sexta-feira, janeiro 14, 2022

Juízo independente

No Reino Unido, o comportamento de Boris Johnson está a ser avaliado por uma “senior civil servant”, isto é, uma funcionária pública de nível elevado.
 
É com base nesse juízo, independente, expresso num relatório que vai apresentar, que o futuro daquele governante será avaliado. 

Algum político, em Portugal, admitiria ser avaliado desta forma?

quinta-feira, janeiro 13, 2022

O debate


Gostei muito da perspetiva de Rui Rio sobre a crise ucraniana. Mais claro não podia ter sido! Vi ali o dedo dos conselhos do meu amigo Tiago Moreira de Sá. E que me dizem às reticências de António Costa quanto à posição da Nato sobre os mísseis de curto alcance? Pareceu-me descortinar, no que disse, uma ligeira dissonância com o que o ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, afirmou hoje de manhã. Mas pode ter sido impressão minha. Revelador é que nenhum dos dois tenha querido ir mais longe na questão da China. Por que terá sido? E o que é que Rio quis dizer naquela sua referência ambígua a Angola, na sequência da pergunta de Clara de Sousa? Costa interrompeu-o e mudou logo de assunto. Achei estranho. Parecia ”langue de bois” do velho ”bloco central”. No fim de contas, satisfez-me que a política externa, ainda que não muito desenvolvida no tocante aos países da lusofonia, tenha garantido uma parte interessante nos debates.

O tal…

Parece que o debate Costa-Rio já começou. Estou a jantar e a conversar sobre outras coisas que não a política. À noite verei, com interesse, mas sem pressa.

“A Arte da Guerra”


A revolta no Casaquistão, o folhetim entre a Ucrânia e o ocidente a propósito da Ucrânia e o reacender do separatismo sérvio na Bósnia-Herzegovina são os três temas que, esta semana, discuto com o jornalista António Freitas de Sousa no podcast do “Jornal Económico”, que pode ver clicando aqui: https://youtu.be/wwabaO3TyxQ

CDS

Certos eleitores do CDS devem sentir-se pouco confortáveis ao verem o seu partido, que sempre se deu ares de sereno e responsável, ser representado por um miúdo esgazeado e aos berros, com frases feitas trazidas num papel. Além de que levantar a voz denuncia sempre desespero!

quarta-feira, janeiro 12, 2022

Quem quer ser diplomata?


Conhece alguém que deseje entrar para a Carreira Diplomática? Avise-o de que vai haver, em breve, um concurso de acesso ao MNE. E que a Universidade Autónoma de Lisboa tem, uma vez mais, um curso de preparação que ajuda os candidatos a prepararem-se para esse exigente exame.

Lech Walesa


Li, há momentos, que Lech Walesa passa por sérios apuros financeiros, com uma escassa reforma e com a pandemia a ter suspendido o circuito internacional de conferências em que se apoiava financeiramente. Vende agora fotografias autografadas para sobreviver. 

Em 1998, acompanhei Jorge Sampaio na sua visita de Estado à Polónia. À margem da última cerimónia oficial, perguntei a um destacado responsável polaco, que, por acaso, conhecia bastante bem Portugal, por que razão, em nenhum dos momentos da visita, que tinha incluído receções a que tinham estado presentes dezenas de figuras da vida pública polaca, no que me pareceu ser uma relativa abrangência, nunca surgira Lech Walesa, seguramente a mais conhecida personalidade política da Polónia democrática.

Notei que o meu interlocutor ficou um pouco perplexo. Respondeu-me com duas perguntas.

A primeira foi saber se acaso Jorge Sampaio teria gostado de encontrar Walesa. Disse-lhe que não sabia, que não tinha comentado isso com o presidente, mas que, pelo interesse que colocara em conseguir uma visita ao estaleiro naval onde Walesa se notabilizara, em Gdansk, estava certo que isso teria agradado a Sampaio. O homem ficou a pensar, por um instante e fez-me uma segunda pergunta: “Vocês, em Portugal, convidam o Otelo Saraiva de Carvalho para as cerimónias oficiais, na visita de um chefe de Estado estrangeiro?”

Disse-lhe que era uma comparação com pouco sentido. Otelo nunca tivera funções de Estado no Portugal democrático, tinha tido problemas sérios com a justiça, pelo que era natural que não integrasse a “lista social” do protocolo português. Ora Walesa tinha sido presidente por cinco anos e fora um destacado Prémio Nobel da Paz, com forte prestígio internacional. Mas percebi aquela tentativa “maladroite” de criar um paralelo entre dois heróis da liberdade. E o assunto acabou por ali.

Numa outra qualidade, passei a visitar a Polónia, com alguma regularidade, já na última década. Um dia, falei a alguém de Lech Walesa. “Gostava de o conhecer?”, perguntou-me essa pessoa. Referi que, se isso pudesse ter lugar, acharia com certeza interessante. 

Meses mais tarde, já lá vão uns bons anos, essa ocasião foi-me proporcionada. Fiquei sentado ao lado de Walesa, num jantar, conversámos bastante, embora via intérprete, durante toda a refeição. Não me recordo de ter sido uma conversa particularmente fascinante. 

Walesa é uma personalidade simpática, algo histriónica, loquaz. A minha principal curiosidade era tentar ouvi-lo falar sobre figuras polacas que cruzara, como o general Jaruselski, Tadeus Mazovjecki ou Bronislaw Geremek Mas também gostava de o ver observar os principais líderes internacionais que contactara, comentar a situação política interna mais recente, as relações com os EUA e a Rússia, as questões bielorrussa e ucraniana, a sua perspetiva sobre o papel polaco na Europa, etc. Talvez tenha sido fruto da existência de um intérprete de permeio, o que corta sempre o tempo por metade, mas não guardei nada de marcante que Walesa me tenha dito, além de algumas generalidades e anedotas (no sentido anglo-saxónico de “anecdote”). E, no entanto, ele falou todo o tempo e eu costumo ter boa memória para o essencial. Guardei, mesmo assim, uma fotografia do momento.

A vida de Walesa deu muitas voltas, e não para melhor. Há tempos, vi Mikhail Gorbatchov fazer anúncios às malas Vuitton. As coisas, às vezes, não são fáceis para alguns políticos que, tendo andado na crista da onda da História, acabaram submergidos por ela, restando-lhes apenas esperar que a memória futura dessa mesma História lhes não seja madrasta.

terça-feira, janeiro 11, 2022

Jornalismo?

Foram inqualificáveis algumas das perguntas a que Jerónimo de Sousa foi sujeito por parte de certos ditos jornalistas, na conversa televisionada que hoje teve, antes do seu internamento. Que tristeza!

Nas redações, não há chefias, não há sensibilidade, ninguém ensina nada a quem, manifestamente, sabe muito pouco do “métier”?

segunda-feira, janeiro 10, 2022

Rússia

Há pouco, recebi do António Freitas de Sousa, o jornalista com quem faço, para o “Jornal Económico”, o programa “A Arte da Guerra”, a lista com a proposta dos três temas a abordar esta semana. Reparo que todos, direta ou indiretamente, se ligam à Rússia. Para aquela que alguns dizem ser uma “potência regional” (Obama dixit), não parece nada mal…

domingo, janeiro 09, 2022

Poesia no mato


Já me tinham falado no livro. Embora, como há dias me notava António Alberto Alves, o culto livreiro da “Traga-Mundos”, em Vila Real, aquilo seja “bastante mais do que um livro”. Mas já lá vamos!

Jorge Ginja foi um médico que nos deixou vai para dois anos. (Falei dele aqui). Desde os anos 80, o Jorge tinha feito de Vila Real a sua terra. 

Por ali foi figura ativa na política, na promoção cultural e, naturalmente, na sua profissão. Tinhamo-nos conhecido e ficado amigos no Teatro Universitário do Porto, em 1966/68. Fui-o, entretanto, reencontrando, a espaços, quando passava pela já também sua cidade. 

O Jorge, soube agora, tinha ficado amigo de Mário Viegas, um ator e “diseur” que teve vasta obra e curta vida. Viegas entrou para o TUP no ano em que saí do Porto, pelo que só vim a conhecê-lo (embora mal) quando, por acaso, ambos “fizémos tropa”, na Administração Militar, em Lisboa, em 1973/74.

Antes, no final dos anos 60, quando foi mobilizado para a guerra colonial, Jorge Ginja tinha pedido a Mário Viegas para gravar, em fita, um conjunto de poemas e textos teatrais que selecionou. Levou essa gravação consigo, para África.

Agora, a família de Jorge Ginja recuperou essa gravação, com 31 inéditos de Viegas. Com os poemas e os restantes textos ditos, fez-se o belíssimo livro “Voz Própria”, sintetizado no subtítulo “Poesia, Resistência e Liberdade”, editado pela “In Libris” e pela Direção-geral de Cultura do Norte. O volume integra dois CD com a declamação dos poemas e outros textos feita por Mário Viegas. O livro, ao lado de cada poema, também insere um código de leitura (QR Code) que permite ouvir essa voz num simples telemóvel. Aqui fica a explicação da razão por que, afinal, “é mais do que um livro”.

Dei esta obra a mim mesmo, como prenda de Ano Novo. Toda a gente oferece prendas no Natal, eu resolvi inovar. Fi-lo, porém, com a rara certeza de que o destinatário da oferta ficava contente ao recebê-la. Diria mesmo mais, tive tanto prazer em dar este livro como tive em recebê-lo. São coisas que dão algum trabalho mas, com imaginação e organização, se conseguem fazer.

“A Arte da Guerra”

“A Arte da Guerra”, o podcast no Youtube editado pelo “Jornal Económico”, onde semanalmente falo sobre questões internacionais com o jornalista António Freitas da Costa, passou, em 2022, a ser emitido às 11:00 horas das quintas-feiras.

Para ver e ouvir o programa, onde introduzimos algumas novidades de forma, à hora que quiser, pode sempre clicar no link que surge neste blogue, na página do Facebook do “Económico” ou nas minhas próprias páginas no Facebook ou no Twitter. 

Na primeira edição de 2022, falámos das próximas eleições presidenciais em Itália, na inesperada nova conflitualidade que surgiu na vida política no Sudão, bem como na crescente perceção de que a escolha do novo presidente da Líbia, que vem a ser adiada desde 2018, pode, uma vez mais, não acontecer.

Para ver, clique aqui.

Africa, adeus!


As guerras coloniais, as guerras do Ultramar, as guerras de libertação ou as guerras de África - cada um fique na sua, de acordo com a opção que escolher - mobilizaram a sociedade portuguesa entre 1961 e 1974, nas três frentes de combate. 

Este post não quer dar para o peditório dessa luta semântica (e peço, a bem da serenidade política, que ninguém vá por aí!). O seu objetivo é, muito simplesmente, dar conta da recente publicação, com o apoio da Câmara Municipal de Vila Real e de outras entidades, do livro “Adeus… até ao meu regresso!”. 

Trata-se de uma recolha de fotografias pessoais, intercaladas por alguma iconografia, cedidas por 56 cidadãos, oriundos do concelho de Vila Real, que estiveram mobilizados nas três frentes de combate. São, quase sempre, imagens de momentos descontraídos, mas não só, nesses anos que muito devem ter custado a passar a quem se vestiu de verde e teve uma arma na mão. Pelas páginas do livro, encontrei muita gente conhecida. 

Esta edição, sem fins lucrativos, à qual de associou a Liga dos Combatentes, presta também um homenagem às dezenas de cidadãos do concelho de Vila Real que perderam a vida nessas guerras.

Não faço ideia se, em outras localidades do país, alguém já procedeu a compilações idênticas. Nunca vi. 

Acho que esta foi uma excelente iniciativa, no centro da qual constato que esteve, além do meu velho amigo Carlos Almeida, a figura de Duarte Carvalho, um vila-realense que, nos últimos anos, se tem dedicado a publicar interessantes obras de recolha fotográfica sobre a cidade de Vila Real. Sinceros parabéns a ambos!

sábado, janeiro 08, 2022

Ao sábado, claro!


Só hoje li o “Expresso” de ontem. Ainda estou a adaptar-me à ideia de que o jornal vai passar a sair às sextas-feiras. O “Expresso”, para mim, rima com o sábado. Esta semana, o “Expresso” fez 49 anos e também faz 49 anos que, sem uma falha, eu compro o “Expresso”, isto é, os 2567 números que saíram até agora. Foi precisamente esta semana que os “hackers” fizeram um assalto informático à Impresa, proprietária do jornal e da SIC, roubando dados, tentando paralizar a sua estrutura de produção. Fazendo das fraquezas forças, o “Expresso”, tal como a SIC, conseguiu manter-se em atividade, provando uma saudável vitalidade, ou, como agora alguns dizem, a sua resiliência. Foi muito bom que assim fosse, a bem da pluralidade da informação. Nem sempre gosto do “Expresso” que semanalmente me chega, acho que o jornal vive ideologicamente muito enviezado, parece ter abandonado, sem o assumir, alguma neutralidade que lhe deu prestígio, e, tal como alguns restaurantes que conhecemos, “já não é o que era”. Valha a verdade, toda a informação está hoje muito diferente do que já foi. Para o bem e para o mal. E a nossa exigência mudou. É que, embora teimemos em dar a ideia de que continuamos a ser os mesmos, também não somos. Para o bem e para o mal, também! É a vida, que eu desejo longa ao “Expresso”.

sexta-feira, janeiro 07, 2022

Injustiça

Aconteceu com Miguel Macedo, acontece agora com Azeredo Lopes. A justiça contribuiu para a desgraça pública de figuras políticas, ao ter dado armas, com acusações insensatas, para a sua condenação, naquela que é a verdadeira primeira instância, sem apelo - a má língua de rua, os títulos indignados da imprensa, as incendiárias peças telelevisivas. E agora, constatado o seu rotundo fracasso, a essa justiça, não acontece nada? A injustiça da justiça fica sempre impune?

O adversário ausente

Dei comigo a perguntar que consequências podem resultar do embate televisivo entre António Costa e André Ventura, que acabo de ver.

Estamos perante dois “campeonatos” diferentes: não acredito que Ventura tenha conseguido deslocar sequer um voto de um eleitor que estivesse a pensar votar no PS, do mesmo modo que só por milagre alguém que estivesse inclinado a votar no Chega se convenceu, subitamente, das vantagens “do socialismo”, só por ouvir Costa. Não creio que “le coeur balance” entre o PS e o Chega no peito de muita gente.

Ventura está neste jogo para segurar o que for possível do meio milhão de votos que obteve nas presidenciais. O seu mercado eleitoral são faixas à direita que, orfãs de Passos ou de um outro PSD que fosse um seu “genérico”, se não reveem na moderação de Rui Rio, vivem irritadas com a “cumplicidade” de Marcelo com Costa e podem sentir-se tentadas a usar o voto no presidente do Chega para “partir a louça e depois logo se vê”.

Os slogans populistas e simplistas de Ventura, convocando indignações de vários matizes, têm eco em imensos ouvidos - mesmo nos de alguns que não vão votar nele: “o tipo até diz algumas verdades, mas não transmite confiança e já se sabe que não ganha”, ouve-se, às vezes. É por isso que o adversário de André Ventura, em qualquer debate, se chama, apenas e só, Rui Rio. Este é o terreiro da sua “guerra”.

O eleitorado potencial de António Costa é, como é natural, muito mais complexo.

Além do PS, que é, com razão, “taken for granted”, Costa quer ser visto, neste confronto com Ventura, como o representante da esquerda “eficaz”. Quero com isto dizer que Costa pretende vir a assegurar o apoio de muitos adeptos da Geringonça que, no passado, tendo sido capturados afetivamente pelo voto “útil” no PCP e pelo Bloco, para evitar que o PS tivesse excessivo poder, acordaram um dia com um orçamento chumbado e, tal como no PEC IV em 2011, para seu susto, pela mão da mesma esquerda em quem tinham confiado, viram aberto o caminho a um possível regresso da direita ao poder. Costa tenta demonstrar a essas pessoas, a maioria das quais votou Ana Gomes nas presidenciais, que, afinal, votar PS nas legislativas evitaria os riscos que agora se confirmaram. É o discurso do “eu não dizia?”

Mas Costa também fala para um outro eleitorado flutuante, bem mais importante em termos quantitativos, aquele que, às vezes, também vota PSD e que ele tenta agora captar com o seu estilo “statesmanlike”, forte dos galões que crê ter ganhado na luta contra a pandemia e no desenho das políticas económicas compensatórias para fazer face aos seus efeitos. Embora com destinatários de mensagem em geral diferentes dos de Ventura, também aqui o seu adversário se chama Rui Rio, face ao qual Costa pretende ser visto como um operador governativo incomparavelmente mais capaz, numa conjuntura difícil, onde “não convém arriscar”.

Ontem à noite, Rui Rio deve ter ficado com as orelhas a arder. 

quarta-feira, janeiro 05, 2022

Macron


Foi isto que Macron disse e que está a agitar a França. 

Penso como ele.

Sousa Mendes


Ao folhear a minha coleção da “Ilustração Portuguesa”, deparei com um antigo colega, conhecido de todos nós, numa notícia de 1918. O referido “elogio dos seus superiores” não se manteria, como bem sabemos, até ao termo da sua carreira.

terça-feira, janeiro 04, 2022

As teses de janeiro

Do que Rui Rio disse no debate com André Ventura ficou clara uma coisa: o PSD não fará um governo que inclua o Chega mas estará aberto a negociar o seu apoio parlamentar em troca da reinterpretação "semântica" que fará das propostas mais radicais desse partido.

Sob pena de uma revolta interna que, com toda a certeza, ameaçaria a própria liderança, uma direção do PSD nunca poderá vir a admitir, como não admitiu no Açores, que havendo a mínima possibilidade de afastar o PS do poder, isso não viesse a ocorrer apenas pelo "prurido" de poder necessitar de ter, para tal, o apoio do Chega.

O Chega, nessa circunstância, sacrificar-se-á, “por patriotismo", como única forma de afastar "o socialismo do governo", desistindo, no segundo seguinte, das suas “imprescindíveis” (se bem que implausíveis) pastas ministeriais, passando a aceitar que o PSD, num jogo de "ambiguidade construtiva", recupere pontualmente "o essencial" das suas bandeiras. O eleitorado do Chega não perdoaria a André Ventura uma atitude diferente.

Os eleitores do Chega, como Rui Rio bem sabe, não nasceram do nada: vieram, essencialmente, do eleitorado tradicional do PSD e, tal como grande parte da IL (neste caso, há que contar com caras novas), só se organizaram autonomamente pela mera razão de que Passos Coelho já não estava na liderança do PSD.

Custa-me a dizer isto por alguns amigos, mas, em face do radicalismo (diverso, mas radicalismo na mesma) que hoje o Chega e a IL representam, sou obrigado a recordar que essas linhas já estiveram dentro do PSD, isto é, o PSD era também aquilo. No final de contas, o PSD foi o partido em que André Ventura era dirigente.

Correr com eles

O meu colega e amigo Luís Filipe Castro Mendes, na sua hebdomadária tribuna opinativa no ”Diário de Notícias”, que um elementar exercício de bom gosto obriga a que nunca perdamos, faz hoje uma excelente incursão pelo que nos espera, no ano que ora já pisamos.

Pena é que tenha pousado uma grave gralha naquele belo texto, de onde respigo o excerto:

”Esperemos e lutemos por que de todos estes invernos do nosso descontentamento não venha ainda mais avassalar-nos o vírus fascista. É certo que, segundo a melhor ciência política, o fascismo nunca existiu (parece que nem na Itália...). Mas, parafraseando o provérbio, "fia-te na ciência política e não corras e verás o que te acontece!" “

Ora bem. Como é óbvio, onde está ”não corras e verás” deveria estar ”não corras com eles e verás”. É que a fórmula publicada na “folha da Moagem” dá ideia de que devemos fugir. Na realidade, eles é que devem ser corridos à nossa frente!

Estou certo que, na reedição da tarde do prestigiado periódico, o erro não deixará de ser corrigido.

A dignidade da República

O incidente na sala de um partido na Assembleia da República não é um "fait-divers". Sem a menor ironia, acho aquilo gravíssimo.  ...