Que tem uma chouriça de sangue a ver com uma sextilha? E a orelheira, junto com a entremeada, rima com a farinheira ou com uma boa "pomada"? Em princípio, uma coisa é uma coisa é uma coisa e não tem a ver com as outras, não obstante o poeta, que já se foi, tenha garantido que "isto anda tudo ligado". Mas haverá algo de mais "poético" do que um grupo divertido de amigos a charlar sobre as coisas da vida (as boas e as más), dizendo cobras, lagartos e "tonnerres de Brest" sobre o governo que ainda por aí anda, agora que (já não era sem tempo!) "os cofres estão cheios", tudo à volta de um soberbo cozido à minhota, frente a uma vista deslumbrante sobre Lisboa, neste sábado luminoso, no dia mundial da poesia? E se a função, arquivada que foi a dimensão gastronómica, tiver sido completada pela oferta de livros de poesia, com recitação da dita pelos comensais e bebensais? Esta vida são dois dias e, por isso, mais vale viver à tarde do que nunca.
Obrigado, Carlos!
