sexta-feira, fevereiro 04, 2022

Vamos ser sérios!

Há uma óbvia dramatização artificial no seio da NATO, quanto à ameaça russa: nunca, até hoje, desde o fim da Guerra Fria, se assistiu a alguma ameaça russa a um país da NATO ou às suas fronteiras. Moscovo sabe muito bem que essa é uma linha vermelha. E o ocidente sabe que a Rússia sabe.

Crimeia

Foi curioso ouvir Putin dizer que o (implausível) acesso da Ucrânia à NATO poderia redundar numa guerra com a organização, porque o país poderia aproveitar para tentar retomar a Crimeia. Como se tivesse havido a menor legalidade na captura daquele território pela Rússia, em 2014.

Casamento de conveniência

Mesmo com inevitáveis solavancos, tenho a sensação de que, até ao fim dos mandatos de Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa, a nenhum dos dois interessa romper o modelo de inteligente (e curiosa) cooperação que tem vigorado. Um “esticar de corda” resultaria impopular para ambos.

Estabilidade “a mais”

Ao dissolver o parlamento, o presidente da República sabia que corria o risco das eleições poderem vir a gerar outras situações de instabilidade, embora nelas ele pudesse vir a ter alguma “mão” e gestão do “destino”. Não terá previsto, contudo, esta de uma estabilidade “a mais”.

Amorim 2

A propósito de Pacheco de Amorim, e das suas conhecidas ligações ao terrorismo de direita no PREC, eu aconselharia à gente dos dois maiores partidos com assento parlamentar a não correrem o risco de alguém “abrir o livro” das cumplicidades com o MDLP. E mais não digo!

Louçã e Tavares

Há uns anos, Francisco Louçã ficou “à bica” de entrar para o parlamento. Muitas pessoas lamentaram a sua não eleição. Anos depois, quando acabou eleito, passou a irritar muita dessa gente. Rui Tavares é bem mais “suave”, mas preparem-se! Gente inteligente é sempre “perigosa”!

Amorim 1

Não sei se Pacheco de Amorim, com quem nunca falei, chega ou não à vice-presidência da AR. Tendo-o ouvido uma vez ou duas, uma coisa que tenho por certa: dado o abissal contraste com a maioria da gente do seu partido, vai passar a ser o seu deputado mais “frequentable”. Aposto!

Assim também eu!

Ontem, disse a alguém que estava a pensar deixar de escrever sobre política interna nas redes sociais. Vejo pouca televisão, quase não ouço comentadores, leio em diagonal um só jornal. “Pois, pois! Assim também eu! Tens os teus no poder por quase cinco anos! Nem precisas de falar”.

quinta-feira, fevereiro 03, 2022

“A Arte da Guerra”


Com um novo visual, a comemorar o início do segundo ano da conversa semanal com o jornalista António Feitas de Sousa, sobre temáticas internacionais, para o mundo audiovisual do “Jornal Económico”, falamos do desfecho das eleições presidenciais italianas, do estado da arte na crise ucraniana e das dimensões políticas dos Jogos Olímpicos de inverno na China.

Pode ver aqui.

quarta-feira, fevereiro 02, 2022

Monica Vitti


Monica Vitti morreu hoje, aos 90 anos. Aquela tristeza misteriosa foi, por bastante tempo, o rosto de um grande cinema italiano.

A força do PC

“Assim se vê a força do PC!”, é um estribilho conhecido de todos. A força do PC, depois das eleições de domingo, é muito inferior à força que o PC tinha no parlamento antes da respetiva dissolução, que o PC ajudou a consumar. Como resultado, cada vez menos se vê a força do PC.

Ontem, na televisão, ouvi atentamente João Oliveira, um dos quadros mais salientes na vida parlamentar dos comunistas, nos últimos 15 anos, que não foi eleito como cabeça de lista do partido pelo distrito de Évora. Se alguém me dissesse, no sábado, que os comunistas deixariam de estar representados no alentejano círculo eleitoral de Évora eu “explicaria”, com facilidade, a implausibilidade desse cenário.

É extraordinário como João Oliveira conseguiu, ao logo de toda a entrevista, não fazer um mínimo de autocrítica sobre a atuação do partido, não confessando um único erro, tático ou estratégico, que pudesse ter levado àquele desfecho. É que o PCP nunca tem a menor culpa, o PCP está sempre correto, são os outros, com a sua ação ou a força enganadora da ilusão a que induzem, que contribuem para tudo o que de mal sucede ao partido, no estiolar progressivo da sua capacidade de representação (“formal”, dirão, talvez) dos “interesses dos trabalhadores e do nosso povo”. O PCP fala sempre em nome do povo, muito embora, de forma crescente, esse mesmo povo tenda a fazer-se representar por outros partidos, o que vai diluindo a legitimidade dos comunistas de se considerarem os seus legítimos defensores.

Tudo o que é dito em nome do PCP - com indiscutível seriedade e óbvia genuinidade - surge sempre embrulhado num discurso previsível, repetitivo, entre um marxismo primário e mecanicista e um populismo sempre autocongratulatório, em face do trabalho político desenvolvido, ainda que marcado por uma esforçada modéstia, atrás da qual espreita a consabida “superioridade moral dos comunistas”. Ao ouvir João Oliveira ontem, tal como ao escutar o triste texto lido por Jerónimo de Sousa no domingo (num auditório coreograficamente encenado só com jovens, algo inesperado para uma força política que não nos habituou a esses artificialismos), fica-se com a sensação de que, com maior ou menor imaginação semântica, os comunistas continuam a dizer a mesma coisa, repetem quase sempre os mesmos chavões. No passado, falava-se muito da “cassette” do PCP. Se estiverem atentos, verão que pouco mudou, até na entoação das frases.

O PCP - partido pelo qual sinto uma eterna gratidão histórica, pela sua abnegada luta contra a ditadura - permanece fechado numa narrativa monocórdica, feita da mistura de palavras saídas de um léxico fixo, como se arriscar uma qualquer evolução semântica pudesse fazer incorrer os seus responsáveis numa perigosa heresia doutrinária. Dir-se-á: mas o PCP está na vida política portuguesa há 100 anos e isso deve significar alguma coisa. Devo confessar que, ao ouvir o que o PCP hoje nos diz fico com a sensação de que, mais do que um partido antigo, estamos perante um partido irremediavelmente velho. E sinto alguma pena por isso.

Este blogue


Tenho estado por aqui nos últimos 13 anos. Desde o dia 2 de fevereiro de 2009. Todos os dias. Sem exceção. Uns desistiram de ler, outros têm chegado, entretanto. Alguns gostam, outros detestam, um número muito significativo de pessoas - agora mais de 1500, em média diária, mas já foram mais e já foram menos - continua a pensar que vale a pena atentar ao que por aqui se publica. Às vezes, tenho-me perguntado: o que é que faria, se me apercebesse de que já ninguém me lia? E chego à conclusão, que não deixa de ser algo preocupante, de que, se calhar, continuava a escrever na mesma.

terça-feira, fevereiro 01, 2022

Minorias

O Bloco lembra agora a “má memória” da maioria absoluta. Curioso! Se tivessem boa memória, antes de derrubarem o orçamento, valia a pena terem-se lembrado da maioria PSD/CDS que, com o seu voto, ofereceram ao país em 2011. Quem não lembra não aprende!

O gosto do camuflado

Voltaram a estar “na moda” os golpes de Estado militares em África. Foi no Mali, foi no Sudão, foi na Guiné-Conacri, foi no Chad, foi no Burkina Faso e, hoje, na Guiné-Bissau.

Snobeiras

Ouvido há dias, num ambiente social: “Bolas! Toda a gente tem Covid! Um destes dias já nem é ‘bem’ dizermos que não tivemos Covid”.

O mundo do se

Pelas bandas perdedoras, alguns entreteem-se, por estas horas, em exercícios de história alternativa, “kiplinguiana”, do género “e se, afinal, tivesse sido assado?”, como se tal ajudasse a alguma coisa. Chama-se a isto “chover no molhado” e é o terreno fácil dos passa culpas.

2026

Há hoje duas maiorias absolutas em Portugal, convém não esquecer. A primeira foi obtida por Marcelo Rebelo de Sousa e lá estará até 2026. A segunda é do PS e caducará também nessa data. Dez anos consecutivos de Marcelo e de PS concluir-se-ão então. 2026 vai ser um ano com muita graça.

Tarde piaste!

“Se eu soubesse que o PS ia ter uma maioria “assim”, talvez tivesse mantido o voto que, em 2019, dei ao PCP”, disse-me um amigo muito próximo. “Tarde piaste!”, como diz o provérbio.

A mesa

Pergunta a um amigo “passista”, PSD “de carteirinha”, como dizem os brasileiros, que deve ter tomado sais de frutas ao pequeno almoço: “Se o PSD, por um bambúrrio, tivesse obtido uma maioria absoluta, a que restaurante irias comemorar?” Ele disse-me e eu fui lá ontem!

Agora não dá jeito!

Foram precisos 47 anos deste sistema eleitoral até aparecerem por aí uns “espertos” a fingir que não entendem (ou, se calhar, não entendem mesmo, o que é pior!) que o modelo de proporcionalidade automática dos mandatos seria um suicídio político para o país.

A dignidade da República

O incidente na sala de um partido na Assembleia da República não é um "fait-divers". Sem a menor ironia, acho aquilo gravíssimo.  ...