Na negociação feita com o PSD para a constituição da coligação "Portugal à Frente", é reconhecido que o CDS terá feito um ótimo "negócio". O número de deputados elegíveis que lhe foram consignados correspondeu à projeção dos resultados de 2011, quando todas as avaliações sobre o equilíbrio objetivo com o seu parceiro de coligação indicavam que o seu valor relativo era bem inferior. Tudo aponta para que a "generosidade" do PSD se tivesse ficado a dever ao interesse em proteger o acordo existente entre as duas formações, preservando as vantagens decorrentes da sinergia do conjunto, que é proporcionada pelo método de Hondt. De facto, o recuo de ambos os partidos face ao resultado de 2011 teria sido bem maior se acaso tivessem concorrido isoladamente.
Não obstante esta majoração artificial, o resultado da eleição de domingo debilitou fortemente o CDS na Assembleia da República, colocando-o atrás do Bloco de Esquerda e apenas com um deputado mais que o PCP. Na Madeira e nos Açores, onde o CDS concorreu sozinho, o partido teve resultados catastróficos. Tudo isto legitima a pergunta: que aconteceria hoje ao CDS se acaso se apresentasse isoladamente a eleições?
No passado, depois de muitos ziguezagues ideológicos, de que a questão europeia foi o caso mais notório, o CDS fixou o seu "fond de commerce" em alguns nichos do mercado polìtico, assentes em questões agrícolas (a "lavoura"), na defesa dos reformados e pensionistas, com um discurso "compationate" que rimava bem com as longínquas raízes democrata-cristãs do partido do Caldas, que também se faziam sentir numa resistência às temáticas mais "fraturantes" da contemporaneidade. Noutro tempo, recordo-me que uma certa reação contra os excessos de tributação ainda colheram a atenção do CDS. Onde tudo isso já vai!
Hoje, pode dizer-se que a aculturação com a ideologia da "troika", de que o CDS passou de discreto crítico a zeloso executor, com a retórica anti "protetorado" a servir de toque patriótico, levou toda essa especificidade identitária à frente. Não se vislumbra nenhuma bandeira que, com nitidez, alguém possa ligar à imagem do CDS que não acabe por mobilizar, de idêntica forma, o PSD. Onde começa um partido e acaba o outro?
O CDS, salvo como grupo de pressão para colocação em lugares no aparelho de Estado, ainda existe?