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segunda-feira, outubro 19, 2015

Negociar na rua


Não sei se os portugueses apreciam este mais do que lamentável espetáculo de reuniões entre líderes partidários, que deviam ter lugar num ambiente de discrição e mútuo compromisso de confidencialidade, serem de imediato comentadas, em contexto público, pelos próprio líderes e por figuras das direções dos partidos. 

Não me parece sério, e muito menos eficaz, efetuar conferências de imprensa no termo de rondas negociais. Por este andar, qualquer dia vale mais a pena transmitir as conversações em direto. Se é total transparência o que se pretende... 

Também me parece triste que se tenha banalizado a mútua divulgação de correspondência trocada. É por demais óbvio que o objetivo destas cartas já não é informar os destinatários das intenções dos remetentes, mas apenas jogar para a plateia mediática e, em particular, para o seu próprio serralho de prosélitos. 

Como é do bê-á-bá de qualquer negociação, o conhecimento público das propostas rigidifica as posições, impede recuos, mesmo que táticos, e vai destruindo o terreno de compromisso possível.

Não adianta apontar o dedo a quem tem a culpa original deste striptease negocial. Este é um triste episódio onde não há inocentes, só há culpados. E eu lamento ter alguns amigos no seio deles.

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