O diretor-geral estava estupefacto! O telefone interno tocara e, do outro lado da linha, tinha ouvido esta insolência:
- És um cretino! Li agora o teu papel para o ministro. Está uma boa porcaria! Espanta-te depois que ele te dê uma embaixada num sítio sinistro!
O diretor-geral, embaixador "chevronné", reagiu, com um berro surdo:
- Sabe com quem está a falar? Daqui é ... - e disse um nome que, nesses anos 70, fazia tremer meio ministério.
Do outro lado da linha, o interlocutor fez uma pausa reflexiva. Percebera que cometera uma incumensurável "gaffe". Após o que interrogou:
- E sabe quem eu sou?
- Não! - respondeu, irritado, o diretor-geral.
- Ainda bem... - disse o equivocado correspondente, numa voz prudentemente anasalada para a ocasião. E desligou, nesse tempo dos velhos telefones que não identificavam a origem das chamadas. A verdade é que o tal diretor-geral, nas vezes em que o encontrou, nunca lhe falou no assunto...
(Reedição de historietas da diplomacia por aqui já publicadas)
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