Em 1976, numa viagem de trabalho de
alguns dias à Líbia, decidi regressar por Atenas, via Benghazi. Parei dois dias
naquela que era a segunda cidade líbia, depois de Tripoli.
Foi aí que me dei conta que essa região
oriental, a Cirenaica, era algo diferente da Tripolitânia. Os tempos não eram
muito brilhantes nessa Líbia de Kadhafi, cuja imagem no imaginário
internacional estava, à época, muito longe de ser aquilo em que viria a transformar-se.
Mas a vida era calma, o país era rico, se bem que o peso da ditadura estivesse
presente um pouco por todo o lado.
Ao ver hoje no New York Times esta
triste imagem da zona marítima de Benghazi, por onde me passeei em horas
descontraídas de belos fins de tarde mediterrânicos, vi como o mundo é capaz de
mudar tanto, em pouco tempo, para bem pior.
