duas casas, se pago impostos por elas nos dois sítios, tenho direito a ter dois votos, não é?". Era.
