Morreu o prémio Nobel da literatura Tomas Transtromer, poeta sueco.
Recordo-me bem do dia em que Transtromer ganhou o Nobel. Não porque conhecesse a sua obra, mas precisamente pelo contrário, por nunca ter ouvido falar dele até esse mesmo dia e, numa curiosa coincidência, por ter tido nessa data um almoço com o meu colega embaixador sueco em Paris.
Fiquei a pensar se não conhecer tal poeta seria, ou não, uma imperdoável lacuna cultural da minha parte. E, pelo sim pelo não, durante o almoço, depois de o felicitar, perguntei ao meu colega sueco se acaso os nomes de António Ramos Rosa ou de Herberto Hélder lhe diziam alguma coisa. Disse-me que não e sosseguei. Também ele não conhecia dois génios da poesia portuguesa.
O meu sossego durou pouco, ao ouvi-lo dizer, logo de seguida, que, como poetas portugueses, apenas conhecia Fernando Pessoa e Camões. Ora eu não sabia o nome de nenhum poeta sueco (lembrei-me, depois, mas só lá cheguei com ajuda do Google, de um nome da respetiva literatura, mas não da poesia, de Lagerkvist)! O meu colega sueco ouvira falar de nomes da poesia portuguesa e eu, de literatura sueca, nicles!
Lembro-me de ter ido remoer o assunto, a caminho de casa. E, de súbito, aquietei o espírito com a reconfortante ideia de que, se isso acontece, é seguramente porque a nossa poesia é bem melhor do que a sueca. Deve ser isso! Pena é que ela não conte para o PIB...
(Fui recuperar esta historieta, aqui já publicada, neste dia em que morreu o poeta sueco)
