O meu pai, que já se foi da vida há quase duas décadas, olhava para os montes à volta de Vila Real e às vezes dizia:
— Estás a ver aquela aldeia bem lá no alto? É a mais elevada de todas. Chama-se Cravelas. Deve ter uma bela vista sobre a cidade.
Lembro-me de, por mais de uma vez, o ter desafiado:
— Não quer ir comigo lá acima?
Recusava sempre. O argumento era a mais que provável dificuldade da estrada.
Cravelas ficou assim, década após década, como uma curiosidade por esclarecer. Ontem, decidi finalmente resolver o assunto. E fui lá.
São pouco mais de dez quilómetros. A qualidade do piso, admito, deixa muito a desejar. Deixo aqui o meu apelo à Junta de Freguesia de Borbela e Lamas de Olo para que “se mexa” e procure melhorar o pavimento do percurso. O qual, na parte mais elevada, se faz durante alguns quilómetros sem o menor resguardo, com o risco muito concreto de “sairmos pela paisagem”.
A subida confirmou o receio do meu pai. Mas a vista, lá do alto, é de facto soberba. O meu pai tinha razão. Só que já não lha posso dar.
Difícil foi dar a volta, no fundo da chamada Rua Principal de Cravelas. Mas consegui. E, ao contrário do que o meu pai talvez tivesse receado, também consegui voltar.

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