sábado, 4 de dezembro de 2010

Debré

O nome Debré está fortemente associado à memória do gaullismo. Michel Debré foi primeiro-ministro do general e é considerado o "pai" da constituição da V República, que ainda hoje rege a vida política francesa.

Jean-Louis Debré, o actual presidente do Conselho Constitucional, é filho de Michel Debré e foi ministro do Interior do presidente Jacques Chirac, de quem é considerado uma das personalidades mais próximas. Do seu currículo consta igualmente a importante presidência da Assembleia nacional francesa.

Anteontem, num programa de rádio (e agora também de televisão) que, por vezes, raia o "politicamente incorreto" - o histórico "Grosses têtes", de Philippe Bouvard, de que já aqui falei - Debré foi entrevistado. Aí demonstrou como é possível conciliar a presença num lugar de responsabilidade institucional com o culto de um humor saudável, com uma liberdade de espírito de quem está de bem com a vida. Durante hora e meia, foi sujeito ao escrutínio irónico de grandes profissionais da "blague" e saiu-se desse exercício com garbo e "panache".

Além de outros livros, Jean-Louis Debré "ousa" ser escritor de romances policiais e possui uma graça refinada. Independentemente das ideias políticas que professam, confesso que me agrada ver as figuras políticas mostrarem-se capazes de sair para o mundo exterior e aproveitarem o melhor desse mesmo mundo.

6 comentários:

L M D disse...

Esse modo d estar na vida e na politica, é tipico dos grandes homens.

Helena Sacadura Cabral disse...

Nem mais Senhor Embaixador. Mas a maioria dos políticos confina-se ao seu mundo, fechando-se, afinal, àquele de que pretendem ser representantes. Ou interpretes. Daí o desencanto de grande parte de nós pelo que dizem e pelo que fazem.
Quantos políticos portugueses com responsabilidades, "ousam" fazer coisas diferentes?!
E os escassos que o fazem é sempre em período de interregno...

Julia Macias-Valet disse...

Os politicos portugueses têm medo de perder uma certa respeitabilidade...
TOTAL (como dizem nuestros hermanos)...sao assim umas personagens cinzentas e de nariz empinado.

Para ocupar altos postos (e fazê-lo bem) é necessario uma immmmmmmensa cultura e sobretudo ter uma enormiiiiiiissima abertura de espirito !

Tenho dito !
A bem da Naçao.

LP disse...

Como concordo com a D. Helena Sacadura Cabral e, também, com D. Julia Macias-Valet.

O terceiro poder aquando da Revolução Francesa era o povo, não era? o terceiro, o último!

o primeiro era o clero, que passou para segundo, uma permutazita inocente. Actualmente o primeiro... o povo!!

Estão a dizer-me aqui nos bastidores que errei a resposta. Afinal não foi hoje!

Helena Sacadura Cabral disse...

Curiosamente quando foi da aproximação das eleições todos eles, incluindo Primeiro Ministro, foram "armar ao pingarelho" no programa dos Gato Fedorento que, esses sim, a sabem toda... e ganharam uns milhares à custa dos políticos!
Vá lá que se salvou o Presidente da República.
Até mestre Louçã lá foi. Uns "vendem-se" ao dinheiro. Outros ao voto.

ECD disse...

Jean-Louis Debré é naturalmente filho de Michel Debré o "pai" da "arquitectura constitucional" da V éme Republique. Todavia, daqui a uns anos dos Debré a história só guardará provavelmente a memória de Robert. O Professor Robert Debré, pai de Michel, foi o "verdadeiro" pai da pediatria moderna.