quinta-feira, outubro 14, 2021

Obrigado, JL


O JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias, teve a amabilidade de fazer uma nota sobre o meu “A Cidade Imaginária”. Fico muito grato ao JL.

Kongsberg e Vidago


Ontem, a comunicação social falou muito de Kongsberg. Um desvairado, naquela cidade da Noruega, matou e feriu bastante gente, usando um arco e flechas (!!!).

Kongsberg é um terra muito agradável, a umas dezenas de quilómetros de Oslo. Tenho por lá um amigo, Johan Jarnaes. Foi professor de Português na universidade de Oslo e, nos anos 70 do outro século, havia sido contratado pelo embaixador Fernando Reino para ser tradutor na nossa embaixada.

Um dia, ao tempo em que eu também trabalhava na nossa embaixada em Oslo, com ele e com a sua mulher, de nacionalidade checa, que havia abandonado a Checoslováquia depois da invasão de Praga pelas tropas soviéticas, em 1968, passámos um calmo fim de semana em Kongsberg.

Durante esse período, aprendi que a minha vocação não era, decididamente, apanhar cogumelos pelos campos, atividade a que se dedicava toda aquela família, filhos incluídos, que tão amavelmente nos acolhia. Fazia-o com um fervor que não consegui partilhar.

O português da Johan Jarnaes tinha várias limitações, perfeitamente naturais em quem nunca tinha tido oportunidade de viver em Portugal, para exercitá-lo. Semanas antes da minha chegada a Oslo, o modo como traduzira uma palavra, com que um membro do governo trabalhista qualificara politicamente o então primeiro ministro Francisco Sá Carneiro, quase que criou um incidente diplomático: a palavra usada, que já não recordo, tinha em português um significado bem mais duro do que em norueguês. E esse sentido era muito difícil de traduzir.

Na conversa desse fim de semana em Kongsberg, Johan Jarnaes quis aproveitar para resolver um “mistério” que há muito tinha com a nossa língua, relativo ao modo como referimos as localidades. Dizia-se “em Castelo Branco” ou “no Castelo Branco”? Expliquei-lhe, com vários exemplos, que não havia a menor regra fixa, que cada caso era um caso.

Como forma de sublinhar ainda mais essa arbitrariedade, dei-lhe também um outro exemplo que me ocorreu. No caso da localidade de Vidago, perto da minha terra, quem não é da região diz “em Vidago”, quem é das redondezas diz “no Vidago”.

Johan Jarnaes ficou a matutar uns segundos. E, recordo-me como se fosse hoje - e já lá vão mais de 40 anos! -, disse-me: “Kongsberg então é como Vidago. Para ‘em Kongsberg’, tanto se pode dizer ‘på Kongsberg’ como ‘i Kongsberg’ “.

Imagino que nem a malta de Vidago sabe disto!

Espero que o meu amigo Johan Jarnaes e a sua simpática família nada tenham sofrido com a loucura do Guilherme Tell do mal que ontem saiu em rifa à sua cidade.

quarta-feira, outubro 13, 2021

Essa é que é essa!

 


“A Arte da Guerra”


Na minha conversa com António Freitas de Sousa, no podcast do “ Jornal Económico”, falo esta semana das eleições municipais em Itália, do surgimento de Éric Zemmour na campanha presidencial francesa, da conflitualidade crescente entre a Polónia e a União Europeia, da atitude desta face ao alargamento aos Balcãs Ocidentais e, finalmente, sobre as atribulações da nova liderança do Perú, enquadrada no contexto da América do Sul.

Pode ver aqui : https://fb.watch/8CVa8ANrZ9/

Receitas


São sempre uma ruína para mim os encontros com o António-Pedro Vasconcelos. “Receita-me” livros, com um ar tão imperativo e convincente que acho que os não posso perder. Fiado no seu conselho, compro-os, na esperança de que irei ter tempo para os ler. A verdade é que ele quase sempre acerta.

Hoje à tarde, ao cruzarmo-nos, na “Ler”, em Campo de Ourique, vinguei-me: “Já leste o último Le Carré?”, perguntei-lhe. Ele não tinha lido. Nem eu. Só na manhã de hoje soube da existência do livro, “Silverview”, uma obra póstuma. A “Ler”, que acabara de o receber da D. Quixote, ainda nem sequer tinha o livro na montra.

Comprei o “Silverview”, o António-Pedro também. Não sei se é bom. Logo verei, veremos. Desconfio bastante de obras póstumas. Mas eu não lhe “receitei” o livro. Como ainda tenho alguns outros livros para ler antes (além de que comecei a ler um álbum do Tintin por dia - e tenho ainda para 18 dias), só daqui a uns tempos saberei se vale a pena ou não. Se for mau, o António-Pedro vai “cobrar-me”, pela certa. Mas, “Perdido por cem…”

Seitas



Hoje, tive um almoço de uma das minhas ”seitas”. 

Marcámos “falta” ao José Manuel Galvão Teles, ao Alberto Martins, ao Jorge Strecht, ao Fernando Cruz, ao José Augusto Antunes e ao Américo Madeira Bárbara. 

Fizémos um saudação pela ausência eterna do António Dias, do António Silva e do José Carlos Serras Gago.

Foi um belo almoço. Outros haverá.

“Com a Pide não se brinca!”

No tempo do fascismo, dizia-se: “Com a Pide não se brinca!”. A Pide espiava, perseguia, prendia, torturava e matava. Ser “da Pide” - agente ou informador - era sinónimo supremo de indignidade. 

Sempre tive para mim que ser colaborador anónimo da polícia política do fascismo era bastante pior do que ser seu agente. Este último, ao ter essa profissão, assumia, pelo menos, a coragem de ter o seu nome escrito no “Diário do Governo”. Na minha terra, em Vila Real, as três famílias onde havia pessoas que eram agentes da Pide tiveram de viver com essa nódoa social.

Ser “informador” da Pide foi sempre, na minha perspetiva, o grau mais mais baixo da canalhice a que se pode chegar. Ser pago, ou fazê-lo pro bono, por zelo sectário ou por ódio, para informar, sob anonimato, a propósito de um amigo ou um conhecido, dando à Pide dados que permitiam incriminá-lo por atitudes ou atos de combate à ditadura, era o cúmulo da miséria. Ingressar em grupos políticos que combatiam o fascismo para, do seu interior, ajudar a perseguir e a prender quem se opunha a um regime criminoso era o mais baixo a que se podia descer na escala da indignidade cívica.

Nas últimas horas da sua existência, na rua António Maria Cardoso, no dia 25 de abril de 1974, beneficiando de um atraso no seu desmantelamento, que hoje tem nomes responsáveis que a História acolheu mas não puniu, a Pide destruiu arquivos que permitiriam identificar os verdadeiros nomes por detrás dos pseudónimos dessa matilha de informadores. Muitos escaparam impunes. Outros, felizmente, não. O objetivo não era prendê-los, mas apenas deixá-los como exemplos negativos à sociedade cuja libertação tinham procurado evitar.

Este texto surge a propósito de um caso que tem vindo a provocar uma forte polémica, nos últimos dias. António Valdemar, um nome prestigiado da nossa imprensa, denunciou, nas páginas do “Expresso”, que Pedro da Silveira, um conhecido intelectual açoreano, há muito já falecido, havia sido informador da Pide. Dos arquivos da polícia política constam, de facto, relatórios assinados com esse nome. Mas não era vulgar, era mesmo muito raro, alguém assinar esse tipo de denúncias infamantes com o seu verdadeiro nome. Só este facto deveria levar qualquer investigador a ter o maior cuidado. 

Ora sabe-se que os textos que surgem, nos arquivos da Pide, assinados com esse nome são, afinal, da autoria de uma pessoa com outro nome verdadeiro, já há muito identificada. Esse “Pedro da Silveira” seria, assim, apenas um pseudónimo dessa outra figura. O verdadeiro Pedro da Silveira nada teria a ver com o assunto, pelo que acusá-lo de ser informador da Pide configura um ato da maior gravidade, uma imensa infâmia. 

Aguarda-se, assim, uma rápida retratação de António Valdemar e do “Expresso”, para encerrar, com a possível honra para todas as partes, este triste episódio. É que se “com a Pide não se brinca!”, com o bom nome das pessoas perante essa associação de malfeitores também não.

(Em tempo: António Valdemar e o “Expresso” já se retrataram. Ainda bem!)

terça-feira, outubro 12, 2021

E a Diana?

Ontem, numa rede social aqui ao lado, houve gente que se abespinhou pelo facto de alguém ter “anunciado” que a figura de James Bond morre, no final do seu último filme, que acaba de estrear. A pessoa em causa foi insultada e bloqueada por muita gente, porque essa “surpresa” deveria ter sido guardada para o momento de visualização do filme.

Esta é uma questão, de facto, grave. Ainda há dias, vi escrito algures, sem o menor sentido de responsabilidade, que, na próxima temporada do “The Crown”, da Netflix, os autores se preparam para “matar” a princesa Diana. Será verdade? Há mesmo rumores de que a morte será encenada num desastre de automóvel, numa capital europeia. Mas, sobre este ponto, nada parece confirmado.

Uma coisa é certa: é lamentável que, com este tipo de revelações extemporâneas, se quebre o “suspense” de uma série, para assinantes pagos. Eu diria mesmo mais: isto devia ser proibido! Com fortes coimas, claro. No mínimo.

segunda-feira, outubro 11, 2021

Ucronia


Por alguns anos, existiu na praia do Ourigo, na foz do Douro, um restaurante muito agradável, chamado Shis. A estrutura era em madeira. Um dia, o mar invadiu o espaço e o restaurante teve de fechar. 

A mesma gerência reabriu depois um restaurante com “conceito” parcialmente similar, com o nome de Wish, numa área próxima (para os “iniciados”, no local onde antes ficava o restaurante Oporto). Ainda há dias jantei com o cliente que lhe “inventou” o nome. O Wish é também um excelente restaurante, onde também vou sempre que posso. 

(Já agora, para que se saiba, reabriu há dias, também na mesma zona, redecorado, o Cafeína, a que a pandemia tinha suspendido a atividade. Primeira impressão, deste cliente também de muitos anos: têm de se esforçar um pouco mais e pôr a música mais baixa. É tudo o que quero dizer, por ora. Ah! Em frente ao Cafeína, continua a valer a pena ir ao Terra, que, noutras encarnações, já se chamou Oriental, como muitos se lembrarão).

Há meses, soube-se que o Shis, ou algo com ele parecido, iria renascer no espaço anexo àquele que o mar destruira, agora com uma estrutura de cimento, mais resistente (mas sabe-se lá por quanto tempo!) à fúria dos elementos. A obra acabou embargada.

Olhando hoje, num jornal, a fotografia, entendo melhor a agressão que aquela construção iria representar, pelo que não posso senão concordar com a reposição do “statu quo ante”. 

Mas lá que (egoísta e intimamente) seria muito agradável poder almoçar naquele espaço, num dia de sol, com o mar a bater por perto, lá isso seria! 

Mas não vai. Um novo restaurante não existirá por ali. Esse hipotético almoço não deixará assim de ser uma ucronia, palavra que aprendi há dias - porque nunca somos velhos demais para aprender coisas.

“Observare”


Esta semana, sob a moderação de Pedro Bello Moraes, o trio habitual do “Observare” - Luís Tomé, Carlos Gaspar e eu - discutiu as tensões em torno de Taiwan. No que pessoalmente me tocou, analisei as decisões europeias sobre os Balcãs Ocidentais, o surgimento de Éric Zemmour nas pré-candidaturas às eleições presidenciais francesas de 2022, bem como o funcionamento da alternância política na democracia de S. Tomé e Príncipe.

Pode ver o programa clicando aqui.

Nobel

Por esta altura do ano, aquando da atribuição do Prémio Nobel da Paz, algum jornalismo desatento fala, por sistema, da decisão “da Academia Sueca”. 

É um erro. De facto, todos os restantes Prémios Nobel são dados pela Academia Sueca. Mas a exceção é o da Paz, atribuído pelo Comité Nobel da Noruega.

Travessa da espera


Há médicos que nos fazem esperar eternidades, antes da consulta. Mas, na verdade, nós sabemos ao que vamos. Por isso é que a sala onde nos colocam se chama, sem qualquer disfarce, … de espera!

Onde?

Não deixa de ter alguma graça a preocupação de Nuno Melo de que o congresso do CDS não coincida com o congresso do Chega. Será receio de que alguém tenha o dom da ubiquidade?

CDS

Nestes momentos de crise, em que uns se engalfinham contra os outros, o CDS chega a dar a impressão de que tem por lá muita gente. Infelizmente para a democracia portuguesa - digo isto com a maior sinceridade -, não tem!

IVA

Há dias. A senhora falava ao telefone, dentro do balcão da loja, para uma amiga: “Ai achas que ainda estou ’na casa dos quarenta’? Ó filha, quem me dera! Pois fica sabendo: eu cá tenho 28 mais IVA…”

domingo, outubro 10, 2021

Obrigado, Zé!


A doutrina continua a não ser pacífica em torno da origem do cognome de “Bomba”, que lhe é carinhosamente dado pelos amigos. A ideia de que isso possa derivar do recorte físico a que os frequentes ágapes, com o tempo, possam ter conduzido o seu apolíneo perfil, está há muito afastada. Porque sim, pronto!

O meu amigo José Luiz Gomes, é dele que falo, é um dos mais finos espíritos diplomáticos que me foi dado cruzar, nas décadas que passei nos claustros das Necessidades. O facto de ter tido o privilégio de cruzar zonas do mundo muito diversas, de Washington a Moscovo, da Austrália ao Zimbabwe e outros interessantes postos, dotou-o de um quadro interpretativo da realidade internacional, o qual, associado a um espírito nada dogmático e a um sentido autocrítico invejável, lhe permite decantar leituras de extremo bom senso e grande realismo. Não foi seguramente por acaso que Francisco Pinto Balsemão, como primeiro-ministro, o teve como seu indispensável assessor diplomático.

Mas não é do embaixador de excelência que hoje quero falar, mas sim do grande amigo, que acaba de completar os 80 anos, uma idade redonda que um bando heteróclito à sua volta ontem celebrou, num Nobre lugar, com muito e bom barulho, vários e animados brindes, como sempre com muitas “piquenas” por perto, em que esteve em especial destaque a mesa das “bombettes” - um oásis doirado de riso e boa disposição.

O Zé é uma das pessoas mais bem dispostas e divertidas que conheço. Sempre pronto para alinhar numa festarola ou numa conversa bem alimentada e melhor regada, culminada pela inevitável nuvem de fumo com que muitas vezes desafia as regras dos locais, ele é também o persistente mobilizador de um grupo de colegas que, há mais de uma década, se reúne semanalmente - é verdade, semanalmente!, apenas com as pausas a que o calendário, às vezes, obriga - numa almoçarada, sempre com um quorum máximo definido, para não “partir” a conversa à mesa. 

Por ali falamos da vida, às vezes da profissão que nos uniu, do dia-a-dia e até de política, vejam lá! Como episódicos convidados para essas ocasiões, já por lá estiveram antigos presidentes e ministros, vários colegas e outra gente sempre interessante. A nossa ”Chatham House rule” é: não há, por ali, conversas chatas! Também não temos qualquer agenda, só histórias e opiniões, sempre sem o menor radicalismo e com respeito pelas diferenças de perspetiva. É graças ao Zé, o grande maestro da orquestra, que hebdomadariamente nos convoca por SMS e que decide a “venue” em função do tamanho da mesa, que a nossa vida na reforma fica (ainda) mais alegre e divertida. 

Tenho ainda o privilégio de, com o Zé, ser o único membro do grupo a fazer parte de uma outra tertúlia, a da “Mesa Dois” do Procópio (onde a pandemia nos pôs num “lay off” que agora acabou), superiormente gerido pela “Sedona” Alice Pinto Coelho, uma imensa amiga do Zé. Contudo, é no Procópio que uma grande divergência se cava entre mim e o Zé: não coincidimos no destilado escocês que nos enche os balões, como o Luís avisadamente bem sabe. É a vida!

Sei que a amizade não se agradece, mas eu não me contenho e digo: obrigado, Zé! Sem ti, tudo isto tinha muito menos graça.

sábado, outubro 09, 2021

Notícias de Alcácer

Aníbal Cavaco Silva revela que vive desconfortável com a ideia de que Pedro Passos Coelho monopoliza o saudosismo sebastianista dentro de um certo PSD.

Todos tão amigos!

Há qualquer coisa de bizarro (mas parece que já ninguém estranha!) na reiterada prática lusitana de se produzirem tempos televisivos, visíveis em todas as estações, em que uns artistas entrevistam outros colegas de profissão, quase sempre para a promoção dos seus espetáculos futuros, todos sempre mostrando-se muito amigos entre si e bastamente elogiosos uns dos outros. Aquilo mais parece um “Time Out” entre amigalhaços, ficando, no entanto, por esclarecer qual será o papel desempenhado nessas aparições (que vão da pimbalhada a coisas mais sérias) pelas agências que gerem a carreira de atores, cantores e “tutti quanti” - e que, como é sabido, não trabalham ”a feijões”…

sexta-feira, outubro 08, 2021

Seinfeld


Nunca me tinha apercebido de que os episódios da série Seinfeld eram tão curtos. Agora na Netflix, tenho-os visto “a eito”. Aquilo é de um imenso primarismo de realização, mas é magnífico! Ainda não surgiu o “mau” do Newman, única hipótese de eu me reconciliar com os Correios. Mas o meu personagem de eleição, bem acima de qualquer outro é Kramer.

Nazis

Os nazis deviam ter uma saúde de ferro! A guerra ter terminou em 1945 e ainda andam à procura desse pessoal…

Não vão ser tantos...

... os que hoje levo para a praia, mas não anda muito longe disto.