terça-feira, 7 de dezembro de 2010

"Hard times"

No dia em que a revolucionária ideia do ex-futebolista Éric Cantona, de provocar uma corrida aos bancos franceses, se terá saldado por um  previsível insucesso, o centro cultural da Fundação Gulbenkian em Paris ouviu com atenção a palavra do vice-presidente do Banco Central Europeu, Vitor Constâncio.

Apresentado pelo presidente do BPI, Artur Santos Silva, Constâncio deixou claro que não parece haver espaço para uma reforma profunda do sistema financeiro internacional, atenta a continuidade previsível do dólar como principal moeda de referência. Contudo, o mundo entrou num novo tempo do processo de globalização e assiste-se hoje a uma sensível mudança do equilíbrio de poderes, favorecendo os países emergentes, que parecem fadados a anos de crescimento bem mais sustentado que o das economias dos mundo industrializado. Não obstante, o paradigma essencial do sistema de Bretton Woods não parece suscetível de ser subvertido.

No tocante à Europa, as perspetivas que Vitor Constâncio nos deixou, a médio e longo prrazos, em termos de crescimento económico, de saldo demográfico e de produtividade não foram de moldes a sossegar ninguém na sala, muito embora o conhecido europeísmo do orador procurasse dar uma nota de otimismo, na fase final da sua conferência.

Ao meu lado, o antigo diretor-geral do FMI e ex-presidente do BERD e do Banco de França, Jacques de Larosière, dizia-me, no final, que Constâncio "teve a coragem de ser realista".

Estes vão ser, de facto, "hard times", para utilizar a expressão de Dickens.

10 comentários:

L M D disse...

E melhoras não se vislumbram, quer em Portugal quer no mundo em geral.

Jose Martins disse...

Senhor Embaixador,
O Dr. Vitor Constâncio não me trouxe (a mim) novidade nenhuma...
.
Desde que abri os olhos a este mundo, só encontrei "hard times".
.
Assim aos 75 anos, perdi a esperança de "good times" à cabeça....
Saudações de Banguecoque
José Martins

cunha vribeiro disse...

A ideia absurda de Cantona tem que ser vista à luz da especulação financeira bancária. Ou seja, daquela actividade obscura e intencionalmente associal que está vedada a quem é pago (e mal pago, diga-se) pelo seu trabalho e desconta regularmente os seus impostos à cabeça, como é o caso dos Funcionários Públicos, esse VILÃO E HERÓI DE TODAS AS CRISES.

patricio branco disse...

vou-me informar sobre essa ideia do polemico futebolista francês de esvaziar os bancos, é a primeira vez que ouço falar disso. Raiva contra os bancos, teoria económica?

Anónimo disse...

"Fadados a anos de crescimento bem mais sustentado"

In (FSC:2010)

"Vale mais tarde que nunca"
Isabel Seixas

Anónimo disse...

A ideia do ex-futebolista Éric Cantona foi um pouco à Robin Wood, mas nunca poderia aplicar-se ao actual sistema financeiro internacional.

No entanto, também, ficaria bem ao amigo Éric começar a “limpeza” pela sua própria classe.

Se os adeptos não forem assistir aos jogos de futebol… Será que os futebolistas e treinadores continuam a receber salários milionários?

E que acções promove a FIFA e a UEFA em prol das populações mais desfavorecidas?

Isabel BP

Anónimo disse...

Cantona é na verdade um ex-futebolista. Mas é agora actor de teatro e de cinema e sobretudo militante da conhecida fundaçao "abbé Pierre", que segundo me parece apoia mais os pobres do que os bancos.

Anónimo disse...

Constâncio anda tão poupadinho que já nem usa acento no Vítor.

Anónimo disse...

Aquela do poupadinho do Dr. Constâncio, de Anônimo, fez-me lembrar uma anedocta (não poupo em consoantes...ainda convivo, muito, mal com o Acordo Ortográfico, como Vasco Graça Moura): o Gaspar, face à crise, passou a chamar-se "Par", para poupar no..."Gas".
Quanto ao Dr, Constâncio, felizmente para ele, não creio que sinta o peso da crise.
P.Rufino

Helena Sacadura Cabral disse...

Ai! Senhor Embaixador, que bem que o Dr. Constâncio "agora" fala. Que pena que o não tivesse feito antes. De forma tão corajosa.Ter-nos-ia poupado muitas dores de cabeça.
Como respeito muito o dono deste blogue mais não digo. "À bon entendeur, salut"!
Mas que parece que o Dr. Constâncio está mais pessimista que otimista, lá isso parece.
Receio que o Senhor Embaixador tenha que rever o seu tradicional otimismo.