A carreira diplomática portuguesa é, de há muito, uma escola de convivência bem disposta, onde se trocam graças, "nicknames" e humor, este às vezes um pouco ácido, na maioria dos casos inóquo. É com essa ironia que se conserva um ambiente e uma "cultura" muito próprios, que alguns não entendem, que outros invejam.
Quando entrei para a carreira, ouvi histórias ligadas a dois "nomes", que nunca esqueci. Diziam respeito a colegas antigos, figuras respeitadas da nossa profissão. Só conheci pessoalmente o primeiro.
Quando entrei para a carreira, ouvi histórias ligadas a dois "nomes", que nunca esqueci. Diziam respeito a colegas antigos, figuras respeitadas da nossa profissão. Só conheci pessoalmente o primeiro.
Esse primeiro era o embaixador Braga Condé, trasmontano como eu. Qual era a graça que lhe dizia respeito? Era o facto de alguns colegas, ao referirem-se-lhe, falarem do "nosso colega Draga". Porquê "Draga"? Porque era "Braga com 'dê'..."
A outra história refere-se a Carlos Lemonde de Macedo, que não julgo ter conhecido. Ao que me dizem, dado tratar-se de alguém de pendor bastante conservador, havia colegas que se lhe referiam como "Carlos Le Figaro de Macedo"...
Sem a ironia, a diplomacia tem muito menos graça!