Nunca fui deputado, mas julgo conhecer o essencial da ética de relacionamento entre os parlamentares. Nesse âmbito, para além da vivacidade dos debates, creio que há um código implícito de comportamento que rege as relações entre os eleitos. Nele se insere um mínimo respeito mútuo que, naturalmente, tem um maior rigor quando se trata de figuras cimeiras de qualquer dos grupos políticos.
Hoje, no quadro da polémica sobre as dívidas do primeiro-ministro à Segurança Social, a maioria vetou o envio de perguntas escritas ao chefe do governo. Pense-se o que se pensar deste assunto, PSD e CDS estão no pleno uso das suas faculdades parlamentares so assim procederem. Até aqui, tudo bem.
O que é inadmissível, e de uma baixeza e indignidade política que eu pensava ser impossível de ocorrer, foi ouvir um obscuro deputado social-democrata, de seu nome Adão e Silva, que falava em nome do seu partido no tratamento da questão, inquirir jocosamente sobre se a relutância do PS em utilizar o debate quinzenal para inquirir pessoalmente o dr. Passos Coelho não teria a ver com o facto dos socialistas não confiarem na capacidade do seu líder parlamentar. Já vi o nível das intervenções políticas descer muito, mas a triste realidade surpreende-nos sempre.
É nestas alturas que sinto saudades do tempo em que, com gente desta, isto se resolvia com umas bengaladas.
ps - Fui agora informado que o "e" em "Adão e Silva" foi um erro do oráculo televisivo. Devo dizer que estava algo perplexo, porque conheço vários "Adão e Silva" e estava a estranhar que este senhor fosse da mesma extração familiar. Afinal é "Adão Silva". Ainda bem!
ps - Fui agora informado que o "e" em "Adão e Silva" foi um erro do oráculo televisivo. Devo dizer que estava algo perplexo, porque conheço vários "Adão e Silva" e estava a estranhar que este senhor fosse da mesma extração familiar. Afinal é "Adão Silva". Ainda bem!