sábado, julho 31, 2021

Não, afinal estava assim...


 

Estará assim, daqui a pouco?

 


Marcelo sabe muito



O maluquinho

Há um maluquinho que, todos os dias, insiste em tentar colocar coisas neste blogue. Faz links para um blogue racista e negacionista, cheio de teorias conspiratórias, que tem a curiosidade de não ter visitantes. O maluquinho assina, imaginem!, uihggkj . Deve achar “o máximo” esse heterónimo que disfarça a sua doença mental. Pelo IP, já se sabe de onde vem. Um dia, vai ter uma surpresa.

sexta-feira, julho 30, 2021

Ida pela volta

 


Caixa forte


Fui hoje à Caixa. À agência do meu bairro. Aparentemente, estava fechada. A porta tem imensa papelada afixada. No meio, um horário. Pelos vistos, só se pode ir livremente de manhã. À tarde, e só até às três, apenas por marcação. Eram duas da tarde. Pelos vidros, não se via vivalma. Mas havia luzes. Toquei à campaínha. Uma senhora, lá de dentro, pelo telefone, repetiu-me as horas de expediente. E explicou-me que, à hora a que eu ia, “só por marcação”. Perguntou-me para quando eu queria marcar. Eu disse: “Marque para agora, por favor!…” Abriu-me a porta, simpática. Fui muito bem atendido. Aquilo que eu pretendia resolver só o poderia fazer presencialmente. Os bancos transformaram-se em entidades totalmente impessoais. Com simpatia “à la carte”. Não gosto. Deve ser da idade, admito.

Uma “Lezíria” perto de casa


Ontem, não nos apetecia jantar em casa, mas igualmente não queríamos ir muito longe. Recorri ao “Fork”, uma “app” muito útil, que efetua reservas sem termos de negociar nada telefonicamente: escolhemos o restaurante, escrevemos o número de pessoas e a hora desejada. Se houver lugar, recebe-se, quase sempre de imediato, um email a confirmar.

O “Fork”, que infelizmente não é adotado por muitos restaurantes, tem também a vantagem de nos indicar, com o número de metros, os restaurantes mais próximos do local onde estamos.

Surgiu-nos então o “Lezíria”, um nome que era acompanhado da sugestiva indicação: “casa de petiscos”. A menos de 10 minutos de casa. Lá fomos, com alguma curiosidade. É na Rua S. João da Mata, 46 (912 790 387), muito perto do Largo de Santos.

É uma sala não muito grande, com uma decoração “arejada” e muito cuidada. Não chegam a 20 pessoas os comensais possíveis. Só uma pessoa serve às mesas: educada, atenta, com sugestões úteis. E o serviço é competente e foi rápido.

O menu eram petiscos, como o nome indicava. Abrimos com uma salada de polvo e gambas salteadas. Depois, fomos para uns ovos mexidos com farinheira e uns peixinhos da horta. Uma mousse de requeijão com doce de abóbora e crocante de noz fechou o percurso culinário. As doses tinham o tamanho adequado. Estava tudo - sem exceção! - excelente! Uma sangria ajudou a que, mesmo com couvert, o preço apontasse para o início da casa dos 30 euros, para duas pessoas. Mas havia uma curta lista de vinhos, a preços muito aceitáveis.

Atenção! A lista estava muito longe de se resumir ao que comemos. Havia por ali outras propostas a que, em ocasião próxima, não deixarei de ser tentado: bacalhau com compota de tomate, mexilhões de cebolada, ovos no forno com cebola e chouriço, cogumelos gratinados e várias coisas mais. Tudo simples, tudo bom.

E assim, “sem saber ler nem escrever”, como se dizia na minha terra para aquilo que é fruto do acaso, descobri um pouso de amesendação leve perto de casa. Ganhei a noite!

Olavo

   


Desde há dois dias, a RTP 2 está a transmitir uma série que aborda a saga da família real norueguesa durante a segunda Guerra Mundial. As figuras centrais são o então príncipe herdeiro Olavo e sua mulher Marta Sofia, com esta a ter um destaque a História não lhe tinha dedicado. 

Olavo chegaria ao trono, como Olavo V, em 1957, por morte do seu pai, Haakon VII. Olavo V morreu em 1991, sendo sucedido pelo atual rei, o seu filho Harald, que surge já representado na série. 

A imagem que ilustra este texto mostra Haakon VII e o então príncipe Olavo, refugiados na zona de Tromsø, bem a norte do círculo polar ártico, antes da ida dos dois para Londres.

Quando fui viver para a Noruega, em 1979, o culto do rei era particularmente acentuado nas gerações mais idosas, pela memória dos tempos da guerra e da ocupação alemã. A polémica decisão do Haakon VII de se exilar em Londres, com o príncipe, acabou por se revelar acertada, tendo salvaguardado a soberania norueguesa e, de caminho, a própria coroa.

Ainda nos anos 70, Olavo V foi visto a viajar de elétrico na cidade de Oslo. Perguntado sobre os riscos em que incorria, o rei disse que tinha “quatro milhões de guarda-costas”, o total da população norueguesa. As preocupações com a sua segurança acabariam por se impor, mas Olavo V continuou a insistir em conduzir o seu automóvel, embora sempre com um polícia à paisana, ao seu lado.

Fui testemunha, um dia, de uma curiosa cena. 

Ia a pé numa rua de Oslo quando vi o imenso carro do rei (creio que era um Packard), com ele próprio ao volante. Recordo a curiosidade do rei ir de chapéu preto dentro do carro. Atrás, com uma antena reveladora, seguia uma viatura normal, com segurança. O carro do rei parou numa passadeira, para deixar uma senhora muito idosa, que caminhava lentamente e com dificuldade, atravessar a rua. A certo momento, ela olhou para o carro e, de repente, abriu-se num imenso sorriso, ao descortinar o seu rei como condutor. Este retribuiu com outro sorriso, tirou o chapéu, fazendo uma saudação à senhora. Foi então curioso vê-la a caminhar o resto da passadeira, sempre olhando o rei, em contínuas vénias, até chegar ao passeio. Deve ter ganhado o dia!

A Noruega permanece, nos dias de hoje, um país solidamente monárquico. Todos os anos, um partido suscita, no parlamento, um voto sobre a continuidade da monarquia. E perde, por expressiva margem, embora os analistas digam que um referendo, não pondo nunca em causa a continuidade do regime, teria uma expressão menos pronunciada.

Mas que ninguém se iluda: a regra é que países que tenham deixado de ser monarquias não voltam a ter um rei. A singular exceção foi a Espanha. Até ver.

quinta-feira, julho 29, 2021

Pedro Tamen (1934-2021)



             

 

O mar é longe


O mar é longe, mas somos nós o vento;
e a lembrança que tira, até ser ele,
é doutro e mesmo, é ar da tua boca
onde o silêncio pasce e a noite aceita.
Donde estás, que névoa me perturba
mais que não ver os olhos da manhã
com que tu mesma a vês e te convém?
Cabelos, dedos, sal e a longa pele,
onde se escondem a tua vida os dá;
e é com mãos solenes, fugitivas,
que te recolho viva e me concedo
a hora em que as ondas se confundem
e nada é necessário ao pé do mar.

“A Arte da Guerra”


Esta semana, a minha conversa com o jornalista António Freitas de Sousa, no “A Arte da Guerra”, no site do Jornal Económico, analisa os efeitos do escândalo do sistema de espionagem eletrónico Pegasus, os desafios que o governo de Mario Draghi enfrenta na Itália e o acordo entre os Estados Unidos e a Alemanha que permite a conclusão do gasoluto Nordstream 2.

Pode ver aqui.

terça-feira, julho 27, 2021

Há 51 anos


 
Morreu no dia 27 de julho. Algo me diz que também não teria apreciado o 25 de abril.

segunda-feira, julho 26, 2021

Viva o 25 de Abril! Sempre!




Um dia, em inícios de 1983, o João Sobral Costa, um amigo já desaparecido, um gigante de bondade que, como capitão da Força Aérea, havia feito parte do grupo ocupante do Rádio Clube Português, na noite de 25 de Abril, e que trabalhava então em Luanda, onde eu estava colocado na embaixada, telefonou-me: “Queres ir beber um copo com o Otelo, ao Hotel Panorama? Está cá de passagem, vindo de Maputo”. Claro que queria.

Eu tinha uma grande simpatia por Otelo Saraiva de Carvalho. Não faço ideia de quando o conheci, naqueles tempos convulsos do 25 de Abril. Sei que só me recordo de mim a tratá-lo sempre por tu, porque, seguramente, ele terá dado abertura para isso ao jovem miliciano que, em 1974 e 1975, andava por aqueles corredores da Junta de Salvação Nacional e do MFA. Era uma figura cativante, sempre com um sorriso e uma palavra acolhedora, quebrando distâncias.

Em 1976, nas primeiras eleições presidenciais, eu tinha votado naturalmente Otelo, como muito boa gente, como Jorge Sampaio e muitos dos meus amigos. Era óbvio que ele não ganharia. Mas Eanes (e alguns que então o apoiavam) não me agradava (hoje, admirador do retidão do general, dou a mão à palmatória pela avaliação negativa que fazia da sua personalidade) e nenhum outro candidato me dizia nada politicamente. Confesso que não me revia no projeto de “poder popular” de Otelo, mas aquela era a candidatura de que me sentia afetivamente mais próximo. E não só não me arrependo desse voto, como faço questão de o não esconder nunca. Nós somos também as nossas circunstâncias.

“Então estás cá na embaixada?! Não te sabia diplomata!”, disse-me Otelo, no abraço no bar do Panorama, sobre a baía de Luanda. No fim da conversa, ao perceber que, no dia seguinte, ele e a sua mulher tinham uma hora de refeição livre, perguntei-lhe se queriam ir almoçar a minha casa. Quando lhe disse que vivia num pequeno apartamento no “compound” da embaixada de Portugal, no mesmo edifício onde ficava a chancelaria e o consulado-geral, notei alguma reticência da sua parte. Mas com o João já a favor da ideia, lá aceitou. Sugeri então que se nos juntasse o Arlindo Ferreira, outro capitão de Abril, que estava em Luanda para outras "guerras" (e que também já faleceu). Por aquelas "makas" (uso aqui uma expressão angolana) em que a família de Abril é useira e vezeira, não se reuniu consenso para o Arlindo se nos juntar. O Otelo torceu o nariz à ideia. Politiquices, deduzi.

No dia do almoço, vim à porta da embaixada receber Otelo, que chegou acompanhado da mulher. O edificio da Embaixada era na então rua Karl Marx, que antes fora chamada de Vasco da Gama e que, hoje em dia, é avenida de Portugal (evolução toponímica que daria para um mestrado...).

A grande maioria dos funcionários da nossa missão diplomática em Luanda era constituída por antigos quadros da administração colonial, que tinham visto o percurso da sua vida perturbado pelo 25 de Abril e pela independência do país. Em geral, sofriam a Revolução bem mais do que a celebravam. Não era, assim, legítimo pedir-lhes que entoassem loas à chegada do estratega da Pontinha. 

Um deles, boquiaberto, reconhecendo Otelo de fotografia, perguntou-me: "É o...?", sem ousar dizer o nome. Era, confirmei-lhe com um sorriso, e, nesse segundo, devo ter caído uns furos na sua escala de consideração, bem como na de outros a quem ele terá corrido a contar a inconveniente frequentação social do jovem diplomata que eu então era. Esse era, contudo, como perceberão, o lado para onde eu dormia melhor.

O almoço com Otelo foi uma ocasião que recordo como bastante divertida. Ele e o João Sobral Costa (Alzira, lembras-te da conversa?) que haviam sido vedetas operacionais de um filme onde eu só tinha feito umas "pontas" como figurante, conflituaram versões sobre alguma autoria do "documento do COPCON" (demoraria muito explicar aqui o que isso foi) e outras cenas desses tempos movimentados. Eu, que nunca tinha andado próximo da linha de ambos, no verão quente de 1975, era apenas espetador da discussão sobre os conciliábulos havidos no Alto do Duque. 

Recordo-me de ter então lido a Otelo extratos de um livro que ele não conhecia, escrito por um certo militar, onde se criticava o "silêncio" de Otelo durante a célebre "assembleia selvagem" (como alguns gostam de chamar-lhe) do MFA, em 11 de março de 1975. Rimo-nos todos, porque, ali, eu e o João podíamos atestar, como testemunhas presenciais, que Otelo, de facto, não tinha então falado, porque... não havia estado presente nessa tão badalada reunião!

Perdi Otelo Saraiva de Carvalho de vista. Fui sabendo pelos jornais das aventuras político-partidárias radicais em que se envolvia, da sua prisão, das acusações que sobre ele impenderam, seguidas das batalhas judiciais. Nunca tive a mais leve opinião sobre o assunto, só podendo esperar que a justiça se fizesse, fosse para que lado fosse. E, depois de toda a água que correu sob as pontes, também não tenho opinião sobre se a justiça se fez ou não.

Otelo, de quando em vez, ia sendo estimulado a fazer algumas declarações públicas à imprensa que me entristeciam: parecia procurar frases com impacto, para provocar polémica. Nada que ajudasse a preservar a parte da sua biografia que nós admirávamos.

Bem mais de três décadas passaram. Uma noite, em Viana do Castelo, sendo eu, nesse ano, presidente da Comissão de Honra das Festas de Nossa Senhora da Agonia (É verdade! Também fui isso!), chegado à Festa do Traje, deparei com Otelo e a sua mulher sentados nas cadeiras da plateia. Fui dar-lhe um abraço e convidei-o a vir juntar-se-nos à frente. Modestamente recusou. Mais um ano decorreu e demos mais um abraço numa ante-estreia de um filme do António Pedro de Vasconcelos. A derradeira vez que nos vimos foi na Associação 25 de Abril, há cerca de dois anos, na apresentação do livro que reproduz o que se passou nessa célebre assembleia do MFA, de 11 de Março de 1975. No final, eu disse-lhe: “Finalmente, ficaram reproduzidas em livro as intervenções que não fizeste naquela noite!”. O Otelo deu uma gargalhada e deu-me um último abraço. O Otelo deu-me a minha liberdade, eu apenas lhe dei alguns abraços. Fico a dever-lhe muito.

Para quem, como eu, tem o culto do 25 de Abril, a morte de Otelo Saraiva de Carvalho é um momento muito triste, é uma parte da minha memória afetiva que desaparece. E estimula-me a dizer, o que sempre digo e sempre direi com eterna convicção: Viva o 25 de Abril! Sempre!

domingo, julho 25, 2021

sábado, julho 24, 2021

Vista do Alentejo

 


Vista do Tejo

 


5G

Os reguladores são independentes e, pelos vistos, intocáveis. Mas também podem ser incompetentes e, por essa via, insuportáveis para o país. O que se passa com o 5G é um escândalo e uma vergonha, revelando também a perversidade do labirinto jurídico em que Portugal se deixou cair.

Todes

O novo Museu da Língua Portuguesa, em S. Paulo, na sua apresentação digital, usa a palavra “todes” para o escapar ao grave dilema do politicamente correto entre o “todos” ou “todas”. Por mim, com toda a convicção, compro a polémica que quiserem e digo: são parves!

sexta-feira, julho 23, 2021

Romaria



É uma romaria já com tradição. Nem a pandemia tem travado a realização do evento, sem quebra mínima de regras - até porque só se vive uma vez e, ao que creio saber, esta é a última. Trata-se dos festejos anuais de Nossa Senhora do Folguedo de Cima, de cujo miradouro a imagem mostra o que deve. De algumas zonas do país, num fim de semana de julho, para ali rumam os romeiros, no cumprimento fervoroso dos eventos agendados, que têm lugar à volta de uma mesa e de sofás por onde se espojam as conversas e a amizade coletiva. O programa de festas não é extenso: inclui belas vitualhas e bons líquidos a condizer. Lá iremos, daqui a pouco.

As histórias e a vida

Foi anteontem. Um bom amigo telefonou-me, apenas para saber como eu andava. Tenho desses amigos, felizmente. No meio da conversa, deixou cair: “Lá te tenho lido! É pá! Tu ainda tens muitas histórias para contar?” Respondi que sim, que tinha muito boa memória e que, além disso, a vida me dava, todos os dias, pretextos para episódios novos, que “tratava” depois por aqui. E que enquanto houvesse gente, como ele, disposta a ler-me, “a luta continua”. O que o Zé Vera Jardim talvez não estivesse à espera é que aquele seu telefonema também fosse motivo para um texto.

“A Arte da Guerra”


Esta semana, no “Jornal Económico”, regressam as minhas conversas com o jornalista António Freitas de Sousa sobre temas internacionais.

Desta vez, abordamos a instabilidade em Cuba e na África do Sul, analisando também as repercussões internacionais da política britânica em matéria de pandemia.

Pode ver esse programa clicando aqui.

Jornalismos

A conversa, moderada por Maria Flor Pedroso, reuniu no Clube dos Jornalistas três profissionais da área do jornalismo, ao final da tarde da ...