Era uma Embaixada longínqua, não muito grande. O embaixador, acompanhado por toda a família, deslocava-se a Portugal uma única vez por ano, pelo que a sua partida e a sua chegada eram momentos marcantes na vida daquele posto.
Tradicionalmente, toda a embaixada se deslocava ao aeroporto, para se despedir. À chegada, repetia-se o mesmo tipo de presenças. Nessas ocasiões, quase por rotina, o embaixador, ao agradecer a deslocação do pessoal, deixava cair uma frase do género: "Mas para que se estiveram a incomodar?...". Via-se bem, contudo, o agrado com que aceitava o gesto coletivo.
Uma madrugada, o nosso embaixador regressava de Lisboa, depois de mais de um mês de ausência e, cumprindo a tradição, toda a Embaixada o esperava. Toda, não! O Albuquerque, o homem do arquivo, não aparecera, por uma qualquer razão.
O embaixador foi acolhido pelos funcionários, que saudou com simpatia. Como de costume, foi dizendo: "Ora essa! Então os meus amigos tiveram a maçada de vir ao aeroporto? Não deviam..." Um segundo volvido, lançou, para o encarregado de negócios: "O Albuquerque está bem de saúde?"
