Durante anos, achei Herberto Helder um poeta críptico. Um dia, li-o com mais atenção e fiquei fascinado com a sua escrita. Entre nós, há muito pouca gente como ele a dominar o uso certo das palavras, sem excessivos rebuscamentos, sem essa obsessão, tão comum, da "trouvaille" estilística arrebicada que esconde, atrás de um "barroco" tido por criativo, uma mera falta de ideias originais.
Sempre me perguntei como é que Herberto Helder "alimentava" a sua escrita, passando os dias, ao que sabe, numa obstinada reclusão. De onde lhe vinha a vida que enchia a sua poesia? Mas eu já desisti de tentar entender os poetas. Só os leio e cada vez com mais prazer.
Herberto Helder morreu agora.
